Tentando enriquecer como Bettina? Especialistas pedem cuidado e dão dicas

Discussões em torno da segurança de investimentos no mercado financeiro voltaram à tona no início desta semana, em meio à euforia em torno do Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O indicador, que mede o desempenho das ações mais negociadas no pregão, chegou a ultrapassar os 100 mil pontos, antes de refluir para um patamar mais baixo, sob o impacto das dúvidas sobre a tramitação da reforma da Previdência e da tensão política provocada pela prisão do ex-presidente Michel Temer.
Em um cenário em que as atenções se voltaram para a Bolsa, ganhou grande repercussão o caso da jovem Bettina Rudolph, de 22 anos, que, em peça publicitária veiculada na internet pela consultoria de investimentos Empiricus Research, afirmou que, partindo da aplicação de R$ 1,5 mil, teria alcançado, em três anos, um patrimônio de R$ 1,042 milhão — uma multiplicação absolutamente impossível em intervalo de tempo tão curto. Especialistas recomendam cuidado.
Nos dias seguintes, Bettina afirmou que fez aportes adicionais em sua carteira de investimentos para se tornar milionária, mas a polêmica continuou. A Empiricus é conhecida no mercado pelo marketing agressivo que faz, prometendo viabilizar retornos consideráveis para investimentos na Bolsa de Valores. Na quinta-feira, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade encarregada de regular e fiscalizar o mercado de capitais, informou que a Empiricus não possui autorização para fazer análise de investimentos.
A Empiricus rebateu, dizendo que exerce atividade jornalística, produzindo relatórios com recomendação de investimentos, mas que, não sendo instituição financeira, não capta nem intermedeia recursos de clientes. Portanto, não estaria sujeita às normas da CVM aplicáveis a corretoras e aos bancos. A autarquia e a consultoria são partes contrárias em um processo que corre na Justiça de São Paulo. Na sexta-feira, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) anunciou a abertura de processo para avaliar a propaganda da Empiricus.

Esquemas

Muito além da discussão sobre propaganda enganosa, um caso mais grave veio à tona na semana passada: um esquema de pirâmide financeira, envolvendo o escritório de um consultor financeiro da BankRio, vinculada à corretora XP Investimentos, teria lesado investidores em um montante de R$ 20 milhões, chamando a atenção para o perigo de fraudes no sistema financeiro.
O operador responsável pela consultoria paralela, que havia criado uma pessoa jurídica para receber os recursos dos investidores, atirou-se de um prédio, no Rio de Janeiro, no dia 10 deste mês. O agente autônomo tinha clientes entre personalidades do meio artístico e esportivo, as quais faziam depósitos na conta pessoal dele, diferentemente da praxe, estabelecida pela CVM, de encaminhar os recursos para as contas das corretoras de valores autorizadas a operar no mercado.
Escândalos como esse não são novidade no mundo dos negócios. Pirâmides financeiras são conhecidos métodos fraudulentos para tirar dinheiro de investidores incautos. Na prática, o líder do negócio convence outras pessoas a aplicarem recursos com a promessa de ganhos vultosos em pouco tempo. Nesse esquema, investidores são estimulados a recrutar novos participantes, recebendo, como recompensa, percentuais altos de ganho, que dão a ilusão de efeito multiplicador do dinheiro. Na verdade, o rendimento não resulta de lucro gerado por algum negócio, mas do dinheiro aplicado pelos recém-chegados. Esse modelo, conhecido como “esquema Ponzi”, é popular desde a década de 1920, quando foi criado nos Estados Unidos por um especulador chamado Charles Ponzi.
O esquema funciona apenas enquanto houver entrada de novos participantes, mas, com o tempo, torna-se insustentável. Se, em determinado momento, todos os integrantes decidirem sacar os recursos, a pirâmide não se sustenta. A prática é considerada crime no Brasil. Quando identifica um negócio desse tipo, a CVM encaminha denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) para que seja aberto inquérito e o caso seja julgado nos âmbitos cível e criminal.

Diligência

Em nota ao Correio, a XP Investimentos afirmou que, em nove anos de operação, nunca enfrentou caso semelhante ao do agente autônomo do Rio de Janeiro. A corretora disse possuir um processo prévio de diligência para escolher agentes autônomos, incluindo checagem de antecedentes criminais, levantamento de certidões e entrevistas individuais.
“A empresa esclarece que não tem qualquer vínculo com o ocorrido. O evento foi totalmente isolado e ocasionado por um indivíduo que atuava como assessor de investimento, mas que também realizava atividades paralelas irregulares, por meio de pessoa jurídica própria, fora do sistema financeiro, e que levou investidores a comprar operações particulares. No caso em questão, nenhuma transação, transferência ou fraude foi realizada dentro da plataforma da XP Investimentos”, informou a corretora.

