Desemprego: comércio foi o setor que mais fechou vagas em março

O desemprego cresceu no país no mês de março. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), houve retração de 0,11% nas contratações com carteira assinada em relação a fevereiro — mês que apresentou saldo positivo de 173.139 vagas. O que significa que foram fechados no Brasil, no terceiro mês do ano, 43.196 postos de trabalho, resultado de 1.304.373 demissões e 1.261.177 contatações. Essa é a primeira queda no emprego em três meses e o pior março desde 2017, época em que 63.624 pessoas foram dispensadas do trabalho formal.

Os setores que mais desempregaram foram comércio, com saldo negativo de 28.803 vagas;agropecuária (-9.545); construção civil (-7.781); indústria de transformação (-3.080) e serviços industriais de utilidade pública (-662). Segundo o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, o resultado negativo de março tem relação direta com o que aconteceu em fevereiro, que teve saldo positivo acima das expectativas, porque os empresários adiaram as dispensas.

A princípio, Dalcolmo explicou que o grande número de dispensas não tinha relação com a confiança dos empresários e disse que eles “estavam confiantes e a demanda estava aquecida”. Mas, em seguida, admitiu a fraqueza da economia e afirmou que a aprovação da reforma da Previdência pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados, pode favorecer a melhora das expectativas e a retomada dos investimentos e contratações. “O país está aguardando as decisões sobre a nova Previdência. Enquanto isso, os investimentos estão represados”, destacou.

Em março, os principais estados brasileiros demitiram mais do que contrataram. São Paulo fechou 8.007 vagas, e Rio de Janeiro, 6.986. Na região Sudeste, foram encerrados 10.673 postos; na Norte, 5.341;  na Sul, 1.748. No Centro-Oeste, ocorreu o fechamento de 1.796. Na modalidade de trabalho intermitente, foram gerados 6.041 empregos, um aumento de 88% em relação a março de 2018. No regime de tempo parcial, o saldo positivo foi de 2.129 postos.

Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o resultado de março surpreendeu. A expectativa do mercado era de criação de, pelo menos, 40 mil postos. “É um alerta para o governo. Mostra que é preciso acelerar o passo. Não dá para ficar brigando com o Legislativo”, destacou. Na análise do economista, o governo terá de provar que tem condições de fazer um ajuste severo nas contas, que vêm se deteriorando e afastando investidores. “Esse ano vai fechar no azul, embora abaixo do esperado. Com o resultado de março, a previsão para 2019, de abertura de 1,250 milhão de novos postos, caiu para 900 mil”, disse.

Siuara Carla dos Santos Carvalho, 29 anos, está há um ano sem emprego. “Trabalhava em uma loja como estoquista. Teve cortes, e eu fui uma das dispensadas”, contou. Desde então, manda currículos, participa de grupos nas redes sociais e faz bicos vendendo doces de chocolate. Com carteira assinada, recebia mensalmente R$ 1,5 mil. Com o bico, não ganha mais que o salário mínimo. “Sou formada em biomedicina. Estou estudando para concurso público”, destacou.

Marcos Paulo Soares, 24, há seis meses à procura de oportunidade, acaba de encontrar uma vaga na área de publicidade e propaganda. “Passei pelo processo seletivo e, agora, vou entregar os documentos. Estou muito feliz”, contou. Mas teve que se contentar com remuneração mensal inferior. Antes, em uma empresa pública do Governo do Distrito Federal (GDF), seu salário era de R$ 4 mil. No novo, receberá em torno de R$ 3 mil.

Decisão sobre ZFM é adiada 

O Supremo Tribunal Federal iniciou ontem julgamento que discute o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus (ZFM). A sessão de ontem terminou em empate, com dois votos contra e dois a favor. Com o avançar da hora, o presidente da Suprema Corte, ministro Dias Toffolli, remarcou o julgamento para a tarde de hoje. O relator do processo, ministro Marco Aurélio, argumentou que, para criar uma exceção à Zona Franca de Manaus, exigiria previsão em lei. Alexandre de Moraes, também contra, entendeu que a aprovação do crédito para a ZFM desencorajaria a ida de indústrias para a região e a tornaria produtora exclusiva de insumos.

