Bovespa opera em alta com exterior, em semana com balanços e eleição no radar

Na sexta-feira (19), o Ibovespa subiu 0,44%, a 84.219 pontos.

O principal índice da bolsa brasileira, a B3, opera em alta nesta segunda-feira (22), em linha com praças acionárias no exterior, tendo no radar o começo da temporada de resultados no Brasil nesta semana e desfecho da corrida presidencial no domingo.

Às 10h17, o Ibovespa subia 1,48%, a 85.465 pontos.

Internamente, agentes financeiros se preparavam para a temporada de balanços do terceiro trimestre de companhias, com Fibria e Localiza, Vale, Via Varejo e WEG abrindo o calendário das empresas listadas no Ibovespa no dia 24.

Na sexta-feira (19), o Ibovespa subiu 0,44%, a 84.219 pontos. Em outubro, o Ibovespa ainda acumula alta de 6,15%. No ano, o ganho é de 10,23%.

 

Fonte: G1

IGP-M na 2ª prévia de outubro fica em 0,97% ante 1,34% na 2ª de setembro, diz FGV

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,97% na segunda prévia de outubro, após ter aumentado 1,34% na segunda prévia de setembro. A informação foi divulgada na manhã desta sexta-feira, 19, pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice acumula alta de 9,34% no ano e avanço de 10,88% em 12 meses.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a segunda prévia do IGP-M de outubro. O IPA-M, que representa os preços no atacado, aumentou 1,24%, ante um avanço de 1,95% na segunda prévia de setembro.

O IPC-M, que corresponde à inflação no varejo, apresentou alta de 0,48% na prévia de outubro, depois de uma elevação de 0,16% em igual leitura de setembro. Já o INCC-M, que mensura o custo da construção, teve aumento de 0,36% na segunda prévia de outubro, depois da alta de 0,19% na segunda prévia de setembro.

O IGP-M é usado para reajuste de contratos de aluguel. O período de coleta de preços para cálculo do índice foi de 21 de setembro a 10 de outubro. No dado fechado do mês de setembro, o IGP-M subiu 1,52%.

IPAs

Os preços dos produtos agropecuários medidos pelo IPA Agrícola subiram 0,48% no atacado na segunda prévia do IGP-M de outubro. Na mesma prévia de setembro, houve elevação de 1,83%, informou a FGV.

Os produtos industriais no atacado, mensurados pelo IPA industrial, tiveram alta de 1,49% na segunda prévia de outubro, ante aumento de 1,98% na mesma prévia do mês anterior.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os bens finais subiram 1,04% na segunda prévia de outubro, depois da alta de 0,63% registrada na mesma prévia de setembro.

Os preços dos bens intermediários tiveram aumento de 2,07% na prévia de outubro, ante elevação de 1,98% na segunda prévia de setembro. Os preços das matérias-primas brutas aumentaram 0,44% na segunda leitura de outubro, após uma alta de 3,47% na mesma prévia de setembro.

Fonte: IstoÉ

Pagamento do 13º salário injeta R$ 211,2 bilhões na economia

O valor representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país

O pagamento do 13º salário vai injetar R$ 211,2 bilhões na economia brasileira até dezembro. O valor representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, beneficiando cerca de 84,5 milhões de trabalhadores do mercado formal, inclusive aposentados, pensionistas e empregados domésticos.
As estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam um rendimento adicional de R$ 2.320,00, com fonte na relação anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
Os trabalhadores do mercado formal representam 48,7 milhões, ou 57,6% do total beneficiados pelo pagamento do 13º salário. Os empregados domésticos são 1,8 milhão, ou 2,2 do total. Os aposentados e pensionistas representam 34,8 milhões, ou 41,2% do total. Dos R$ 211,2 bilhões pagos, os empregados do mercado formal ficarão com 66%, ou R$ 139,4 bilhões. Os aposentados e pensionistas receberão R$ 71,8 bilhões, ou 34%.
Regiões
Os estados da região Sudeste ficarão com 49,1% do pagamento do 13º salário, seguido pelos estados do sul com 16,6%, Nordeste com 16%, Centro-oeste com 8,9% e Norte com 4,7%. O beneficiário com o maior valor médio (R$ 4.278,00) será pago no Distrito Federal e o menor no Maranhão (R$ 1.560,00) e Piauí (R$ 1.585,00).
A maior parcela que será paga aos assalariados do setor de serviços (incluindo administração pública), que receberão R$ 137,1 bilhões, ou 64,1% do total destinado ao mercado formal. Os empregados da indústria receberão 17,4%, os comerciários 13,3%, enquanto que os da construção civil ficarão com 3,1% e da agropecuária com 2,1%. O valor médio do 13º salário do setor formal ficará em R$ 2.927,21, sendo que a maior média será paga aos trabalhadores do setor de serviços com valor de R$ 3.338,81 e o menor para os trabalhadores do setor primário da economia, com R$ 1.794,86.
A economia paulista receberá cerca de R$ 60,7 bilhões, ou 28,8% do total do Brasil. Os beneficiados são estimados em 21,6 milhões, equivalente a 25,6% do total.
 Fonte: Correio Braziliense

