Crise econômica aumenta em 6,3 milhões a quantidade de miseráveis no Brasil

Jovens, pessoas com ensino médio incompleto e moradores do Norte e do Nordeste foram os mais prejudicados

A cerca de 15 minutos de carro do Plano Piloto, na Cidade Estrutural, pode-se encontrar uma face da pobreza. Adelmar dos Reis Santos, 27 anos, sobrevive com doações e bicos. Ele costumava recolher produtos descartados no antigo lixão, mas, com o fim do aterro, não consegue emprego e está completamente refém da miséria. Essa é a situação de 23,3 milhões de brasileiros, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Entre 2014 e 2017, o número de pessoas que recebem abaixo de R$ 232 por mês cresceu em 6,3 milhões — o equivalente a uma população maior do que a do Paraguai.

Feito pelo economista Marcelo Neri, o estudo constatou que houve diminuição da renda das pessoas, e que jovens, pessoas com ensino médio incompleto e quem vive no Norte e Nordeste foram os principais prejudicados. Desempregado, Adelmar Santos afirmou que depende de outros para viver. “Às vezes, a gente pega uns medicamentos, um pouco de comida”, contou. “Um arroz, feijão. Quando dá, a gente compra uma carne”, completou. O maior desejo dele é conseguir um emprego para ganhar um salário e sair da situação de vulnerabilidade.

Neri explicou que, além de aumentar a miséria, o desemprego gerado pela recessão de 2015 e 2016 distanciou os mais ricos dos mais pobres. “A desigualdade está subindo há mais de dois anos e meio”, ressaltou. O economista observou que, até 2014, o percentual de pessoas em situação de pobreza vinha caindo e que, naquele ano, a desocupação estava em 6,8%, com 6,1 milhões de pessoas sem emprego, bem menos do que os 12,9 milhões de hoje.

O índice da pobreza saiu de 8,38% em 2014 — quando marcava a mínima histórica — e atingiu 11,18% em 2017, taxa similar à registrada em 2011. A renda per capita, por sua vez, caiu entre 2014 e 2016, voltando ao mesmo nível de 2012. Só em 2015, a perda foi de 7%. Nos últimos dois anos, o país conseguiu recuperar 40% das perdas, mas ainda acumula recuo de 3,44% na renda entre 2015 e 2018. O retrocesso foi pior para os jovens (20,1% na faixa de 15 a 19 anos e 13,94% entre 20 e 24 anos), para pessoas com ensino médio incompleto (11,65%), no Norte (6,08%) e no Nordeste (6,43%).

Além disso, o índice de Gini, que mede a desigualdade social, mostrou que, do fim de 2014 até junho último, a concentração de renda cresceu 50% mais rápido do que no período de melhora na distribuição de renda, iniciado em 2001”, explicou Neri. Em poucos anos, a crise destruiu o que o país havia avançado em 17 anos.

Segundo o economista da FGV, a pobreza deu um grande salto em 2015, quando 3,6 milhões de pessoas entraram na lista de vulneráveis. “Foi um período em que o desemprego fez o país recuar seis anos em apenas seis meses. Além disso, a inflação superou dois dígitos no ano (10,67%)”, disse Marcelo Neri. “Depois disso, apesar da retomada da economia, que melhorou a renda, a desigualdade aumentou, o que mostra que os mais pobres foram os mais prejudicados pela crise”, acrescentou.

Vulnerabilidade

É o caso de Fernando Soares, 31 anos, e a esposa Tamires, 26, que têm quatro filhos. “Eu não consigo arrumar mais trabalho. Não tem bico, não tem lixo para catar”, lamentou Soares. O barraco onde ele mora deixa claro que a dificuldade é extrema. Em cerca de cinco metros quadrados, vivem seis pessoas. Eletricidade e água são fornecidas por meio de “gatos”. “É isso ou a gente não sobrevive. Não tenho dinheiro para pagar conta de luz e água.”