Desconfie de ganhos fáceis


Com a Selic (taxa básica da economia) no menor patamar histórico, de 6,5% ao ano, a rentabilidade de aplicações de renda fixa diminuiu e a renda variável tornou-se mais atrativa. Muitos investidores, no entanto, se deixam levar pela ganância diante da promessa de rendimentos expressivos e acabam sendo lesados. O economista e consultor Demétrius Lucindo, que trabalhou no mercado financeiro durante mais de 30 anos, observa que é preciso cuidado ao entrar no mercado de ações. Antes de tudo, diz ele, a pessoa deve, caso contrate os serviços de uma corretora, certificar-se de que ela opera de forma regular.
“Meu primeiro conselho é o de que o investidor procure uma corretora credenciada no Banco Central e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, afirma. Segundo Lucindo, caso opte por um agente autônomo, o cuidado deve ser redobrado. “É preciso ficar claro que o agente autônomo ganha dinheiro de acordo com as operações e movimentações do cliente. Caso se perceba que o agente ordena mudanças frequentes de posição. isso é um sinal ruim”, adverte.
O consultor também afirma que investidores de pequeno porte, mesmo com perfil conservador ou moderado, podem cair no “conto do vigário” ao se depararem com promessas de retornos astronômicos. “Se alguém prometer ganhos extraordinários, saia fora. Muitos caem nesse tipo de história. A verdade é que as pessoas querem obter ganhos fáceis na bolsa. Então, a promessa de retornos rápidos e volumosos é sedutora. Mas uma corretora não pode garantir ganhos, é um mercado instável e com risco”, completa.
Francisco José Bastos, superintendente de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM, afirma que a autarquia tem aprimorado o modelo de fiscalização e combate a fraudes. “Houve um incremento muito grande dos casos de processos resolvidos”, diz. Entre 2014 e 2018, foram instaurados 443 processos de consulta, reclamação ou denúncia contra pessoas ou entidades não participantes do mercado, com destaque para os crimes contra a economia popular, com 123 episódios. O número só foi ultrapassado pelos casos de exercício irregular de atividades no mercado mobiliário, com 180 processos.
De acordo com Bastos, a fiscalização da CVM atua em dois eixos. “Temos uma supervisão preventiva, na qual discutimos a probabilidade de ocorrência de eventos de risco. A partir disso, passamos à fase de inspeção de campo. Essas ações têm como foco antecipar as ocorrências de fraudes e irregularidades”, explica. De acordo com o superintendente, há também a possibilidade da ação por demanda, quando a CVM atua mediante queixas de investidores ou da mídia.

Indícios

José Alexandre Vasco, superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da CVM, chama a atenção para o Boletim de Proteção do Investidor, editado pela autarquia, que aponta indícios de fraude aos quais é preciso ficar atento. “Desconfie de promessas com ganho elevado e baixo risco. Golpistas são pessoas simpáticas. Em qualquer investimento, tenha certeza do risco que está correndo, questione os conhecimentos do operador, e, principalmente, proteja suas aplicações”, destaca Vasco. De acordo com ele, por meio dos canais da CVM, as pessoas podem encaminhar denúncias, com a possibilidade, caso queiram, de preservar sua identidade.
Outra entidade que busca proteger os investidores é a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), que representa cerca de 340 instituições financeiras, como bancos comerciais, gestoras de patrimônio, corretoras de investimento e distribuidoras de valores. “Temos códigos de supervisão e de conduta dos nossos associados. Na prática, as instituições que aderem ao código demonstram ao investidor que têm compromisso com a regulação criada pelo próprio mercado”, afirma Guilherme Benaderet, superintendente de Supervisão de Mercados da Anbima.
De acordo com Benaderet, ao ser detectado um problema, a Anbima instala um programa de apuração, levado a cabo por funcionários de várias instituições integrantes da associação. Caso seja comprovada a irregularidade, aplica-se uma multa, que pode incluir a retirada do selo da companhia, assim como a exclusão do faltoso do quadro de participantes da entidade. “É muito importante para o investidor. Toda instituição que usa o nosso selo transmite uma confiabilidade maior. O selo é um compromisso de que a empresa segue práticas de boa governança”, afirma.
“Muitos golpes possuem pontos em comum”, observa Aquiles Mosca, presidente do Comitê de Educação de Investidores da Anbima. Normalmente, três tipos de abordagem são utilizados para enganar investidores mais vulneráveis. O primeiro é o daquele fraudador que se apresenta como alguém que enriqueceu e diz que é possível aos outros conseguir a mesa coisa”, explica Mosca. O segundo comportamento típico é o de reforçar a exclusividade do negócio ilícito, ao apontar para uma oportunidade que seria oferecida a poucos.
A terceira forma de abordagem do fraudador é a de chamar a atenção para uma oportunidade que estaria prestes a desaparecer. “Tenta-se produzir a percepção de escassez artificial, que forçaria o investidor a entrar no negócio. São itens que aparecem sempre, portanto, não muito difíceis de serem identificados”, sintetiza Mosca.
Outro aspecto que deve acender o sinal de alerta é a solicitação de depósitos em contas pessoais, procedimento não permitido pela CVM. “No site da Anbima, possuímos nosso canal de comunicação com o investidor final, que é o blog Como investir. Trazemos orientações, falamos de produtos de investimento, processos decisórios, dados de conhecimento”, esclarece.
Fonte: Correio Braziliense

Reajuste da conta de luz terá um abate de 3,7 pontos percentuais em 2019

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou um acordo com um pool de bancos que atenuará em 3,7% os reajustes nas tarifas de energia neste ano, e em 1,2%, no próximo. O efeito se deve ao sucesso da negociação, em parceria com o Ministério de Minas e Energia, e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com um pool de bancos para a quitação antecipada de um empréstimo feito em 2014, durante a crise hídrica no setor, no intuito de intensificar o uso de termelétricas.

