Pinho de Mello: estabilidade do real favorece eficiência financeira

Olhar para o futuro do papel do regulador é garantir proatividade para que os modelos novos de negócio se adaptem rapidamente. A afirmação foi feita pelo diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC), João Manoel Pinho de Mello, no painel O Brasil do futuro: um mundo novo a ser explorado, tecnologias e dinheiro, durante o Correio Debate 25 Anos do Real. Segundo ele, a estabilidade da moeda permitiu à autoridade monetária avançar no sentido de buscar mais eficiência ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Pinho de Mello explicou a missão do BC para dar uma perspectiva sobre o Plano Real, que foi exitoso. “Assegurar a estabilidade da moeda com cumprimento de meta da inflação e assegurar um sistema financeiro sólido e eficiente são as missões da autoridade monetária”, disse. A primeira missão, ressaltou o diretor, é motivo de comemoração dos 25 anos do real. “A despeito de discordâncias, é notável o que nós conseguimos fazer no que se refere a estabilização monetária”, afirmou.
Sobre o segundo quesito, Pinho de Mello garantiu que o Brasil tem um sistema “incrivelmente sólido”. “Nós tivemos uma recessão, com uma perda do PIB (Produto Interno Bruto) per capita de mais de 8 pontos percentuais, que não foi causada nem teve como consequência uma crise bancária, o que é algo bastante notável”, justificou. Segundo ele, não há como negar o êxito nos dois quesitos. Contudo, a segunda missão é desdobrada em duas: além de sólido o sistema tem que ser eficiente.
“Nós construímos um sistema sólido e agora é preciso centrar esforços na conclusão de um sistema financeiro ainda mais eficiente. É sinal de maturidade da sociedade brasileira e do governo que o debate hoje esteja mais dentro de temas como juros spread bancário, fintechs, intermediação financeira, mudanças regulatórias, isso significa que nós resolvemos boa parte da agenda para dar espaço para a próxima”, assinalou.
O foco do BC, segundo o diretor, agora é dar segurança aos novos modelos de negócios, sem detrimento da inovação; estimular a entrada de novos concorrentes não tradicionais, garantir que todos os processos sejam baseados na proteção de dados dos consumidores do Sistema Financeiro Nacional (SFN). “Também temos que difundir as informações de crédito, para que todos os concorrentes possam competir em igualdade de condições. Se um credor tem mais informações do que outro, é natural que consiga dar crédito em condições mais vantajosas”, explicou.
Por fim, Pinho Mello destacou que o BC está focando em desenvolver a intermediação do futuro. “Para o Banco Central, isso envolve dois projetos: o open banking, que é a difusão sem o consentimento do usuário das suas informações para que possa receber propostas de crédito mais regulares, por exemplo, de fintechs; e um projeto de pagamentos instantâneos, como funciona em alguns países, onde é possível pagar por whatsapp”, afirmou.
Fonte: Correio Braziliense