Volume de serviços prestados sobe 1,2% em agosto ante julho, revela IBGE

O volume de serviços prestados teve um avanço de 1,2% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados na manhã desta terça-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês anterior, o dado foi revisado de uma queda de 2,2% para uma redução de 2,0%.

O resultado ficou dentro das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam desde uma queda de 0,3% a um avanço de 1,9%, com mediana positiva de 0,5%.

Na comparação com agosto do ano anterior, houve alta de 1,6% em agosto deste ano, já descontado o efeito da inflação. Nessa comparação, as previsões iam de queda de 1,2% a alta de 1,6%, com mediana positiva de 0,05%.

A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 0,5%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda de 0,6%.

Desde outubro de 2015, o IBGE divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes disso, o órgão anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado. Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal subiu 1,1% em agosto ante julho. Na comparação com agosto do ano passado, houve aumento na receita nominal de 4,8%.

Fonte: IstoÉ

IPCA para 2018 passa de 4,40% para 4,43%, prevê Focus

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – de 2018. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 15, pelo Banco Central mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 4,40% para elevação de 4,43%. Há um mês, estava em 4,09%. A projeção para o índice em 2019 subiu de 4,20% para 4,21%. Quatro semanas atrás, estava em 4,11%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2020, que seguiu em 4,00%. No caso de 2021, a expectativa passou de 3,95% para 3,92%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 4,00% e 3,92%, nesta ordem.

A projeção dos economistas para a inflação em 2018 está dentro da meta deste ano, cujo centro é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 3,0% a 6,0%). Para 2019, a meta é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto (de 2,75% a 5,75%). No caso de 2020, a meta é de 4,00%, com margem de 1,5 ponto (de 2,5% a 5,5%). Já a meta de 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

Há três semanas, o BC atualizou suas projeções para os índices de preços, com a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). No cenário de mercado, que utiliza o câmbio e os juros projetados no Focus como referência, a expectativa para o IPCA em 2018 é de 4,1%. Para 2019, a projeção é de 4,0% e, para 2020, de 3,6%. No caso de 2021, a projeção do BC é de 3,8%.

No Focus agora divulgado, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2018 foi de 4,46% para 4,50%. Para 2019, a estimativa do Top 5 passou de 4,22% para 4,23%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 4,17% e 4,10%, respectivamente.

No caso de 2020, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 4,00%, igual ao verificado há um mês. A projeção para 2021 no Top 5 continuou em 3,88%, ante 3,75% de um mês atrás.

Próximos meses

No Focus, os economistas alteraram a previsão para a inflação em outubro de 2018, de 0,39% para 0,41%. Um mês antes, o porcentual projetado estava em 0,31%.

Para novembro, a projeção se manteve em 0,30% e, para dezembro, permaneceu em 0,35%. Há um mês, os porcentuais também eram de 0,30% e 0,35%, nessa ordem.

Últimos 5 dias úteis

A projeção mediana para o IPCA 2018 atualizada com base nos últimos 5 dias úteis passou de 4,41% para 4,45%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Houve 45 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 4,19%.

No caso de 2019, a projeção do IPCA dos últimos 5 dias úteis continuou em 4,19%. Há um mês, já estava em 4,19%.

As projeções do IPCA que consideram apenas os últimos 5 dias úteis são uma das novidades do novo formato do Focus. As estimativas gerais do IPCA, que seguem fazendo parte do Focus, levam em conta os últimos 30 dias. Conforme o BC, a intenção de divulgar projeções com base nos últimos dias úteis é mostrar um retrato mais tempestivo do indicador de inflação.

Preços administrados

O Relatório Focus indicou nesta segunda-feira alteração na projeção para os preços administrados em 2018. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador este ano passou de alta de 7,73% para elevação de 7,84%. Para 2019, a mediana seguiu com elevação de 4,80%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 7,30% para os preços administrados neste ano e elevação de 4,80% no próximo ano.

As projeções atuais do BC para os preços administrados, no cenário de mercado, indicam elevações de 7,7% em 2018 e 5,4% em 2019. Estes porcentuais foram informados no Relatório Trimestral de Inflação divulgado há três semanas.