A amortização da chamada Conta ACR é feita com taxas embutidas nas contas de luz dos consumidores, e o acordo implicará na retirada de R$ 8,4 bilhões das faturas até 2020. A desoneração antecipada será possível devido ao valor acumulado em um fundo de reserva criado para eventuais imprevistos, também arrecadado das taxas pagas pelos consumidores. Todo mês, as tarifas de energia recolhem R$ 703 milhões para quitar o empréstimo. Desse total, R$ 536 milhões vão para os bancos, e o restante é destinado ao fundo de reserva.

A quitação do empréstimo, que estava prevista para abril de 2020, será antecipada para setembro de 2019. Isso significa que o encargo na tarifa de energia elétrica deixará de ser recolhido dos consumidores a partir de outubro. Dessa forma, caso uma distribuidora tivesse o reajuste de 2019 calculado em 10%, ele passará a ser de 6,3%. Em 2020, um aumento das tarifas de 10% cairá para 8,8%.

André Pepitone, diretor-geral da Aneel, comemorou o que considerou o sucesso de um esforço conjunto: “Nós fizemos um trabalho administrativo árduo e logramos o êxito de apresentar um resultado concreto e efetivo na conta de luz de cada brasileiro”, declarou.

Fonte: Correio Braziliense

As razões por que a bolsa bate recorde enquanto a economia patina

O mercado de ações começou a semana com otimismo. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, bateu 100 mil pontos pela primeira vez na história na tarde de segunda-feira (18). Na terça, chegou a superar essa pontuação, refletindo um aparente entusiasmo de operadores do mercado financeiro em relação ao futuro das empresas brasileiras.

Para a economia real, no entanto, as perspectivas são mais pessimistas; analistas vêm reduzindo há semanas as projeções para o crescimento econômico em 2019.

Por que o mercado está tão otimista em um momento em que o crescimento econômico patina e o desemprego segue em alta? No mesmo dia em que o Ibovespa bateu os 100 mil pontos, o Banco Central divulgou um relatório em que seus economistas reduziram de 2,28% para 2,01% a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2019. O relatório, intitulado Focus, é feito a partir de pesquisa semanal com consultorias e instituições financeiras.

Diante da alta do Ibovespa, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, publicou um tuíte entusiasmado: “Após início dos trabalhos sobre a nova previdência e durante viagem do PR @jairbolsonaro aos EUA bolsa de valores ultrapassa a marca histórica dos 100.000. Isto significa que há muito otimismo na política do presidente JB. Quem apostar no Brasil vai ganhar!”

A BBC News Brasil ouviu especialistas para entender o que explica a aparente euforia do mercado. A opinião geral é de que o movimento reflete a expectativa de que a economia se recupere ao longo do ano e que o governo aprove uma Reforma da Previdência que representará uma economia significativa para o país. No entanto, há outros fatores em jogo. Veja abaixo os principais argumentos apresentados.

Reforma da Previdência

O economista Juan Jensen, da 4E Consultoria, acredita que o otimismo do mercado se deva à expectativa pela aprovação da Reforma da Previdência, principal projeto do governo Bolsonaro. A Proposta de Emenda à Constituição que dá conta das mudanças e regras de aposentadoria para a iniciativa privada e o funcionalismo público foi enviada ao Congresso em fevereiro. Não está claro, no entanto, em que formato a reforma será aprovada, se é que será. Além disso, falta ainda uma proposta de mudanças para militares, que deve ser apresentada aos parlamentares nos próximos dias.

Jensen avalia que, com a reforma, o mercado espera que a economia ganhe tração.

“A aprovação da reforma implica em aumentar a taxa de crescimento do país. Por conta disso, o valor das empresas aumenta. Elas vão vender mais e lucrar mais, por isso o valor sobe. O aumento do crescimento do país beneficia todas as empresas”, diz ele.

Mas se a reforma daria tração à economia, por que economistas vêm reduzindo as projeções de crescimento do PIB?

Para Jensen, essas análises não levam em conta a aprovação da Reforma da Previdência, que não deve acontecer tão cedo.

“Como a reforma provavelmente só será aprovada no segundo semestre, o impacto sobre 2019 é pequeno. O baixo crescimento da economia no final do ano passado deixou um peso para este ano. Isso não muda o fato de que, se uma reforma robusta for aprovada, a economia vai entrar numa trajetória de maior crescimento, com mais investimento, confiança, crédito. Mesmo com essa frustração a curto prazo, a expectativa é de que, se uma boa reforma for aprovada, o ritmo da economia mudará em relação ao que temos hoje. Isso ficaria mais claro na taxa de crescimento de 2020”, diz Jensen.