Cristiana Galdino, 33 anos, reclamou que o preconceito com os pobres também é uma barreira para conseguir trabalho. “Sempre que vou buscar uma oportunidade e digo que moro na Estrutural, já me excluem”, disse. Para o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos, essa situação contribui para o desalento no mercado de trabalho, que engloba 4,8 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Procurar emprego tem custos. Você tem de se locomover, é demorado. Depois de muito tempo sem conseguir nada, as pessoas acabam desistindo e abraçando a pobreza”, analisou.

Fonte: Correio Braziliense

Rombo do setor público virá abaixo do esperado e não deve passar de R$ 120 bi

As contas públicas devem fechar o ano com rombo abaixo de R$ 120 bilhões, apesar de a meta permitir um resultado negativo de até R$ 161,3 bilhões. Despesas obrigatórias com o pagamento de subsídios, seguro-desemprego, Previdência e pessoal devem ficar num patamar inferior ao previsto pelos técnicos do governo, já que as estimativas para esses gastos continham uma “gordura” que não foi usada.

O valor do déficit deve se situar entre R$ 100 bilhões e R$ 120 bilhões, admitem fontes da área econômica. Entregar um rombo menor evita que a dívida pública cresça ainda mais. O número é acompanhado de perto pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito do País, um indicador importante para os investidores. O Brasil fecha as contas no vermelho desde 2014 e a previsão é de que só volte ao azul em 2022.

Os R$ 120 bilhões incluem o rombo do governo central, das empresas estatais, de Estados e municípios – que tiveram um resultado melhor que o esperado no ano. Além disso, a equipe econômica espera encerrar o ano com mais de R$ 15 bilhões parados nos ministérios, sem poder gastá-los porque os projetos não andaram.

O chamado “empoçamento” de recursos é fruto do excesso de vinculações de receitas e despesas, além da evolução mais lenta dos projetos. Algumas receitas só podem bancar um tipo específico de gasto e há despesas que não podem ser canceladas ou remanejadas.

Esse fenômeno do represamento de recursos acaba ajudando no resultado primário (receitas menos despesas sem levar em conta os gastos para o pagamento dos juros da dívida).

Fontes informaram ainda que, além dos cerca de R$ 15 bilhões que estão parados, os órgãos ainda têm um limite de aproximadamente R$ 35 bilhões que nem mesmo passaram pela primeira etapa do processo orçamentário, que é o empenho (em que o governo se compromete a fazer o gasto) – isso a três meses do fim do ano. Desde julho, o governo não pode conceder alguns benefícios nem executar algumas despesas por conta da lei eleitoral.

Ao mesmo tempo em que há dinheiro parado nos órgãos, há pedidos emergenciais por mais recursos do Orçamento. É por isso que a área econômica anunciou o desbloqueio, no mês passado, de outros R$ 4,12 bilhões dentro do teto de gastos – que limita o crescimento das despesas à inflação. A liberação foi formalizada em decreto do presidente Michel Temer.

No anúncio da liberação, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, chegou a estimar um déficit de R$ 125 bilhões nas contas do setor público consolidado neste ano, pois além do represamento de recursos deve haver um resultado primário melhor que o esperado nas contas de Estados e municípios e também das estatais. Mas a estimativa agora é de um resultado melhor por causa do valor total de despesas que ainda não foram empenhadas.

Perspectiva de piora
O economista Fabio Klein, da consultoria Tendências, observa que a aceleração das despesas, comum em ano eleitoral, acabou não acontecendo na magnitude esperada, o que contribuirá para o déficit muito menor que o permitido pela meta fiscal.

“Mas no médio e longo prazos deve haver uma piora dos resultados fiscais”, afirma o economista. Para o ano que vem, o menor crescimento da atividade econômica e a elevação de pelo menos R$ 59 bilhões no teto de gastos deve levar a um déficit de R$ 115 bilhões para o setor público consolidado (a meta permite rombo de até R$ 132 bilhões). Esse aumento vai acontecer porque a inflação deste ano, que será considerada na regra do teto de gastos de 2019, será maior – o que vai permitir ao governo gastar mais.