IGP-M

O Focus também mostrou que a mediana das projeções para a alta do IGP-M em 2018 passou de 9,60% para 9,92%. Há um mês, estava em 8,71%. No caso de 2019, a alta do IGP-M projetada foi de 4,49% para 4,50%, ante os mesmos 4,50% de quatro semanas antes.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

 

Fonte: IstoÉ

IGP-M na 1ª prévia de outubro avança 1,06%, ante 0,79% na 1ª de setembro, diz FGV

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 1,06% na primeira prévia de outubro, após ter aumentado 0,79% na primeira prévia de setembro. A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira, 10, pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice acumulou alta de 9,44% no ano e avanço de 10,99% em 12 meses.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de outubro. O IPA-M, que representa os preços no atacado, aumentou 1,40%, ante um avanço de 1,20% na primeira prévia de setembro. O IPC-M, que corresponde à inflação no varejo, apresentou alta de 0,44% na prévia de outubro, depois de uma redução de 0,04% em igual leitura de setembro. Já o INCC-M, que mensura o custo da construção, teve aumento de 0,31% na primeira prévia de outubro, depois da alta de 0,10% na primeira prévia de setembro.

O IGP-M é usado para reajuste de contratos de aluguel. O período de coleta de preços para cálculo do índice foi feito pela FGV de 21 a 31 de setembro. No dado fechado do mês de setembro, o IGP-M subiu 1,52%.

Fonte: IstoÉ

FMI corta projeção de crescimento do Brasil de 1,8% para 1,4% este ano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas projeções para o crescimento da economia global, citando a guerra comercial e, nos mercados emergentes, condições financeiras mais restritas e saída de capital. Para o Brasil, as estimativas deste ano caíram de 1,8% para 1,4%, por causa da greve dos caminhoneiros que paralisou o país.

Pelas estimativas revisadas do Panorama Econômico Mundial, a economia global deve crescer 3,7% este ano e em 2019. A projeção anterior era de 3,9%. Essa redução reflete, além da disputa comercial entre Estados Unidos e China, as altas de juros nas economias desenvolvidas, que pressionam emergentes, especialmente Brasil, Argentina, Turquia e África do Sul.

INFLAÇÃO DE 10.000.000%

Para América Latina, a previsão de crescimento este ano caiu de 1,6% para 1,2%. No ano que vem, recuou de 2,4% para 2,2%. O FMI destacou a severa recessão na Venezuela, cuja economia deve encolher 18% este ano, com inflação de 1.350.000%, com retração de mais 5,5% em 2019 e a alta de preços atingindo 10.000.000%.

Já a Argentina verá seu PIB recuar 2,6% este ano e 1,6% em 2019.

Os EUA crescerão menos devido à guerra comercial, afirmou em nota o economista-chefe do Fundo, Maurice Obstfeld. A economia americana deve crescer 2,5% em 2019 — a projeção anterior era de 2,7%. A estimativa para a China recuou de 6,7% para 6,4%. Para este ano, as previsões foram mantidas em 2,9% (EUA) e 6,6% (China).

“A suscetibilidade a choques globais aumentou”, disse Obstfeld. “Qualquer reversão brusca nos países emergentes representaria uma ameaça significativa para as economias avançadas.”

Fonte: O Globo

 

SIBAPEM discute pirataria com Departamento da FIESP

O presidente do SIBAPEM, Carlos Alberto Amarante, fez uma visita ao Departamento de Defesa e Segurança da Fiesp, no último dia 25 de setembro. Ele se reuniu com o gerente Luciano Villela Coelho que está à frente do Grupo Antipirataria da Federação. O objetivo do Sindicato é receber o apoio da Fiesp nas ações antipirataria e também oferecer dados sobre a situação no segmento.

Amarante explicou ao gerente que no segmento de balanças computadoras, o Sindicato identificou um aumento na participação de produtos piratas a partir de 2013. A situação vem sendo denunciada repetidamente, mas por diversos motivos a entidade ainda não conseguiu êxito na redução do problema.

O presidente entregou ao Departamento dois materiais impressos: o mesmo deixado com o presidente do Inmetro, Carlos Augusto de Azevedo, em agosto, com o status da pirataria em balanças computadoras até junho de 2018, e uma edição atualizada com as ofertas de balanças falsas (e eventualmente selos do Inmetro também falsos) no marketplace do Facebook, com 31 ofertantes.