“Desde a eleição, o governo vem deixando muito claro que seu principal plano é passar a reforma. A bolsa vai incorporando essa probabilidade de aprovação”, diz Luiz Azevedo, superintendente de análise da Corretora Safra.

Otimismo exagerado?

Jensen acha, no entanto, que os operadores do mercado financeiro estão excessivamente otimistas em relação ao impacto da reforma. A proposta apresentada pela equipe econômica prevê economia de mais de R$ 1 trilhão em apenas dez anos, mas, para isso, ela teria que ser aprovada pelo Congresso exatamente como foi desenhada, o que pode não acontecer.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que a impopularidade da reforma e a necessidade de conquistar amplo apoio parlamentar obrigará o governo Bolsonaro a construir uma articulação com deputados e senadores, o que pode desidratá-la.

“O principal obstáculo é político, e não econômico. Alguns analistas acreditam que a articulação (política) será boa, que houve grande renovação no Congresso. No entanto, já há sinais de que o governo enfrenta dificuldades”, diz ele. Na segunda-feira, o PDT decidiu que os parlamentares da sigla devem votar contra a proposta.

“Se você começa a ceder para uma categoria ou outra, cede a eficácia da reforma. Não é provável que se consigo tudo que estão querendo, mas o ótimo é inimigo do bom. É muito possível que se consiga algo no meio do caminho, algo que será positivo”, diz Edigimar Max Maximiliano, superintendente executivo da Corretora Safra.

O problema de não se aprovar a reforma, ou aprovar uma reforma que não represente uma economia significativa para os cofres públicos, dizem esses analistas, é que isso colocaria em xeque a tendência de crescimento econômico, na opinião dele.

“As ações e o Ibovespa voltarão a cair para bem abaixo dos 100 mil pontos se não apresentarmos uma reforma ou se apresentarmos uma muito diferente da (que foi proposta) pela equipe econômica.”

Jensen descarta, no entanto, que esteja se formando uma “bolha” de crescimento exagerado no mercado em relação à Reforma da Previdência. “Se a reforma que sair for próxima à proposta pelo governo, a Bolsa vai subir além do que já subiu. Haverá uma recuperação, as empresas vão começar a ter mais lucros. (O entusiasmo) tem fundamento. Nesse sentido, os ativos no Brasil continuam baratos. A Bolsa deve continuar subindo desde que uma Reforma da Previdência ampla seja aprovada.”

Analistas ouvidos pela agência Reuters apontam também que, além da expectativa pela reforma, o mercado acompanha a agenda de privatizações e concessões – fontes alternativas, ainda que menores, de recursos para sanar a questão fiscal.

No dia 15 de março, o governo realizou um leilão para a concessão de 12 aeroportos que somou R$ 2,377 bilhões (em ativos arrecadados).

Viccenzo Patrnostro, responsável pela área de renda variável da Legacy Capital, disse à Reuters que o investimento estrangeiro “vai ser o responsável por uma nova mudança de patamar do Ibovespa”. Para ele, no entanto, o capital externo só virá com força com a aprovação da reforma.

Juros no Brasil e fora do país

Outro fator que impulsiona o Ibovespa é o fato de que há a expectativa de que o Federal Reserve, o banco central americano, não aumentará os juros (mecanismo usado pelos bancos centrais para controlar a inflação) por lá no futuro próximo.

Em janeiro, o Fed decidiu manter a taxa entre 2,25% e 2,5% ao ano e não falou sobre aumentos graduais, o que foi interpretado por alguns analistas como um sinal de que ela será mantida pelos próximos meses.

“O contexto internacional acaba ditando a dinâmica. Quando o Fed mantém juros mais baixos, há menos dinheiro indo para lá”, diz Maximiliano.

No Brasil, também se espera que a taxa Selic fique nos patamares atuais (6,5%) ou volte a ser reduzida.

“O Brasil tem uma combinação histórica. O fato de haver 13 milhões de desempregados faz com que provavelmente não haja pressão inflacionária. Provavelmente conseguiremos ter um crescimento razoavelmente virtuoso para acontecer sem pressionar a inflação e sem precisar de aumento de juros para segurar a inflação, o que significa que eles devem permanecer altos por algum tempo. Significa também que quem tem algum dinheiro para investir, em vez de deixar nos juros baixos, vai acabar indo para a bolsa. Petrobras, Banco do Brasil, são empresas que têm uma perspectiva de melhora diante desse cenário”, diz Maximiliano.

Crescimento do Ibovespa não é de hoje…

Especialistas ouvidos pela BBC ressaltam que o entusiasmo do mercado não é de agora. Segundo eles, o Ibovespa vem avançando desde 2016, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando Michel Temer, visto como um político comprometido com a agenda liberal, assumiu o governo.

Os entrevistados dizem que, na área econômica, o plano de Bolsonaro está alinhado com o que os agentes econômicos esperam: manutenção e aprofundamento das reformas feitas pelo governo Temer, privatizações, e enxugamento do Estado.

