Após três anos de queda, classe média reaquece o mercado imobiliário

O mercado imobiliário, historicamente conhecido por ser o primeiro a entrar em crise e o último a sair dela, está em rota de crescimento novamente, após três anos de retração consecutiva. É o que constata o mais recente levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), referente aos financiamentos para aquisições ou construções de imóveis em 2018. De acordo com a entidade, alguns fatores justificam a providencial retomada: juros menores, mais confiança dos consumidores, especialmente da classe média na mira dos empreendimentos mais caros, e a promessa do governo de apertar o cinto das contas públicas e outros itens que resgatam o sonho da casa própria. No entanto, o salto de 33% no dinheiro proveniente da poupança é o que provocou o maior impacto na estatística positiva. O movimento financeiro chegou a R$ 57,4 bilhões, como aponta Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Antes, a demanda era sustentada muito mais pelo modelo popularizado Minha casa, minha vida. “A hipótese de que as contas públicas fiquem sob controle ajudou a derrubar os juros de longo prazo. A medida é fundamental na composição das taxas imobiliárias nos bancos”, explica o economista Renato Torres, especialista em mercado de crédito pela Fundação Getulio Vargas (FGV). “Antes das eleições presidenciais, os contratos a vencerem em 2029 mantinham taxas a 12%, mas recuaram a 9%”, diz.

A pesquisa da Abecip aborda o crédito apenas para imóveis prontos, mas a entidade prevê aumento da demanda também nos estandes de vendas, com imóveis na planta. Já os lançamentos para essa faixa evoluíram 54% nos 12 meses, até novembro de 2018, como expõe o último relatório da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O comparativo se refere a igual período em 2017. Os empreendimentos do Minha casa, minha vida subiram menos (24%), mas representam 75% das unidades construídas neste segmento.

Os dados da Abrainc, em linha com os da Abecip, endossam um ambiente mais positivo para a indústria da construção e da volta da classe média às compras da casa própria. Pelos números da associação, os lançamentos de imóveis atingiram 10.853 unidades em novembro de 2018 e totalizaram 103.342 no acumulado de 12 meses. O volume é 31,1% superior ao registrado nos 12 meses anteriores. As vendas de imóveis novos somaram 11.262 unidades no último mês para 115.876 unidades nos últimos 12 meses — alta de 7,4% frente aos 12 meses precedentes.

No balanço parcial de 2018, os lançamentos e vendas de imóveis novos totalizaram, respectivamente, 89.642 e 104.590 unidades. Em comparação ao mesmo período do ano passado, os resultados representam um aumento de 30,3% nos lançamentos e de 6,6% nas vendas de novos. Entre os destaques até novembro último, cresceram os lançamentos residenciais de médio e alto padrão (MAP) — aumento de 50,6% em volume comparativo a igual período em 2017. “Tenho a certeza de que tudo começou a mudar para muito melhor. As medidas já adotadas estão aí para confirmar meu otimismo”, disse Luiz Antônio França, presidente da Abrainc. Quanto aos últimos 12 meses, os empreendimentos de médio e alto padrão significaram 23,3% das unidades residenciais lançadas e 29,5% das unidades residenciais vendidas. Ou seja, a classe média está, indiscutivelmente, de volta aos plantões de venda.

Locação 

Se por um lado há uma clara demanda em crescimento, por outro, o mercado de locações passa por uma superoferta de opções. Com isso, nem os proprietários nem os inquilinos conseguem encontrar facilmente um denominador comum quanto ao preço mensal do imóvel. O cálculo recomenda um detalhado comparativo entre os preços de imóveis idênticos ao que se pretende alugar. O mercado estava habituado a cobrar 0,5% do valor do imóvel. Assim, um apartamento avaliado em R$ 500 mil teria um possível aluguel de uns R$ 2,5 mil. É o que se via em 2013 às vésperas da recessão de 2014. Em 2018, o aluguel representava pelo menos 0,37% do valor presumível do imóvel.