Fonte: Correio Braziliense

Ponte de Negócios

Facilita o acesso aos processos de licitação do Sesi-SP e Senai-SP. O sistema disponibiliza uma descrição dos produtos e serviços a serem contratados. Um novo mercado para sua empresa.

Parcerias do Sibapem

Inteligência de mercado

Importante na identificação de novos mercados e oportunidades de negócios, este aplicativo permite visualizar informações sobre dados demográficos, econômicos, de consumo e a estrutura de distribuição em regiões e municípios do Brasil.

Em crise, Estados recorrem ao STF e conseguem fôlego de R$ 12 bi nos caixas

Em crise financeira, Estados conseguiram desde o ano passado decisões favoráveis do Supremo Tribunal Federal (STF) com potencial de dar um fôlego de R$ 12 bilhões aos seus caixas. Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, aponta que os ministros ficaram do lado dos governadores em 78 de 99 ações apresentadas à Corte.

Nesses processos, os Estados pediram ao STF, por exemplo, que a União não bloqueasse o repasse de recursos como contrapartida ao calote que deram em prestações de empréstimos com garantia do Tesouro. Também solicitaram a retirada do nome dos Estados de cadastro de inadimplentes, o que impede governadores de contratar novos empréstimos. Além disso, pedem que não sejam punidos pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e continuem sendo favorecidos pela renegociação da dívida com a União.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que há um temor na administração federal de que, com essas decisões, o sistema de garantia acabe entrando em colapso, porque, se a situação atual se perpetuar, a União não conseguirá mais entrar como garantidora de operações financeiras dos Estados. As decisões judiciais, na avaliação de integrantes do governo, enfraquecem a aplicação da LRF e estimulam um comportamento irresponsável dos Estados com as contas públicas.

A Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu criar um grupo de trabalho em janeiro para monitorar as ações movidas por Estados e municípios. Chamada de Coordenação-Geral de Assuntos Federativos, a equipe está vinculada à Secretaria-Geral de Contencioso da AGU.

“A judicialização da LRF na liberação de gastos e créditos em desacordo com os limites da lei ocasiona uma quebra de isonomia entre os entes federados, um aumento da dívida, impactando o orçamento estatal, sendo um risco na implementação de políticas públicas”, diz o secretário adjunto da Secretaria-Geral da Contencioso da AGU, Adriano Paiva.

Conflito

Para o presidente da Associação Nacional dos Procuradores de Estado, Telmo Lemos Filho, o STF acaba funcionando como um mediador no conflito federativo, já que, diante da crise, os agentes políticos não conseguem realizar esse papel. “E é muito por causa da crise. Ela chegou aos Estados, mas também no caixa da União. A questão é que a União tem mais mecanismos para se financiar e mais arsenal para superar isso, diferente dos Estados”, disse Lemos Filho, que defende a posição do STF.

Só Minas Gerais obteve, apenas neste ano, cinco decisões favoráveis que proibiram a União de bloquear R$ 1,3 bilhão de repasses ao Estado, em geral por conta de atrasos em pagamentos de empréstimos nos quais o governo federal é o garantidor.

Além desses casos, conflitos que envolvem problemas na renegociação de dívida de Estados com União, causados por descumprimento da LRF, também entram na mira das ações.