“Por que isso está acontecendo hoje? Basicamente porque teria que acontecer alguma hora. Era algo previsto”, diz Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional da Economatica, empresa de informações financeiras.

… e nem foi tão grande quanto pareceu

Rivero diz, no entanto, que o índice não bateu seu recorde real na segunda-feira, ou seja, seria preciso descontar a inflação da valorização das ações. “É preciso entender que esse é um valor nominal. Ajustando a série histórica pela inflação, você vê que o índice atingido hoje ainda está longe do pico histórico, que aconteceu no dia 20 de maio de 2008, quando chegou aos 134.917 pontos corrigidos”, diz Rivero.

Ele afirma que também é importante ler o índice com o olhar de investidor estrangeiro. “O investidor estrangeiro olha o índice em dólares. Nessa moeda, o Ibovespa também está bem abaixo do pico histórico”, diz o economista.

Fonte: G1

IGP-M acelera alta na 2ª prévia de março com pressão maior no atacado e varejo, diz FGV

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) teve alta de 1,06% na segunda prévia de março, contra avanço de 0,55% no mesmo período do mês anterior, diante da maior pressão dos preços tanto no atacado quanto no varejo, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (19).

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, acelerou a alta a 1,41% no período, de 0,73% no mesmo período do mês anterior.

O IPA mostrou que os Bens Intermediários passaram a subir 0,70% no período, deixando para trás a queda registrada antes de 0,29%, com destaque para o comportamento do subgrupo materiais e componentes para a manufatura.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, passou a subir 0,50 por cento na segunda prévia de março, contra alta de 0,1% na segunda leitura de fevereiro.

A maior contribuição para esse resultado foi dada pelo grupo Alimentação, que acelerou a alta a 1,10%, de 0,43% na segunda prévia de fevereiro, sob a pressão principalmente de hortaliças e legumes.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por sua vez, avançou 0,11%, de alta de 0,29% antes.

O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis.

A segunda prévia do IGP-M calculou as variações de preços no período entre os dias 21 do mês anterior e 10 do mês de referência.

Para o economista-chefe da corretora Necton, André Perfeito, os indicadores mais recentes de inflação apontam o fim do ciclo benigno na dinâmica de preços, e que o Banco Central “não tem como cortar juros ao longo de 2019”.

IBC-Br sobe 0,16% no trimestre até janeiro ante três meses anteriores

O Banco Central informou nesta segunda-feira, 18, que seu Índice de Atividade (IBC-Br) registrou alta de 0,16% no acumulado do trimestre até janeiro de 2019, na comparação com o trimestre anterior (agosto a outubro de 2018), pela série ajustada.

O BC informou ainda que o IBC-Br acumulou alta de 0,91% no trimestre até janeiro de 2019 ante o trimestre até janeiro de 2018, pela série sem ajustes sazonais.

Considerado uma espécie de “prévia do BC para o PIB”, o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses.

Média móvel trimestral

A média móvel trimestral do IBC-Br teve alta de 0,02% em janeiro, na série com ajuste sazonal. Em dezembro, o indicador havia registrado alta de 0,13%.

Bastante observada pelos economistas do mercado financeiro, a média móvel do IBC-Br costuma ser usada como indicativo de tendências para o índice. O porcentual desta segunda-feira refletiu a comparação entre o trimestre encerrado em janeiro de 2019 e o trimestre encerrado em dezembro de 2018.

No caso da série sem ajuste sazonal, a média móvel trimestral do IBC-Br teve resultado negativo de 1,55% em janeiro. Em dezembro, a média móvel sem ajuste havia subido 0,16%.

Revisões

O Banco Central revisou nesta segunda-feira dados do IBC-Br na margem, na série com ajuste. O IBC-Br de dezembro de 2018 seguiu em 0,21%, mas o índice de novembro foi revisado de 0,23% para 0,27%.

No caso de outubro, a revisão foi de -0,11% para -0,09%. O dado de setembro foi de -0,11% para -0,14% e o de agosto passou de positivos 0,46% para 0,45%. Em relação a julho, o BC substituiu a taxa de 0,37% pela de 0,36%.

Conhecido como uma espécie de prévia do BC para o PIB, o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. A previsão oficial do BC para a atividade doméstica em 2019 é de avanço de 2,4%.

Fonte: IstoÉ

Bovespa opera em leve queda, de olho na tramitação da reforma da Previdência

O Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, a B3, opera em leve queda nesta quinta-feira (14) com a tramitação da reforma da Previdência ainda sob a atenção dos investidores. No início da noite da véspera, foi instalada a primeira comissão na Câmara responsável por discutir o assunto.

Às 10h04, o Ibovespa tinha de baixa de 0,09%, a 98.813 pontos.

No radar, está ainda o noticiário sobre o Brexit. Nesta quinta, o parlamento britânico vai discutir como atrasar o prazo para que o Reino Unido saia da União Europeia, previsto para 29 de março, às 23 horas (no horário de Londres). Na quarta, os deputados britânicos rejeitaram a possibilidade de deixar o bloco sem acordo – mas uma extensão no prazo para a saída depende da aprovação unânime de todos os 27 países integrantes do bloco.