Durante a crise que castigou o ramo imobiliário, os preços nas vendas pararam de subir. Consequentemente, as ofertas nas locações disparavam como nunca. Os reajustes nos aluguéis oscilavam abaixo dos índices inflacionários. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que calcula mensalmente a taxa de rentabilidade, em janeiro de 2015 o valor de venda dos imóveis havia subido 12,7%, em 12 meses. Em 2017, último ano da crise, esse valor de venda havia caído apenas 0,74%, em 12 meses. As locações, que subiram 1,6% em janeiro de 2015, caíram 2,9% em janeiro de 2017. Comprar ou alugar o imóvel depende basicamente das conveniências dos interessados.

Depois de um prolongado tempo de crise, como é que o senhor avalia o mercado imobiliário?

É natural que a gente comemore. Nem seria diferente. Há três pilares que influenciam os dados positivos no setor imobiliário. Primeiro, a taxa de juros abaixo de dois dígitos. Segundo, o marco regulatório que se desdobrou na lei do distrato (há maiores implicações para quem não assumir o contrato e desistir da compra). Terceiro, a redução gradual no pior desemprego histórico do país. Sim, o clima de confiança invadiu nosso ambiente.

O senhor aposta na reação definitiva?

Aposta não é a palavra mais adequada. Eu diria que acredito no futuro do ramo imobiliário e do país como um todo. Tenho a certeza de que tudo começou a mudar para muito melhor. As medidas já adotadas estão aí para confirmar meu otimismo.

Agora vai ou é preciso aguardar um pouco mais para que as projeções venham a se consolidar?

Não tenho nenhuma dúvida quanto aos melhores desdobramentos possíveis. Não há como não confiar. É só ver o quadro geral que aponta os novos rumos do Brasil. Definiria o trabalho inicial do governo como excelente. A melhoria fica bem clara na gestão das empresas. A reforma tributária (encaminhada ao Congresso) é fundamental. É o que falta para selar a revirada. É algo essencial para o fortalecimento da economia nacional.


Tudo também seria viabilizado pelo controle das contas públicas?

O aperto nos gastos públicos influencia demais. É natural que assim seja. Hoje, vejo ministros e técnicos altamente capacitados em funções estratégicas do Planalto. São pessoas que ditam a nossa esperança. O trabalho é sério. Lá, as cabeças pensam corretamente. Há mais previsibilidade nos atos do governo e na cartilha utilizada. Isso nos permite enxergar lá na frente. A empresa chamada Brasil já é bem administrada. O novo cenário serve de muito estímulo à crescente competitividade.

O que o senhor diria do Minha casa, Minha vida?

O programa das faixas 1,5 e 2 apontou ótimos resultados nos instantes mais difíceis da crise imobiliária. Só como exemplo, lembro que o governo põe R$ 900 milhões anuais no sistema e o retorno em tributos é de R$ 8,9 bilhões por ano. Há vantagens nos investimentos, que refletem a enorme demanda na habitação popular do país.

O potencial visualizado corresponde às necessidades vinculadas ao meio imobiliário?

Não há como negar as potencialidades neste mercado que apresenta um déficit habitacional de 7,8 milhões de moradias (dados referentes a 2017 e divulgados em 2018). É o que indica um levantamento da Abrainc/ FGV (Fundação Getulio Vargas). Há espaços para 9 milhões de unidades em uma década. As mudanças no Banco Central vão permitir que a poupança libere R$ 80 bilhões de crédito ao setor imobiliário em alguns anos. Desde 2009, o modelo do MCMV gera, na média, 2,3 milhões de empregos diretos e indiretos. O ideal é que haja novos investimentos de uns R$ 300 milhões/ano ou três vezes acima dos níveis de hoje.