Fonte: Correio Braziliense

Crise do mercado de trabalho afeta a saúde dos brasileiros

 O brasileiro está ficando cada vez mais doente no ambiente de trabalho. É isso o que constatou um estudo da International Stress Management Association (Isma), entidade especializada no tema. No ano passado, um em cada três trabalhadores sentiu na pele os efeitos danosos do estresse, perdendo apenas para os trabalhadores do Japão — onde 70% dos cidadãos em idade economicamente ativa se declaram estafados com a jornada profissional.
Há 10 anos, o país não estava no top 10 do ranking. Além do desgaste físico, essa triste realidade tem aumentado o número de acidentes. Nos Estados Unidos, estima-se que até 80% dos acidentes de trabalho estão relacionados com o estresse, e o seu custo total é de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões por ano. Nesse custo, incluem-se os gastos com as faltas dos funcionários, licenças para tratamento da saúde, redução da produtividade, despesas de seguro-saúde e ações de indenização dos trabalhadores que processam as empresas por terem adoecido.
No Japão, o estresse motivado pelo excesso de trabalho é responsável por cerca de 10 mil mortes por ano. No Reino Unido, a estimativa é de que 17% de todas as faltas ao trabalho se devem a situações provocadas pelo estresse, o que resulta em custo de 2% do total do Produto Interno Bruto (PIB), pelos mesmos motivos apontados nos Estados Unidos.
De acordo com especialistas, a degradação da saúde dos trabalhadores está em ritmo acelerado, pois, além da crise que atinge as empresas, há escassez de oportunidades de recolocação. “A pressão vem por todos os lados, desde cargas excessivas a ambientes mais competitivos”, afirma o economista José Afonso, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Em tempos de crise econômica, a ameaça latente de desemprego tem gerado reflexos diretos na saúde do empregado. Nesse cenário turbulento, trabalhadores, mesmo doentes em decorrência de sobrecarga e ambientes de trabalho estressantes, tentam manter seus empregos, temendo ser substituídos caso peçam algum tipo de afastamento.”
Considerado o mal deste século, o estresse é o grande catalisador do surgimento de doenças psicológicas. Isso ocorre porque as pessoas não conseguem lidar com a grande pressão no ambiente de trabalho e, frequentemente, levam toda a carga negativa para sua vida pessoal.
Um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde analisou como anda a saúde mental no mundo. Nos últimos 10 anos, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% — hoje, isso corresponde a 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população da Terra.
Os dados vieram à tona em um relatório recente realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para piorar, os brasileiros estão levando esses índices para o alto. Por aqui, 5,8% dos habitantes têm sintomas depressivos, a maior taxa do continente latino-americano. A faixa etária mais afetada está concentrada entre 55 e 74 anos. O relatório ainda atesta que, apesar de a depressão atingir pessoas de todas as idades, o risco se torna maior na presença de pobreza, desemprego, morte de um ente querido, ruptura de relacionamento, doenças e uso de álcool e de drogas.

Desemprego

A maior causa de estresse entre os brasileiros atualmente é o receio de perder o próprio emprego. Essa é a principal conclusão da mais recente pesquisa anual da Isma-BR, instituição que se dedica a investigar o tema. Além da inversão desses dois fatores nas primeiras posições em comparação ao estudo anterior, chama a atenção também que o “desequilíbrio entre esforço e recompensa” subiu da condição de quarto para terceiro principal fator de estresse, deixando para trás os conflitos interpessoais, uma das mais tradicionais fontes de aborrecimentos no cotidiano corporativo.
“O estresse não é sempre inimigo da produtividade, enquanto ele é um estado temporário: quando um colaborador está frente a uma situação desafiadora, devendo entregar uma tarefa num prazo apertado, ou numa negociação importante, o mecanismo nervoso do estresse ajuda o colaborador a poder acessar 100% das suas capacidades cerebrais e mentais, deixando-o num estado de alerta”, afirma Armelle Champetier, diretora da Yogist Brasil, consultoria especializada em bem-estar corporativo.
Mas há o oposto disso. “Porém, se o nível de estresse permanecer alto, ele acaba cansando muito o organismo, além de piorar a qualidade do sono. Um colaborador cansado tem a sua capacidade de concentração diminuída, a sua habilidade de resolver problemas complexos e de tomar as decisões certas, afetada.”
No Brasil, a depressão tem sido uma das causas de maior afastamento dos trabalhadores no ambiente de trabalho. Estima-se que 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) é perdido com despesas relacionadas aos males do estresse no ambiente corporativo. Para se ter uma ideia da gravidade, a doença figura em segundo lugar como a que mais tira profissionais de seus cargos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Até 2020, a expectativa é de que a doença passe a figurar no topo da lista. O Ministério do Trabalho estima que cerca de 10 milhões de trabalhadores sofram com o problema no Brasil.
Os especialistas classificam como “presenteísmo” as pessoas que seguem trabalhando mesmo doentes, com medo do desemprego. O presenteísmo é um problema organizacional, pois o colaborador está presente fisicamente no trabalho, mas não está produzindo como deveria — o que obviamente afeta os negócios da empresa.
A medicina do trabalho recomenda que consultas periódicas sejam realizadas num prazo de até um ano, mas os prazos podem ser reduzidos nos casos em que estresse e depressão sejam identificados precocemente. A medicina do trabalho deve agir de forma preventiva, mas nem sempre o paciente permite que os sinais de que algo não está bem venham à tona.