Na véspera, o Ibovespa terminou o dia em alta de 1,1%, a 98.903 pontos, batendo novo recorde de pontuação. Na máxima da sessão chegou a 99.267 pontos. O recorde anterior do Ibovespa havia sido em 4 de fevereiro, quando o indicador atingiu 98.588 pontos.

Fonte: G1

Ford mantém decisão de fechar fábrica, diz sindicato, após reunião nos EUA

Comissão esteve na sede da montadora, nos EUA, na semana passada, tentando convencer a empresa de que encerrar produção de caminhões no Brasil é um erro.

A Ford manteve a decisão de fechar a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) após reunião com representantes dos trabalhadores na sede da montadora, em Dearborn, perto de Detroit, nos Estados Unidos.

No encontro, realizado na última quinta-feira (7), o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC disse ter tentado convencer a empresa de que a decisão de encerrar a produção de caminhões no país, restrita àquela unidade, seria um erro.

“Apresentamos vários argumentos para a manutenção da planta. Reforçamos a versatilidade da mão de obra, já que, pelo acordo feito com o sindicato, aqui estão os únicos trabalhadores em montadoras que atuam tanto na linha de automóveis como na de caminhões”, afirmou José Quixabeira de Anchieta, o Paraíba.

“Destacamos também o quanto nossa fábrica é moderna, nosso nível de automação, e também lembramos o impacto social que representaria o fechamento. Mas a resposta foi que a empresa não recuaria da decisão”, disse ele.

3 interessados na fábrica

Ainda segundo Anchieta, a direção global da Ford confirmou que 3 grupos estão interessados na compra da fábrica, o que já tinha sido informado pelo governador de São Paulo, João Doria.

Nem a Ford nem o político revelaram quem são esses candidatos. A única a confirmar publicamente o interesse foi a Caoa, que produz carros da Hyundai e é parceira da chinesa Chery.

“Com esse posicionamento, deixamos claro que temos de estar presentes na mesa de negociação. A partir de agora estamos em luta pela manutenção dos empregos nesta planta. Não importa quem é o patrão. O patrão vai, mas os empregos ficam”, afirmou o presidente do sindicato, Wagner Santana.

A entidade se recusou a comentar o resultado da reunião até a assembleia com os trabalhadores, ocorrida na manhã desta terça (12).

Eles decidiram pela manutenção da greve iniciada no último dia 19, quando o fechamento foi anunciado pela Ford, até a próxima quinta (14), em que realização uma nova assembleia.

Fonte: G1

Juros recuam com dólar e Previdência, apesar de IPCA mais forte

Os juros futuros abriram praticamente estáveis na manhã desta terça-feira, 12, acentuaram o recuo, em linha com o dólar, e apesar de o IPCA de fevereiro ter subido 0,43%, acima do teto das estimativas, que iam de alta de 0,26% a 0,42%. Em janeiro, o indicador subiu 0,32%.

Segundo profissionais de renda fixa, a inflação não é uma preocupação no momento e as atenções estão mais voltadas para o andamento da reforma da Previdência, cujos sinais são vistos como positivos.

Às 9h56, o DI para janeiro de 2020 estava em 6,44%, de 6,445% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2021 exibia 7,02%, de 7,06%, enquanto o vencimento para janeiro de 2023 marcava 8,08%, de 8,15% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2025 estava em 8,59%, de 8,67% no ajuste de ontem. No câmbio, o dólar á vista recuava 0,59%, a R$ 3,8178 e o dólar futuro para abril caía 0,55%, aos R$ 3,8220.

Mais tarde, o Tesouro Nacional realiza leilão de até 1,15 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), papéis que são remunerados pelo IPCA, em quatro vencimentos divididos em dois grupos (11h00).

Por que as previsões sobre o PIB estavam erradas?

No começo de 2018, economistas chegaram a prever um crescimento de 3% do PIB no ano, expectativa que ao longo dos meses, como todos sabemos, foi murchando, murchando… até o resultado final, divulgado na semana passada: aumento de apenas 1,1%. A diferença, de 1,9%, não é pouca em termos percentuais, se trata de um resultado que ficou praticamente 65% abaixo do previsto.

Uma explicação, divulgada por alguns responsáveis por essas projeções, é que os modelos usados para calcular o crescimento do PIB se deterioraram ao longo do ano, levando a uma previsão errada. Mesmo assim é difícil olhar para uma disparidade de resultados tão grande sem imaginar se não houve um excesso de otimismo.

Economistas são humanos e o trabalho de Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de Economia, demonstra que tendemos a ser otimistas demais com o futuro. Esse viés de achar que tudo vai dar certo é uma das chaves da Teoria Prospectiva, segundo a qual confundimos alta probabilidade com certeza.

As pessoas – o que certamente inclui os encarregados de relatórios e projeções – têm uma capacidade limitada de compreender e avaliar probabilidades, segundo Kahneman e seu companheiro de estudos, Amos Tversky. Muitos de nós percebem pequenas probabilidades como se fossem grandes e também o contrário, grandes probabilidades como pequenas.