Fonte: G1

IGP-M na 2ª prévia de fevereiro sobe 0,55% ante -0,01% na 2ª prévia de janeiro

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,55% na segunda prévia de fevereiro, após ter recuado 0,01% na segunda prévia de janeiro. A informação foi divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice acumulou elevação de 0,55% no ano de 2019 e avanço de 7,24% em 12 meses.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a segunda prévia do IGP-M de fevereiro. O Índice de Preços por Atacado (IPA-M), que representa os preços no atacado, subiu 0,73%, ante um recuo de 0,26% na segunda prévia de janeiro.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que corresponde à inflação no varejo, desacelerou para alta de 0,17% na prévia de fevereiro, depois de um avanço de 0,49% em igual leitura de janeiro.

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), que mensura o custo da construção, também teve aumento menor, de 0,29% na segunda prévia de fevereiro, depois da alta de 0,38% na segunda prévia de janeiro.

O IGP-M é usado para reajuste de contratos de aluguel. O período de coleta de preços para cálculo do índice foi de 21 de janeiro a 10 de fevereiro. No dado fechado do mês de janeiro, o IGP-M teve ligeira alta de 0,01%.

Atacado

Os preços dos produtos agropecuários avançaram 1,44% no atacado na segunda prévia do IGP-M de fevereiro. Na mesma prévia de janeiro, houve redução de 0,58%, informou a FGV.

Os produtos industriais no atacado tiveram alta de 0,50% na segunda prévia de fevereiro, ante recuo de 0,15% na mesma prévIa do mês anterior.

Dentro do IPA segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os bens finais subiram 0,81% na segunda prévia deste mês, depois da elevação de 0,59% na mesma prévia de janeiro.

Os preços dos bens intermediários tiveram redução de 0,29% na prévia de fevereiro, ante queda de 1,08% e, igual leitura do mês passado. Os preços das matérias-primas brutas subiram 1,89% na segunda leitura de fevereiro, após diminuição de 0,24% na mesma prévia de janeiro.

Consumidor

As famílias gastaram menos com recreação, vestuário e transportes, o que ajudou a desacelerar a inflação ao consumidor na segunda prévia de fevereiro do IGP-M, informou a Fundação Getulio Vargas. Cinco das oito classes de despesa registraram taxas de variação mais baixas.

A principal contribuição partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação, que passou de alta de 1,45% na segunda prévia de janeiro para queda de 0,43% na segunda leitura de fevereiro. O item passagem aérea passou de 7,13% para -8,25% no período.

Os demais decréscimos ocorreram nas taxas dos grupos Alimentação (de 0,86% para 0,43%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,50% para 0,20%), Vestuário (de 0,10% para -0,59%) e Transportes (de -0,06% para -0,13%). As maiores influências partiram dos itens hortaliças e legumes (de 4,87% para -2,19%), artigos de higiene e cuidado pessoal (de 0,99% para -1,04%), roupas (de 0,21% para -0,80%) e gasolina (de -1,41% para -3,33%).

Na direção oposta, houve aumentos nos grupos Habitação (de 0,34% para 0,40%), Comunicação (de 0,07% para 0,33%) e Despesas Diversas (de 0,22% para 0,26%), sob impacto dos itens tarifa de eletricidade residencial (de -0,46% para 0,79%), pacotes de telefonia fixa e internet (de 0,37% para 1,51%) e serviço religioso e funerário (de 0,33% para 0,94%).

Construção

O aumento mais brando nos custos da mão de obra ajudou a conter a inflação da construção na segunda prévia de fevereiro do IGP-M, informou a FGV.

Dentro do INCC-M, o índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 0,56% na segunda leitura de fevereiro, ante um avanço de 0,32% registrado na mesma prévia de janeiro.

O custo dos Materiais e Equipamentos passou de alta de 0,27% na segunda prévia de janeiro para 0,45% na segunda prévia de fevereiro, enquanto os Serviços aceleraram de 0,50% para 0,98%.

Já o índice que representa o custo da Mão de Obra teve elevação de 0,06% na segunda prévia de fevereiro, depois de ter aumentado 0,43% na segunda prévia de janeiro.