Síndrome de Burnout

Outra preocupação da medicina do trabalho, com a fragilidade dos profissionais em meio à crise econômica e desemprego, é o desenvolvimento da síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional. É o termo utilizado para designar o estágio mais avançado de estresse no ambiente de trabalho.
Estar em burnout significa estar preso em uma situação sem saída, quando já se perdeu a noção da dimensão dos fatos. Quando você está a ponto de ter um ataque histérico, ou já teve realmente, você pode estar sofrendo desse mal. Os sintomas sãos, na maioria das vezes, estafa, fadiga e, nos casos mais graves, problemas cardiovasculares, como arritmias e infartos, ou até surtos psicóticos.
O tema tem sido recorrente em congressos de medicina e debates sobre medicina do trabalho, e já é uma grande preocupação para os especialistas da área. Em primeiro lugar, eles recomendam que o funcionário tire férias imediatamente e, em segundo, que faça uma terapia com um profissional da saúde mental. Se o problema não for atacado de imediato, a pessoa pode acabar sofrendo de depressão profunda.
“Com o aumento da competitividade e o panorama de recessão econômica, as empresas, na tentativa de continuar a crescer e ser lucrativas, acabam colocando pressão nos colaboradores, o que faz com que o estresse emocional seja uma constante nos locais de trabalho”, diz Beatriz Moura, psicóloga e especialista em saúde mental pela UFRJ. “A elevação da carga horária e o acúmulo de funções também são atitudes amplamente praticadas por empresas de todo o mundo e que contribuem para o aumento dos problemas corporativos.”

“Se o nível de estresse permanecer alto, ele acaba cansando muito o organismo, além de piorar a qualidade do sono”

Armelle Champetier, diretora da Yogist Brasil

“A saúde mental influencia na produtividade”

Confira entrevista com Beatriz Moura, psicóloga e especialista em saúde mental pela UFRJ:

Quais fatores contribuem para um trabalhador desenvolver transtornos comportamentais e de saúde mental?

Vários fatores contribuem, como comentários depreciativos, críticas não construtivas, comparações, excesso de pressão e atitudes autoritárias.

Nos últimos anos, em tempos de desemprego em alta no país, o estresse tem aumentado no trabalho?

Sem dúvida, pois o medo excessivo de não dar conta das tarefas no trabalho, para não perder o emprego, contribui para o aumento do estresse e o surgimento dos transtornos de saúde mental.

O estresse no trabalho está relacionado ao excesso de informações provenientes das redes sociais?

Pode ser um dos fatores, pois passar muito tempo navegando no meio digital pode ser nocivo à saúde, já que os brasileiros estão entre os maiores aficionados de redes sociais do mundo.

Qual o resultado na produtividade do colaborador sob estresse?

Os principais efeitos no colaborador sob estresse são queda da produtividade, aumento do absenteísmo, alta do número de acidentes de trabalho, agressividade e isolamento social.

Qual o impacto desses distúrbios para as empresas?

Principalmente, a queda de produtividade do trabalhador.

Como os gestores podem identificar problemas de transtornos comportamentais e de saúde mental em seus trabalhadores?

É fundamental desenvolver campanhas internas sobre o tema. Além disso, é ideal que se tenha o acompanhamento dos indicadores de saúde mental, para que se possa mapear e tratar adequadamente os casos, por meio de técnicas diferenciadas, que podem incluir entrevistas e outros modos de avaliação.

Quais as alternativas que as empresas estão buscando para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores no ambiente de trabalho?

A prevenção e o autoconhecimento são os melhores caminhos para uma boa saúde física e emocional e há muitas empresas que se dedicam a isso.

Qual o impacto do estresse na sociedade e na violência urbana?

O estresse, com ênfase no transtorno de estresse pós-traumático, é considerado uma das principais sequelas da violência urbana. Os danos mais profundos são emocionais e podem gerar transtornos como a ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

O problema se torna ainda maior no caso das mulheres?

No caso das mulheres, além da pressão no ambiente de trabalho, elas sentem a pressão pelo trabalho doméstico. Já os homens têm uma resistência maior em procurar atendimento médico e de expressar os sintomas. Por isso, há um menor número de diagnósticos.