No livro A crisis of beliefs: Investor psychology and financial fragility, lançado no ano passado, Nicola Gennaioli e Andrei Shleifer, economistas e professores de Princeton, recuperam a história da falência do banco Lehman Brothers, em 2008, para demonstrar como nossa percepção dos fatos econômicos pode estar errada.

Apenas seis semanas antes da falência do banco, em agosto, tanto o Fed como os encarregados das previsões no mercado financeiro previam que a economia dos Estados Unidos iria crescer. E todas as autoridades asseguraram por meses que o pior havia passado. O que deu tão errado?

Os autores apontam: analistas de risco, investidores, economistas e autoridades supervalorizaram a possibilidade de que o desempenho do passado se mantivesse e negaram os riscos do presente. Hoje é consenso de que houve excesso de confiança.

As evidências não sugerem que os economistas foram ingênuos ou mal intencionados ao fazer previsões. Houve, no entanto, uma falha enorme: os bancos não sabiam mais do que as pessoas comuns sobre o estado da economia.

Algo parecido ocorreu na Copa do Mundo de 2018. Comentaristas, analistas, repórteres, apostadores, torcedores, todos conhecedores do futebol, erraram os favoritos. A maior parte das análises, considerando o caminho de seleções como a Alemanha ou mesmo o Brasil, olhou para o passado, sem ter ideia de como o time estava no momento.

É o que Vojtěch Zíka e Petr Koblovsky, dois economistas tchecos, chamam de “a maldição do especialista”. Pessoas acostumadas a determinadas tarefas ao longo do tempo acabam não dando a atenção devida a alguns detalhes. Eles citam um exemplo: entre 1998 e 2001 as empresas americanas gastaram US$ 2 trilhões em aquisições de outras empresas, que, todavia, logo estavam valendo US$ 250 bilhões a menos, um prejuízo para os acionistas.

Para evitar disparidades, defendem Gennaioli e Shleifer, expectativas deviam ser incorporadas às projeções, em um modelo de probabilidades. Seria como dar um desconto devido às emoções.

Fonte: G1

Mulheres ganham menos até em funções em que são maioria, diz IBGE

É possível constatar que isso ocorre em atividades profissionais como professoras de nível fundamental, secretárias e vendedoras de cosméticos.
 
De um modo geral, em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas com idades entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens.
A maioria das mulheres sempre recebeu salários mais baixos do que os homens, mesmo quando exercem funções idênticas. A novidade é que agora é possível constatar que isso ocorre até em atividades profissionais em que elas são maioria, como professoras de nível fundamental, secretárias e vendedoras de cosméticos.
 
De um modo geral, em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas com idades entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579) nesse mesmo grupo etário. A população ocupada de 25 a 49 anos totalizava 56,4 milhões de pessoas no Brasil em 2018. Esse contingente era composto por 54,7% de homens e 45,3% de mulheres.
 
O estudo “Diferença dos rendimento do trabalho de mulheres e homens nos grupos ocupacionais – Pnad Continuada 2018” mostra que no grupo dos profissionais classificados como ciências e intelectuais a participação das mulheres é  63%, mas os rendimentos equivaliam a 64,8% da remuneração dos homens.
 
As mulheres também representavam maioria, 60%, no grupo dos trabalhadores de apoio administrativo, mas o percentual do rendimento, embora superior ao registrado no grupo dos profissionais das ciências e intelectuais, equivaliam a 86,2% da remuneração dos homens. Eles são minoria no setor de cosméticos, mas ganham mais. As mulheres eram 59% do contingente de trabalho nessa área,  mas no final do mês recebiam o equivalente a 66,2% da renda masculina.
 
A participação das mulheres era maior entre os trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), professores do ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%).
 
Em cargos altos de diretoria e gerência as mulheres estão em desvantagem. Elas receberam o equivalente a 71,3% da remuneração dos homens e representavam apenas 41,8% dos cargos de comando. È a primeira vez que o IBGE desmembra os dados da Pnad por categoria. O IBGE analisou as horas trabalhadas, a cor, a raça, a idade e o nível de instrução das mulheres ocupadas de 25 a 49 anos. Os dados da série histórica (2012 a 2018) são dos 4º semestres de cada ano.
 
A única exceção é com relação a membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares. Neste caso, as mulheres receberam 100,7 da remuneração dos homens no período analisado. De acordo com o IBGE, isso ocorre porque as mulheres possuem escolaridade média mais alta dos que a dos homens e não ingressam na carreira no primeiro nível de hierarquia. A maioria começa na frente, aumentando a média salarial.
 
As mulheres da ocupação de Agricultores e trabalhadores qualificados em atividades da agricultura (exclusive hortas, viveiros e jardins) – que mostravam a menor proporção de mulheres (23,8%) -, recebiam 64,2% do rendimento dos homens. Nas ocupações de Médicos especialista e Advogados,  que mostravam relativo equilíbrio da participação feminina (em torno de 52%) e demandam nível de instrução mais elevado em ambos os casos, a diferença de rendimento aumentava, com percentuais que diminuíam para 71,8% e 72,6%, respectivamente.
 