Fonte: IstoÉ

IPCA para 2019 permanece em 3,87% e para 2020 segue em 4,00%, aponta Focus

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão para o IPCA – o índice oficial de inflação – em 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 18, pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA este ano seguiu com alta de 3,87%. Há um mês, estava em 4,01%. A projeção para o índice em 2020 seguiu em 4,00%. Quatro semanas atrás, estava no mesmo nível.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2021, que seguiu em 3,75%. No caso de 2022, a expectativa também permaneceu em 3,75%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,75% para ambos os casos.

A projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2019, de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

No início de fevereiro, ao manter a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano, o BC atualizou suas projeções para a inflação no cenário de mercado: 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020.

No Focus agora divulgado, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2019 foi de 3,88% para 3,86%. Para 2020, a estimativa do Top 5 permaneceu em 4,00%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,90% e 4,00%, nesta ordem.

No caso de 2021, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 3,75%, igual ao verificado há um mês. A projeção para 2022 no Top 5 seguiu em 3,50%, igual ao visto quatro semanas antes.

Últimos 5 dias

A projeção mediana para o IPCA 2019 atualizada com base nos últimos 5 dias úteis passou de 3,87% para 3,89%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Houve 63 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 4,00%.

No caso de 2020, a projeção do IPCA dos últimos 5 dias úteis permaneceu em 4,00%. Há um mês, estava no mesmo patamar. A atualização no Focus foi feita por 56 instituições.

Outros meses

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para a alta do IPCA em fevereiro, de 0,35% para 0,34%. Para março, a projeção seguiu em 0,34% e, para abril, passou de 0,37% para 0,38%. Há um mês, as projeções eram de 0,35% e 0,38%, respectivamente.

No Focus desta segunda-feira, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 4,00% para 4,02% de uma semana para outra – há um mês, estava em 4,02%.

Preços administrados

O Relatório de Mercado Focus indicou manutenção na projeção para os preços administrados em 2019 e 2020. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador deste ano seguiu com alta de 4,89%. Para 2020, a mediana permaneceu indicando 4,30%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 4,80% para os preços administrados este ano e elevação de 4,20% em 2020.

As projeções atuais do BC para os preços administrados, no cenário de mercado, indicam taxas de 5,1% este ano e 3,9% em 2020. As estimativas foram informadas no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro.

IGP-M

O Focus mostrou, ainda, que a mediana das projeções do IGP-M de 2019 passou de 3,90% para 4,01%. Há um mês, estava em 4,15%. No caso de 2020, o IGP-M projetado seguiu em 4,00%, igual ao visto quatro semanas antes.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

Fonte: Estadão Conteúdo

‘Prévia’ do PIB do Banco Central indica que economia brasileira cresceu 1,15% em 2018

A economia brasileira cresceu pelo segundo ano consecutivo em 2018, indicam números divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Banco Central.

No ano passado, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo BC, registrou uma expansão de 1,15% na comparação com 2017. O número não possui ajuste sazonal, pois considera períodos iguais (ano contra ano). No ano retrasado, a economia já havia avançado 1%.

O resultado oficial do PIB de 2018, porém, será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somente em 28 de fevereiro.

O mercado, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, estima uma expansão de 1,25% para a economia brasileira em 2018.

Cenário em 2018

O ano passado foi marcado pelo aumento da produção industrial, pelo retorno da criação de empregos com carteira assinada e pela manutenção dos juros básicos da economia, fixados pelo Banco Central, na mínima histórica de 6,5% ao ano. Apesar disso, os juros bancários continuaram em patamar elevado na comparação com outros países.

Por outro lado, o nível de atividade também foi impactado negativamente pela greve dos caminhoneiros. No ano passado, o então Ministério da Fazenda, atualmente Ministério da Economia, avaliou que o prejuízo à economia provocado pelo movimento foi de R$ 15,9 bilhões. A categoria paralisou as atividades e fechou rodovias do país durante 11 dias no final de maio.