Quais alternativas o profissional pode usar para cuidar da sua saúde física e mental?

As principais recomendações são dormir bem, praticar atividades físicas, comer alimentos saudáveis e fazer atividades que tragam satisfação, como se reunir com amigos e passeios com a família.

Economia em ritmo lento deve levar governo a prever rombo maior em 2020

Com a piora do cenário de crescimento econômico e da arrecadação do País, o governo deve rever, para pior, a meta fiscal para o ano que vem. Até agora, a equipe econômica vinha trabalhando com a possibilidade de um déficit de até R$ 110 bilhões em 2020. Estimativas preliminares apontam, porém, para um rombo de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões maior. Para este ano, a projeção é de um rombo de até R$ 139 bilhões.

Na visão do governo, a mudança na previsão para o ano que vem, que deve ser anunciada na segunda-feira, será um alerta adicional para a necessidade de aprovação da reforma da Previdência. Na área econômica, fontes avaliam que, sem a reforma (cujo impacto nas contas não pode ser contabilizado nas projeções oficiais), o quadro de déficits pode se estender até o último ano de mandato do presidente Jair Bolsonaro, em 2022.

O cenário mostra a dificuldade de cumprir o objetivo do ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciado durante a campanha, de zerar o déficit ainda no primeiro ano da gestão. Em entrevista concedida ao Estado em março, Guedes ainda afirmou que iria “fazer o impossível” para atingir essa meta de zerar o déficit.

Por outro lado, as metas que serão divulgadas na próxima segunda-feira devem manter a diretriz de redução do rombo ano a ano. Até então, o indicativo para 2021 era de um déficit de R$ 70 bilhões, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano. As projeções para 2022 serão inéditas, mas a avaliação preliminar é de que será possível reduzir o rombo para cerca de metade do valor do ano anterior.

As novas metas estipuladas pelo governo não incluem a previsão de ingresso de bilhões em recursos com o megaleilão de petróleo do pré-sal. O leilão está marcado para 28 de outubro, mas técnicos creem que a melhor estratégia seria deixar esse dinheiro para os próximos anos e não mexer na meta fiscal agora. A previsão do governo é que o dinheiro entre nos cofres da União em dezembro, mas esse cronograma é considerado apertado e não leva em conta riscos associados ao processo de venda de ativos.

Salário mínimo

Para tentar conter o ritmo de crescimento das despesas, o governo deve enviar sua proposta de LDO sem reajuste real do salário mínimo, apenas com a recomposição pela inflação. A decisão marca o fim da política de valorização real do salário mínimo, iniciada no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No relatório bimestral de março, a equipe econômica previu que o índice que reajusta o piso nacional deve ficar em 4,2% este ano, o que resultaria num valor próximo a R$ 1.040. Pela regra antiga, o valor poderia ficar em R$ 1.051.

Fonte: IstoÉ

Inflação bate em 4,58% e fica acima da meta dos 12 meses

A inflação voltou a provocar estado de alerta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou fortemente em março, elevando a taxa de 3,89% para 4,58% no acumulado de 12 meses — superior ao centro da meta, de 4,25%, estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os grupos de alimentos e transportes foram os grandes vilões do último mês.

Os dois juntos somaram cerca de 80% do índice, que registrou alta de 0,75% em março. Enquanto a inflação de alimentos avançou 1,37%, os preços relacionados aos transportes avançaram 1,44% no mês. Contribuíram para a alta do IPCA o encarecimento do tomate, das frutas, do feijão-carioca, da batata-inglesa e da cebola. A gasolina foi o vilão do consumidor, aumentando 2,88% no período.

De acordo com analistas, a inflação mais forte ocorreu influenciada basicamente por esses dois grupos. A chuva mais forte prejudicou o plantio de produtos in natura, e o dólar mais caro elevou o preço da gasolina. O economista Rafael Cardoso, da Daycoval Asset Management, no entanto, afirmou que o choque de preços dos últimos meses tende a ser passageiro, principalmente o dos alimentos. “Esperamos que parte da devolução ocorra já em maio e nos meses subsequentes. Após a leitura de julho, por exemplo, o IPCA acumulado deverá estar mais próximo de 3% do que de 4%”, afirmou.