O  estudo “Diferença do rendimento do trabalho de mulheres e homens nos grupos ocupacionais – Pnad Contínua 2018” analisou, em nível Brasil, as horas trabalhadas, a cor ou raça, a idade, o nível de instrução das mulheres ocupadas de 25 a 49 anos. Também foi estudada a distribuição por sexo nos grupamentos ocupacionais e as diferenças de rendimento médio real entre mulheres e homens. Os dados são do 4º trimestres.
 
Valor da hora trabalhada: Em 2018, o valor médio da hora trabalhada era de R$ 13,0 para a mulheres e de R$14,2 para os homens, indicando que o valor do rendimento da mulher representava 91,5% daquele recebido pelos homens.  Em média, homens trabalharam 42,7 horas e as mulheres, 37,9 horas, ou seja, 4,8 horas a menos na jornada semanal da mulher.
 
Cor e Raça
O estudo mostrou diferença importante na desagregação dos dados por cor ou raça da população ocupada. O rendimento médio da população ocupada de cor preta ou parda correspondia, em média, a 60,0% daquela de cor branca. Dirigentes e gerentes (64,1%) e Profissionais das ciências e intelectuais (60,4%) tinham as maiores proporções de pessoas brancas, enquanto os das ocupações elementares (69,1%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (60,3%) registravam as principais participações de trabalhadores da cor preta ou parda.
 
Intrução: O nível de instrução da população ocupada de 25 a 49 anos tem aumentado ao longo da série da Pesquisa (2012-21018), com crescimento da proporção de pessoas com pelo menos o ensino médio completo e nivel superior. Em 2012, 13,1% dos homens ocupados tinham o ensino superior, passado para 18,4% em 2018. Entre as mulheres essa estimativa foi de 16,5% (2012) para 22,8% (22,0%).
 
Jornada
 
Em média, a jornada de trabalho semanal da mulher era 4,9 horas inferior à jornada dos homens. Essa diferença era menor nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (-2,0 horas), dos Técnicos e profissionais de nível médio (-1,9 hora) e a de Trabalhadores de apoio administrativo (-1,2 hora). Por outo lado, as mulheres dos grupos de Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios trabalhavam, em média, 7,0 horas a menos que os homens.
 
ONU Mulheres estimula empresas a praticar equidade
 
Organizações Internacionais estão convocando empresas a assumir um compromisso público pela igualdade de gênero. De acordo com a ONU Mulheres, uma das organizações responsáveis pela ação, 198 empresas já aderiram ao Princípio de Empoderamento das Mulheres, iniciativa que conta com instrumentos para que as próprias empresas façam um autodiagnóstico em uma plataforma online.
 
As informações que as empresas incluem na ferramenta são confidenciais e serão usadas posteriormente para estudos. O objetivo imediato é que as próprias empresas façam seu diagnóstico e avaliem suas práticas, políticas e programas pela  perspectiva de gênero, de forma que possam estabelecer planos de mudança com foco na igualdade. Ainda não há um balanço de quantas empresas, das que participam da iniciativa, já incluíram seus dados na plataforma. Ainda neste ano, a ONU Mulheres pretende divulgar um balanço das melhorias que a ação gerou no ambiente organizacional das empresas, com relação à equidade de gênero.
 
Unilever, Furnas, Itaú, banco Santander e Grupo Boticário são exemplos de grandes grupos que aderiram à iniciativa, que inclui também startups. Além da plataforma, as empresas contam com a assistência das organizações participantes, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a União Européia,e têm acesso a planos de trabalho para transformar a cultura organizacional, indicadores de progressos e intercâmbio de boas práticas de gênero em comunidades de negócios.
 
Em outro programa, o “Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios”, com foco no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica e Jamaica, essas organizações internacionais promovem o intercâmbio entre empresárias e empreendedoras latino-americanas e europeias.
 
“Mulheres do mundo inteiro enfrentam obstáculos para o acesso a direitos econômicos, trabalho decente e proteção social. O empoderamento econômico das mulheres é uma das estratégias capazes de remover obstáculos e criar as condições para desenvolver toda a sua potencialidade das mulheres”,  afirma Ana Carolina Querino, representante interina da ONU Mulheres no Brasi. Segundo ela,  o desenvolvimento profissional das significa o incremento do PIB. Segundo dados do Banco Mundial, divulgados pela ONU Mulheres, uma maior projeção profissional das mulheres causaria um impacto de 3,3% no Produto Interno Bruto, seriam cerca de R$ 382 bilhões a mais na economia.
 
Um dos benefícios da ação, segundo Ana Carolina, é que as grandes empresas têm o poder de influenciar as cadeias produtivas, espalhando a mudança de cultura em todos os setores e classes sociais.
 
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho gera uma perda média de 15% nas economias dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de acordo com informações da ONU Mulheres.
 
Fonte: Correio Braziliense