IBC-Br e definição da taxa Selic

O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é divulgado IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.

O cálculo dos dois é um pouco diferente: o índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Atualmente, a taxa Selic está em 6,5% ao ano, na mínima histórica, e a estimativa do mercado financeiro, até o momento, é de estabilidade até o fim de 2019.

Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Para 2019 e 2020, a meta central é de 4,25% (podendo oscilar entre 2,75% e 5,75%) e de 4% (com uma banda de flutuação de 2,5% a 5,5%), respectivamente.

Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis. O BC baixa os juros quando julga que a inflação está em linha com as metas definidas.

Fonte: G1

O que pretende Bolsonaro?

Se o presidente Bolsonaro tem uma estratégia de política econômica ninguém sabe qual é. Ele vai operando com um conjunto nebuloso de princípios pouco coerentes entre si que mais cedo do que tarde tendem a entrar em choque.

Seu ministro da Economia, Paulo Guedes, foi escolhido por suas propostas liberais e pela defesa da economia competitiva, que dispensa as muletas dos subsídios.

Mas o presidente Bolsonaro também não esconde seu viés protecionista. Sem determinar limites claros, já mostrou contrariedade com o que entende como sinais de voracidade do capital estrangeiro (especialmente dos chineses) sobre ativos brasileiros, mais de uma vez sugeriu que a atividade produtiva deva ser blindada contra concorrências fortes e, nessas condições, deva ser menos exposta à concorrência externa. Ao mesmo tempo, nomeou como ministro das Relações Exteriores o embaixador Ernesto Araújo, que se notabilizou pelo seu discurso antiglobalista, notadamente contra movimentos de integração econômica e política entre países e blocos de países, o que sugere proposta de cunho nacionalista e não liberalizante.

Na última terça-feira, Bolsonaro tomou partido no primeiro conflito entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na questão da importação do leite em pó. Para o ministro Paulo Guedes não faz sentido continuar protegendo a pecuária nacional contra a entrada de produtos lácteos da União Europeia e da Nova Zelândia. Por isso, baixou decreto que extinguia a tarifa alfandegária de proteção. No entanto, a ministra Tereza Cristina entende que, sem proteção, a pecuária leiteira brasileira não subsistiria e defendeu a criação de taxa alfandegária extra sobre as importações. Com o aplauso de Bolsonaro, desta vez Tereza Cristina levou a melhor e o propalado “posto Ipiranga”, supostamente a única e última palavra em política econômica, foi obrigado a recuar.

Ela também quer impedir que Paulo Guedes corte as isenções de contribuições previdenciárias aos exportadores do agronegócio. E já insistiu em que “o desmame” do setor agrícola dos subsídios se faça mais suavemente do que no ritmo proposto pelo ministro.

O Brasil é um arquipélago de interesses e até agora manteve setores altamente protegidos, como a indústria que, no entanto, não consegue se emancipar, segue pouco competitiva e vai sendo relegada ao esvaziamento progressivo se continuar pendurada nas exauridas tetas do Estado.

É normal que, diante da falta de clareza sobre o que pretende Bolsonaro, se multipliquem conflitos desse tipo a cada novo passo em direção aos ganhos de produtividade e ao saneamento das contas públicas. Em todo caso, é precipitado concluir que trombadas graves na definição de rumos sejam iminentes e, com elas, também seja inevitável que se produzam fortes estragos na economia.

No entanto, ninguém sabe quais são de fato as convicções de Bolsonaro. Seus 28 anos na Câmara dos Deputados foram mais na direção da defesa de interesses corporativos do que de política econômica consistente. O discurso eleitoral, no entanto, foi de urgência na tramitação da reforma da Previdência e de firmeza em direção à privatização. Isso é quase tudo e é pouco.