A servidora pública Shirley Silva Diogo, 36 anos, sente no bolso a alta, principalmente de alimentos. “As frutas aumentaram muito, principalmente o maracujá”, reclamou. Por semana, ela gasta em média R$ 130 com alimentos in natura. Mas, sempre que percebe uma alta, adia a compra até o preço cair. “Frutas, só compro em um supermercado e, quando percebo que estão caras, espero o dia da promoção”, comentou.

A advogada Patrícia Martins, 43, critica o custo dos combustíveis. “A gasolina está muito cara. As vezes vejo se vale mais a pena andar de carro ou de aplicativo”, apontou. Patrícia utiliza bastante o carro para viagens a trabalho em outro estado, então, o orçamento para combustível varia de acordo com a época. De qualquer forma, a advogada sempre separa pelo menos R$ 400 mensais para abastecer. “Ainda não tive que cortar gastos para conseguir abastecer, mas provavelmente um dia terei de fazer”, afirmou.

Juros

Por conta da inflação mais alta, as chances de o Banco Central (BC) reduzir a taxa Selic em 2019 diminuiu. O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, ressaltou que a inflação deve continuar vindo acima do centro da meta nos próximos meses e que, apesar de não ser um quadro preocupante, acende o radar da autoridade monetária, já que possíveis pressões devem aumentar o índice no futuro.

“Os indicadores do núcleo de inflação mostram que o IPCA está rodando tranquilo, mas não dá segurança para cortar a taxa Selic. Exige uma certa cautela do BC. A Selic deve terminar o ano em 6,5% ao ano”, disse. “Uma possível redução pode não acontecer porque, com a reforma da Previdência, a atividade econômica vai retomar de forma mais forte, pressionando os preços”, completou.

Breno Martins, economista da Mongeral Aegon Investimentos, afirmou que a inflação de abril deve vir acima de 0,48%, mantendo o acumulado de 12 meses acima do centro da meta. “Apesar disso, acredito que o efeito vai dissipar no terceiro trimestre. Olhando o cenário de inflação, os núcleos mostram que está rondando os 3,5% no acumulado de 12 meses. Então, o IPCA deve terminar 2019 em 4%, e os juros em 6,5% ao ano”, avalia.

Mercado reage bem à fala do ministro

O mercado foi simpático às notícias do dia. O discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento nos Estados Unidos, onde participará da reunião do Fundo Monetário Internacional, e a notícia de acordo com a Petrobras, no caso da cessão onerosa, fizeram com que o dólar acelerasse a queda, ontem,  encerrando o dia com recuo de 0,8%, cotado a R$ 3,823. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) reduziu as perdas, com o Ibovespa, principal índice da B3, fechando em queda de 0,35% aos 95.953 pontos. Para Carlos Henrique de Oliveira, assessor de investimentos da Miura Investimentos, o mercado ainda não está otimista, mas perdeu o pessimismo das últimas semanas.

Fonte: Correio Braziliense

Ministro da Economia promete reduzir pela metade o preço do gás

A participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na XXII Marcha a Brasília e Defesa dos Municípios agradou aos prefeitos e à sociedade. No encontro, ele afirmou que o preço do botijão de gás vai cair pela metade em dois anos. Anunciou que, ainda este ano, será criado o Imposto Único Federal, que reunirá contribuições atuais que são destinadas aos cofres da União. Segundo ele, o objetivo é levar esses recursos “para baixo”, a todos os entes da federação. O ministro foi aplaudido de pé pelos Executivos municipais.

No caso do botijão, o barateamento ocorrerá dentro do plano do governo de “choque de energia barata”. O discurso ocorreu quando Guedes citava que era preciso derrubar o monopólio em todos os setores da economia, inclusive de refino de petróleo. Ele criticou o fato de a Petrobras ser a única que controla o produto no Brasil e, mesmo assim, “quebrou” nos últimos anos. “Daqui a dois anos, o botijão de gás vai chegar pela metade do preço à casa do trabalhador brasileiro”, prometeu.

Guedes lembrou que o BTU — unidade de gás — custa US$ 12 dólares no Brasil, valor superior ao de outros países. “Nos Estados Unidos, custa US$ 3”, comentou. “Por que no Brasil é mais caro? Porque tem monopólio. Vamos quebrar esses monopólios e vamos baixar o preço do gás e petróleo com a competição, fora a redução da roubalheira”, destacou.