Ele também explicou que o Inmetro possui um convênio com a Receita Federal, desde 2012, com muitos pontos positivos, mas que precisa de alguns acréscimos para atualizá-lo e torná-lo mais eficiente.

Luciano Coelho mostrou o resultado do trabalho que a Fiesp está fazendo no combate à pirataria, que deu origem a um anuário denominado “Mercados Ilícitos Transnacionais em São Paulo”. O trabalho está na edição de 2017, com dados do ano base de 2016 contra 2015.

Dentre as principais informações estão dados como:

  • Movimentação em SP: R$ 15,17 bilhões, +14,38% vs. 2015 contra -3,8% do PIB;
  • Empregos não gerados: 89.802;
  • Impostos federais não recolhidos: R$ 3,61 bilhões;
  • Impostos estaduais não recolhidos: R$ 3,12 bilhões;
  • Renda não gerada na indústria: R$ 2,5 bilhões.

O anuário não apresenta dados sobre o mercado de balanças. Em função disso o presidente do Sibapem se ofereceu para enviar números atualizados para a próxima edição. Coelho afirmou que espera poder reunir mais alguns dados, unir-se a outras Federações e tentar um contato com o governo, colocando-se à disposição do Sindicato para discutir sobre alternativas de ações para contribuir com o segmento.

Crise econômica aumenta em 6,3 milhões a quantidade de miseráveis no Brasil

Jovens, pessoas com ensino médio incompleto e moradores do Norte e do Nordeste foram os mais prejudicados

A cerca de 15 minutos de carro do Plano Piloto, na Cidade Estrutural, pode-se encontrar uma face da pobreza. Adelmar dos Reis Santos, 27 anos, sobrevive com doações e bicos. Ele costumava recolher produtos descartados no antigo lixão, mas, com o fim do aterro, não consegue emprego e está completamente refém da miséria. Essa é a situação de 23,3 milhões de brasileiros, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Entre 2014 e 2017, o número de pessoas que recebem abaixo de R$ 232 por mês cresceu em 6,3 milhões — o equivalente a uma população maior do que a do Paraguai.

Feito pelo economista Marcelo Neri, o estudo constatou que houve diminuição da renda das pessoas, e que jovens, pessoas com ensino médio incompleto e quem vive no Norte e Nordeste foram os principais prejudicados. Desempregado, Adelmar Santos afirmou que depende de outros para viver. “Às vezes, a gente pega uns medicamentos, um pouco de comida”, contou. “Um arroz, feijão. Quando dá, a gente compra uma carne”, completou. O maior desejo dele é conseguir um emprego para ganhar um salário e sair da situação de vulnerabilidade.

Neri explicou que, além de aumentar a miséria, o desemprego gerado pela recessão de 2015 e 2016 distanciou os mais ricos dos mais pobres. “A desigualdade está subindo há mais de dois anos e meio”, ressaltou. O economista observou que, até 2014, o percentual de pessoas em situação de pobreza vinha caindo e que, naquele ano, a desocupação estava em 6,8%, com 6,1 milhões de pessoas sem emprego, bem menos do que os 12,9 milhões de hoje.

O índice da pobreza saiu de 8,38% em 2014 — quando marcava a mínima histórica — e atingiu 11,18% em 2017, taxa similar à registrada em 2011. A renda per capita, por sua vez, caiu entre 2014 e 2016, voltando ao mesmo nível de 2012. Só em 2015, a perda foi de 7%. Nos últimos dois anos, o país conseguiu recuperar 40% das perdas, mas ainda acumula recuo de 3,44% na renda entre 2015 e 2018. O retrocesso foi pior para os jovens (20,1% na faixa de 15 a 19 anos e 13,94% entre 20 e 24 anos), para pessoas com ensino médio incompleto (11,65%), no Norte (6,08%) e no Nordeste (6,43%).

Além disso, o índice de Gini, que mede a desigualdade social, mostrou que, do fim de 2014 até junho último, a concentração de renda cresceu 50% mais rápido do que no período de melhora na distribuição de renda, iniciado em 2001”, explicou Neri. Em poucos anos, a crise destruiu o que o país havia avançado em 17 anos.

Segundo o economista da FGV, a pobreza deu um grande salto em 2015, quando 3,6 milhões de pessoas entraram na lista de vulneráveis. “Foi um período em que o desemprego fez o país recuar seis anos em apenas seis meses. Além disso, a inflação superou dois dígitos no ano (10,67%)”, disse Marcelo Neri. “Depois disso, apesar da retomada da economia, que melhorou a renda, a desigualdade aumentou, o que mostra que os mais pobres foram os mais prejudicados pela crise”, acrescentou.