O que não pode é o ministro da Economia tomar uma decisão pela manhã e à tarde ser obrigado a voltar atrás por imposição de algum grupo de pressão.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Desemprego no Brasil vai cair em 2019 e 2020, diz Organização Internacional

Mas o avanço na criação de postos de trabalho será lento e o país corre o risco de ter de esperar ‘anos’ até ver as taxas retornarem para níveis registrados antes da recessão

As taxas de desemprego no Brasil vão cair em 2019 e 2020. Mas o avanço na criação de postos de trabalho será lento e o país corre o risco de ter de esperar “anos” até ver as taxas retornarem para níveis registrados antes da recessão. O índice brasileiro de desemprego é ainda mais de duas vezes superior à média mundial, de cerca de 5% em 2019.

A avaliação é da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, em seu informe anual, aponta para uma taxa de desemprego no Brasil de 12,5% ao final de 2018. Para 2019, o índice pode cair para 12,2% e, em 2020, essa taxa seria de 11,7%.

De acordo com a OIT, a queda na taxa de desemprego está ligada à recuperação da economia. Em 2018, a expansão foi de apenas 0,7%. Mas a perspectiva da entidade é de que o crescimento seja de 2,4% em 2019.

Em números absolutos, o total de brasileiros desempregados passará de 13,5 milhões de pessoas em 2017 para 13,3 milhões ao final de 2018. Para 2019, o total chegará a 13,1 milhões e, em 2020, o número serra de 12,7 milhões.

Apesar da queda, o departamento de pesquisa da OIT estima que um retorno a taxas de 7% de desemprego no Brasil não ocorrerá no curto prazo. O índice havia sido registrado antes de 2014.

Para que esse número tenha uma melhora mais rápida, um forte aumento de demanda teria de ser registrado na economia nacional. A OIT tampouco acredita que, de imediato, a reforma trabalhista possa dar um impulso e seus resultados teriam de ser aguardados para os próximos anos.

As taxas brasileiras, mesmo sofrendo uma queda, continuam entre as mais elevadas do G-20, o grupo que reúne as maiores economias do mundo. No México, o desemprego deve ser de 3,4% em 2019, contra 3,9% nos EUA e 6,1% no Canadá. No Japão, o índice será de 2,4% contra 3,7% na Coreia.

De acordo com a OIT, a Austrália deve fechar o ano com uma taxa de 5,3%, contra 4,4% na Indonésia, 3,2% na Alemanha, 3,8% no Reino Unido e 4,5% na Rússia. França, Itália e Turquia contam com taxas de desemprego que variam entre 9% e 11%. Mas, mesmo assim, abaixo da média brasileira dos últimos anos.

No geral, a OIT estima que 172 milhões de pessoas estavam desempregadas ao final de 2018, o equivalente a uma taxa de 5%. Essa é a primeira vez que, desde a eclosão da crise financeira em 2008, os níveis globais retornaram para o patamar de 5%. Para 2019 e 2020, a previsão é de que a taxa fique inalterada.

Fonte: Correio Braziliense

Reforma da Previdência tem apoio de 83% dos parlamentares

A reforma da Previdência conta com o apoio de 83% dos parlamentares no Congresso Nacional, sendo 82% de aprovação na Câmara e de 89% no Senado, segundo pesquisa divulgada ontem. A maior parte deles — 58% dos deputados federais e 60% dos senadores — acredita que a proposta pode ser votada ainda no primeiro semestre.

O levantamento, realizado pelo Instituto FSB Pesquisa a pedido do BTG Pactual, ouviu 235 deputados federais e 27 senadores entre os dias 4 e 8 deste mês. As perguntas foram feitas por temas, trazendo resultados subdivididos entre a Câmara e o Senado, o tempo de função do parlamentar, o apoio às propostas por partido e por região do país representada pelos legisladores.