O lema “Mais Brasil, menos Brasília” foi citado diversas vezes em seu discurso aos prefeitos. Ele destacou que a agenda começará ainda neste ano, com uma redução, simplificação e eliminação de impostos. “O Brasil tem mais de 50 impostos diferentes. Nós vamos reduzir isso”, afirmou. “A reforma tributária vai pegar, este ano ainda, três, quatro, cinco impostos e fundir num só. Vai se chamar Imposto Único Federal. E a boa notícia é que todas aquelas contribuições que não eram compartilhadas (com estados e municípios), e foram criadas para salvar a União, na hora que iniciarmos esse imposto, serão divididas”, disse.

Crítico ao modelo brasileiro de repartição de recursos, ele citou que a União e o presidente têm um poder político e financeiro “imenso”. Por isso, faz parte da proposta de agenda governista atual o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reestruturar a distribuição de recursos públicos, focando mais em estados e municípios.

Chamado de Pacto Federativo, o projeto “leva o dinheiro público” para a base, segundo o ministro da Economia. “O Brasil hoje está com 65% dos recursos aqui em Brasília. Aqui não falta nada. Agora, lá em baixo falta tudo. Setenta por cento do dinheiro tem que ir para baixo. E 30% aqui em cima (União), se muito”, defendeu.

O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, também anunciou o lançamento da nota fiscal de serviço eletrônico. Segundo ele, a medida vai permitir que os prefeitos tenham condições de explorar a base de serviços. “Essa nota que estamos lançando vai permitir que todos os municípios, de qualquer tamanho, sem investimentos pesados e caros em Tecnologia da Informação, sejam capazes de arrecadar tributos com base na exploração dos serviços”, disse. “O filé tributário hoje é serviços. Os serviços é a base tributária que mais se expande no mundo todo. Eu não tenho dúvida que entre 10 e 15 anos vai representar a maior parte da base tributária explorada por todos os governo do mundo inteiro”, completou. Ele não deu mais detalhes.

Nação generosa

Durante o discurso, Guedes também enfatizou que o país está “condenando o jovem ao caminho errado”, como drogas e outros problemas sociais, quando não há oportunidade de emprego. “Desde quando faz mal trabalhar?”, questionou, ao defender a proposta da carteira de trabalho verde e amarela. A medida tem a intenção de menos direitos trabalhistas para ampliar a contratação dos jovens. Segundo Guedes, o sistema permitirá a criação de 10 milhões de empregos nos próximos anos.

“Quando lançarmos o novo sistema com encargos baixos, a antiga Previdência vai começar a desonerar a folha e também vai gerar mais empregos”, defendeu. “Sempre seremos uma nação generosa, sempre ajudaremos quem ficou para atrás. Mas não ajudaremos os vagabundos, não podemos premiar corrupção e vagabundagem”, completou.

Guedes voltou a defender a reforma da Previdência e pediu o apoio dos prefeitos. Segundo ele, o país está preso num sistema condenado e injusto. “Oitenta e três por cento da população brasileira recebe menos de dois salários mínimos como aposentadoria. Para esse público, estamos baixando a contribuição de 8% para 7%”, afirmou. “Nós calculamos com que idade se aposentam os mais pobres. Mulheres: 61,5 anos. Homens: 65 anos. Em quem essa reforma vai pesar? Sobre aqueles 17%, que são os beneficiados que entraram num concurso público, ou então numa empresa privada do pai e do tio, que começou a contribuir com 18 anos e vão se aposentar com 48 anos, 49”, defendeu.

Fonte: Correio Braziliense

Governo prepara pacote de medidas para estimular emprego e renda

A equipe econômica prepara um pacote de medidas para ajudar a promover o equilíbrio fiscal entre estados e municípios em dificuldades financeiras. A primeira delas deve ser anunciada ainda em abril, sobre a abertura de linhas de crédito com aval do Tesouro Nacional para dar fôlego aos gestores públicos que se comprometerem a buscar o equilíbrio das contas. É o que informou o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, nesta segunda-feira (8/4).