Vulnerabilidade

É o caso de Fernando Soares, 31 anos, e a esposa Tamires, 26, que têm quatro filhos. “Eu não consigo arrumar mais trabalho. Não tem bico, não tem lixo para catar”, lamentou Soares. O barraco onde ele mora deixa claro que a dificuldade é extrema. Em cerca de cinco metros quadrados, vivem seis pessoas. Eletricidade e água são fornecidas por meio de “gatos”. “É isso ou a gente não sobrevive. Não tenho dinheiro para pagar conta de luz e água.”

Cristiana Galdino, 33 anos, reclamou que o preconceito com os pobres também é uma barreira para conseguir trabalho. “Sempre que vou buscar uma oportunidade e digo que moro na Estrutural, já me excluem”, disse. Para o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos, essa situação contribui para o desalento no mercado de trabalho, que engloba 4,8 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Procurar emprego tem custos. Você tem de se locomover, é demorado. Depois de muito tempo sem conseguir nada, as pessoas acabam desistindo e abraçando a pobreza”, analisou.

Fonte: Correio Braziliense

Rombo do setor público virá abaixo do esperado e não deve passar de R$ 120 bi

As contas públicas devem fechar o ano com rombo abaixo de R$ 120 bilhões, apesar de a meta permitir um resultado negativo de até R$ 161,3 bilhões. Despesas obrigatórias com o pagamento de subsídios, seguro-desemprego, Previdência e pessoal devem ficar num patamar inferior ao previsto pelos técnicos do governo, já que as estimativas para esses gastos continham uma “gordura” que não foi usada.

O valor do déficit deve se situar entre R$ 100 bilhões e R$ 120 bilhões, admitem fontes da área econômica. Entregar um rombo menor evita que a dívida pública cresça ainda mais. O número é acompanhado de perto pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito do País, um indicador importante para os investidores. O Brasil fecha as contas no vermelho desde 2014 e a previsão é de que só volte ao azul em 2022.

Os R$ 120 bilhões incluem o rombo do governo central, das empresas estatais, de Estados e municípios – que tiveram um resultado melhor que o esperado no ano. Além disso, a equipe econômica espera encerrar o ano com mais de R$ 15 bilhões parados nos ministérios, sem poder gastá-los porque os projetos não andaram.

O chamado “empoçamento” de recursos é fruto do excesso de vinculações de receitas e despesas, além da evolução mais lenta dos projetos. Algumas receitas só podem bancar um tipo específico de gasto e há despesas que não podem ser canceladas ou remanejadas.

Esse fenômeno do represamento de recursos acaba ajudando no resultado primário (receitas menos despesas sem levar em conta os gastos para o pagamento dos juros da dívida).

Fontes informaram ainda que, além dos cerca de R$ 15 bilhões que estão parados, os órgãos ainda têm um limite de aproximadamente R$ 35 bilhões que nem mesmo passaram pela primeira etapa do processo orçamentário, que é o empenho (em que o governo se compromete a fazer o gasto) – isso a três meses do fim do ano. Desde julho, o governo não pode conceder alguns benefícios nem executar algumas despesas por conta da lei eleitoral.

Ao mesmo tempo em que há dinheiro parado nos órgãos, há pedidos emergenciais por mais recursos do Orçamento. É por isso que a área econômica anunciou o desbloqueio, no mês passado, de outros R$ 4,12 bilhões dentro do teto de gastos – que limita o crescimento das despesas à inflação. A liberação foi formalizada em decreto do presidente Michel Temer.

No anúncio da liberação, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, chegou a estimar um déficit de R$ 125 bilhões nas contas do setor público consolidado neste ano, pois além do represamento de recursos deve haver um resultado primário melhor que o esperado nas contas de Estados e municípios e também das estatais. Mas a estimativa agora é de um resultado melhor por causa do valor total de despesas que ainda não foram empenhadas.

Perspectiva de piora
O economista Fabio Klein, da consultoria Tendências, observa que a aceleração das despesas, comum em ano eleitoral, acabou não acontecendo na magnitude esperada, o que contribuirá para o déficit muito menor que o permitido pela meta fiscal.

“Mas no médio e longo prazos deve haver uma piora dos resultados fiscais”, afirma o economista. Para o ano que vem, o menor crescimento da atividade econômica e a elevação de pelo menos R$ 59 bilhões no teto de gastos deve levar a um déficit de R$ 115 bilhões para o setor público consolidado (a meta permite rombo de até R$ 132 bilhões). Esse aumento vai acontecer porque a inflação deste ano, que será considerada na regra do teto de gastos de 2019, será maior – o que vai permitir ao governo gastar mais.