Os que assumiram o cargo pela primeira vez este ano, por exemplo, respondem pelo maisal to percentual de apoio à reforma, de 86%. Entre os reeleitos, a taxa caia 78%. O maior apoio à revisão do sistema de Previdência vem de representantes da Região Sul, com 95%; enquanto o menor vem dos de Nordeste e Sudeste, com 73%, cada.

Há diferenças ainda na avaliação de pontos específicos da reforma. A definição de uma idade mínima para a aposentadoria, por exemplo, tem apoio de 69% da Câmara e de 93% do Senado. É posição que tem aval de legisladores de todas as regiões do país. Segundo a pesquisa, o Congresso daria sinal verde também à aprovação de idades mínimas distintas para homens e mulheres, com suporte de 71% dos deputados federais e 85% dos senadores.

Em paralelo, há resistência dos parlamentares em aprovar uma proposta que fixe a idade mínima de aposentadoria em 65 anos para homens e mulheres. Na Câmara ,61% se disseram contra a proposta, no Senado foram 63%. Caso o texto que será enviado ao Congresso mantenha a proposta formulada pelo governo Michel Temer, com idade mínima de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres, ele teria apoio de 37% dos deputados e de 48% dos senadores.

O período de transição para as novas regras é outro tema que deverá exigir negociação. Um prazo mais curto, de dez anos, com idade mínima menor para a aposentadoria, tem o apo iode 38% dos deputados e de 48% dos senadores. Já uma transição mais longa, de 20 anos, e com idade mínima maior tem suporte de 34% na Câmara e de 22% no Senado.

Mudanças nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC) —renda de um salário mínimo mensal pago pelo INSS a deficientes e idosos acima de 65 anos que não tenham renda e não possam ser mantidos pelas famílias — têm apoio de 26% dos deputado sede 41% dos senadores. Em paralelo, 36% da Câmara e 37% do Senado são contra a revisão desse benefício.

INCLUSÃO DE MILITARES

A inclusão dos militares na reforma é defendida por 85% dos deputa dose 78% dos senadores, tendo apo iodos dez maiores partidos, com percentuais superiores a 64%. É também consenso que a revisão do sistema de previdência das Forças Armadas deve ser encaminhada pelo governo, com aval de 81% da Câmara e de 74% do Senado. Ao todo, 80% dos congressistas são a favor de que a reformados militares seja feita em conjunto comados trabalhadores civis.

Por fim, o regime de capitalização tem apoio de quase meta deda Câmara e do Senado, com 48% em cada Casa. A pesquisa destaca que os principais obstáculos à aprovação da reforma estão em divergências dentro do Congresso (17%), articulação do governo com as Casas (16%) ena complexidade da proposta (10%).

Fonte: O Globo

Bovespa passa a cair nesta segunda-feira

Na sexta-feira (8), índice da B3 avançou 0,99%, a 95.343 pontos.

O principal indicador da bolsa paulista, a B3, opera em queda, após subir nos primeiros negócios desta segunda-feira (11), sucumbindo à pressão dos papéis de bancos e de empresas atreladas a commodities, destaca a Reuters.

Os investidores também monitoram o noticiário em torno da recuperação do presidente Jair Bolsonaro, considerada fundamental para o avanço das reformas econômicas, e as negociações comerciais entre China e EUA.

Às 12h17, o Ibovespa recuava 0,27%, a 95.083 pontos.

A percepção de desaceleração econômica global, associada com os problemas da Vale, explicam o momento dos mercados no Brasil que abortaram provisoriamente a passagem pelo patamar emblemático de 100.000 pontos da bolsa, escreveu em nota ao mercado o economista-chefe da Modalmais, Álvaro Bandeira.

Destaques

Perto do mesmo horário, as ações da Vale subiam quase 0,5%, com o forte avanço das cotações do minério de ferro na China na volta do feriado do Ano Novo Lunar.

A ação preferencial da Petrobras recuava, em linha com o recuo dos preços internacionais do petróleo e tendo no radar notícia de que a controlada BR Distribuidora iniciou etapa de avaliação e seleção de potenciais interessados em parceria estratégica no segmento de lojas de conveniência BR Mania.