Outra medida deve ser anunciada depois. Seria um novo desenho de distribuição de recursos utilizando valores de rendas do petróleo da União a estados e municípios. É o que sinalizou hoje a equipe econômica, que sinalizou o partilhamento de mais de R$ 100 bilhões em receitas provenientes da exploração do pré-sal por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a desvinculação do Orçamento da União.
A lógica, explica Barros, é inverter a lógica de centralização de recursos passando a distribuir a maior parte do dinheiro para estados e municípios. “É a promessa de campanha de ter menos Brasília e mais Brasil”, disse. Outras medidas compõem o pacote para aumentar a produtividade, o emprego e tentar destravar a atividade econômica em função das projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
O Ministério da Economia prepara ações em quatro grandes planos que serão anunciados ao longo de abril. Entre eles, o Simplifica, o Emprega Mais, o Brasil 4.0 e o Pró-Mercados, que serão detalhados posteriormente, informou Barros. O Simplifica é um conjunto de 50 medidas para desburocratizar o setor produtivo.
No Emprega Mais, o governo vai adotar uma nova estratégia nacional de qualificação da mão de obra. A ideia é oferecer um modelo de qualificação por meio de financiamento misto com recursos do governo e do Sistema S. No pró-mercados, o objetivo é retirar barreiras ao pleno funcionamento do mercado, com mudanças regulatórias. O plano Brasil 4.0 prevê  medidas para estimular a digitalização e a modernização dos processos de gestão das companhias.
Fonte: Correio Braziliense

IPCA para 2019 passa de 3,89% para 3,90%, aponta Focus

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para o IPCA – o índice oficial de inflação – em 2019. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 8, pelo Banco Central (BC), mostra que a mediana para o IPCA este ano foi de alta de 3,89% para elevação de 3,90%. Há um mês, estava em 3,87%. A projeção para o índice em 2020 seguiu em 4,00%. Quatro semanas atrás, estava no mesmo nível.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2021, que seguiu em 3,75%. No caso de 2022, a expectativa também permaneceu em 3,75%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,75% para ambos os casos.

A projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2019, de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

As projeções mais recentes do BC, considerando o cenário de mercado, apontam para inflação de 3,9% em 2019, 3,8% em 2020 e 3,9% em 2021. Elas constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março.

No Focus agora divulgado, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2019 seguiu em 4,01%. Para 2020, a estimativa do Top 5 permaneceu em 4,00%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,85% e 4,00%, nesta ordem.

No caso de 2021, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 3,75%, igual ao verificado há um mês. A projeção para 2022 no Top 5 seguiu em 3,63%, ante 3,50% de quatro semanas antes.

Últimos 5 dias úteis

A projeção mediana para o IPCA 2019 atualizada com base nos últimos 5 dias úteis passou de 3,90% para 3,93% no Relatório de Mercado Focus desta segunda. Houve 117 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 3,86%.

No caso de 2020, a projeção do IPCA dos últimos 5 dias úteis permaneceu em 4,00%. Há um mês, estava no mesmo patamar. A atualização no Focus foi feita por 34 instituições.

Outros meses

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para a alta do IPCA em março de 2018, de 0,53% para 0,55%. Um mês antes, o porcentual projetado estava em 0,38%.

Para abril, a projeção no Focus seguiu em 0,40% e, para maio, foi de 0,34% para 0,33%. Há um mês, os porcentuais eram de 0,38% e 0,34%, respectivamente.

No Focus divulgado nesta manhã, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,89% para 3,83% de uma semana para outra – há um mês, estava em 4,05%.

Preços administrados

O Focus indicou alteração na projeção para os preços administrados em 2019. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador este ano passou de alta de 5,00% para elevação de 5,05%. Para 2020, a mediana foi alterada de alta de 4,30% para avanço de 4,35%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 4,92% para os preços administrados em 2019 e elevação de 4,30% em 2020.

As projeções atuais do BC para os preços administrados, no cenário de mercado, indicam elevações de 5,1% em 2019 e 4,7% em 2020. Estes porcentuais foram atualizados no RTI de março.

IGP-M

O relatório do BC também mostrou que a mediana das projeções do IGP-M de 2019 passou de alta de 5,24% para elevação de 5,29%. Há um mês, estava em 4,50%. No caso de 2020, o IGP-M projetado seguiu indicando alta de 4,00%, igual ao visto quatro semanas antes.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

Fonte: IstoÉ