Os papéis do Itaú e do Bradesco também operavam em baixa e estavam entre as principais influências negativas do Ibovespa.

Na sexta-feira, o indicador subiu, em movimento apoiado no avanço dos papéis de bancos e da Vale. O Ibovespa avançou 0,99%, a 95.343 pontos.

Fonte: G1

Produção industrial sobe em 11 dos 15 locais pesquisados em 2018, revela IBGE

A produção industrial aumentou em 11 dos 15 locais pesquisados no ano de 2018, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgados nesta sexta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os destaques foram os avanços no Pará (9,6%), Rio Grande do Sul (5,5%), Amazonas (5,2%), Pernambuco (4,1%) e Santa Catarina (4,0%). Os demais locais com crescimento foram Paraná (1,8%), Rio de Janeiro (1,8%), São Paulo (0,8%), Bahia (0,8%), Ceará (0,4%) e Região Nordeste (0,2%).

Houve recuos em Goiás (-4,5%), Minas Gerais (-1,0%), Espírito Santo (-0,9%) e Mato Grosso (-0,1%).

Na média global, a indústria nacional teve alta de 1,1% em 2018 ante 2017.

Dezembro

A produção industrial aumentou em sete dos 15 locais pesquisados na passagem de novembro para dezembro de 2018, segundo o IBGE.

O Estado de São Paulo, maior parque industrial do País, registrou um avanço de 1,4%. Os demais aumentos ocorreram em Goiás (10,5%), Rio de Janeiro (4,3%), Amazonas (4,0%), Mato Grosso (1,9%), Minas Gerais (0,7%) e Paraná (0,2%).

Por outro lado, a indústria encolheu em Pernambuco (-5,1%), Região Nordeste (-4,9%), Rio Grande do Sul (-3,6%), Santa Catarina (-2,7%), Espírito Santo (-1,7%), Pará (-1,5%), Ceará (-1,4%) e Bahia (-1,2%).

Na média global, a indústria nacional teve alta de 0,2% em dezembro de 2018 ante novembro.

Fonte: IstoÉ

PF investiga Flávio Bolsonaro por crime eleitoral e lavagem

Além de ser investigado na esfera cível por suspeita de improbidade administrativa, o ex-deputado estadual e atual senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), citado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter recebido R$ 96 mil de forma fracionada entre junho e julho de 2017, é suspeito de falsificação de documento público para fins eleitorais e lavagem de dinheiro, segundo inquérito da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Ontem, a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, devolveu à primeira instância o inquérito da PF que apura possível crime praticado por Flávio ao declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) imóveis comprados por meio de “negociações relâmpago”, com valores supostamente abaixo do real. O caso, revelado pelo jornal O Globo e confirmado ao Estado, tramitava desde março de 2018 na Procuradoria Regional Eleitoral do Rio (PRE-RJ).

No inquérito há a citação de que as negociações teriam resultado em aumento do patrimônio do senador. Em nota, Flávio afirma que a denúncia é “desprovida de fundamentação”. “No âmbito estadual ela foi arquivada e, com absoluta certeza, também terá o mesmo destino no âmbito federal”, diz o texto.

O caso não tem relação com a investigação do ex-assessor de Flávio, o policial militar Fabrício Queiroz, que, segundo o Coaf, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017.

Na tarde de ontem, o Estado antecipou que o caso retornaria à primeira instância. “Os fatos investigados no inquérito policial, que está em fase bastante incipiente como relatado, precedem o início do mandato do senador da República pelo representado e não tem relação com exercício deste mandato parlamentar federal. Por isso, não há atribuição da Procuradoria-geral da República, tampouco do egrégio Supremo Tribunal Federal”, diz o despacho assinado pela procuradora-geral Raquel Dodge no início da noite.

Fonte: O Estado de S.Paulo