Servidor teme perda salarial com o novo governo que sair das urnas

Para entidades representativas do funcionalismo, a maioria dos candidatos à Presidência não deixa claro como pretende lidar com os pleitos da categoria. Porém, discurso que identifica privilégios no serviço público é motivo de preocupação
Os servidores federais vêm acompanhando com interesse a campanha presidencial. A maior preocupação da categoria é que o novo governo promova mudanças que impliquem desvalorização de salários ou redução de benefícios para ativos, aposentados e pensionistas. Na avaliação de entidades representativas do funcionalismo, contudo, a maioria dos candidatos ainda não expôs com clareza as propostas que pretende desenvolver no comando da administração pública, nem como deve lidar com as demandas dos servidores.
Todos os anos, quando protocolam a campanha salarial no Ministério do Planejamento, os servidores repetem as mesmas pautas históricas, como data-base em primeiro de maio; direito irrestrito de greve e negociação coletiva no serviço público; paridade salarial entre ativos, aposentados e pensionistas; isonomia salarial e de todos os benefícios entre os poderes; e incorporação de gratificações.

Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), disse que percebe “uma agonia generalizada” entre lideranças sindicais nos estados e no Distrito Federal com o discurso dos candidatos, no qual são frequentes críticas ao que consideram privilégios do funcionalismo. “Pelas declarações feitas até agora, a única certeza é a de que há um jogo pesado contra o serviço público”, afirmou.

A Condsef encaminhou aos presidenciáveis, em 15 de agosto, uma plataforma de propostas. “Enquanto não respondem, vamos observando o que dizem, o que fazem e o que postam nas redes sociais”, disse Silva. No entender de Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional das Carreiras de Estado (Fonacate), os candidatos desconhecem o papel do servidor e do serviço público. “Por isso, as propostas são vagas. Queremos que nos mostrem seus projetos, para entendermos o tipo de ajuste que desejam e os motivos de eventuais alterações.”

Segundo Marques, os candidatos reforçam a crença de que a máquina pública é inchada e cara, porque sabem que essa visão tem apoio popular. “No Brasil, 12% da população está no serviço público. A média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 22%. Nos Estados Unidos e na Rússia são 16%.”

Outra tese que não corresponde à realidade, de acordo com Marques, é a de que o governo gasta muito com servidores. Ele cita dados que mostram que a despesa com pessoal no serviço público federal vem caindo. De 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2002, a despesa baixou para 4,2%, em 2015, e deve ficar em 4,4% em 2019. Além disso, há 30 anos, havia 650 mil servidores ativos. Hoje, são cerca de 680 mil. “Houve expansão de 10%, enquanto a população cresceu 30%”, disse Marques.

Como ainda não está definido quem será o vencedor das eleições, os servidores analisaram os diversos cenários. Na avaliação de Antônio Augusto de Queiroz, consultor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), há três programas em disputa: o de preservação do Estado com proteção social (PT, Psol, PDT e Rede); o de apoio ao Estado liberal-fiscal (MDB, PSDB e Novo); e a defesa do Estado penal, que resolve pela repressão e pelo enfrentamento (PSL).

Corrupção

Além de criação de novas vagas por concurso público e reposição imediata de cargos vagos por exoneração, falecimento ou aposentadoria, o funcionalismo também sustenta o discurso contra a corrupção e pela autonomia e continuação de operações contra crimes e fraudes. “As acusações de que não se trabalha ou de que o servidor é menos produtivo do que o da iniciativa privada não são verdadeiras. É uma armadilha que os privatistas despejam para desmoralizar a classe. É difícil comparar funções desiguais com métricas semelhantes. Não existe, por exemplo, trabalho de polícia e de diplomacia na iniciativa privada”, argumentou um servidor do Legislativo que não quis se identificar.

Fonte: Correio Braziliense

 

Produção industrial acumula redução de 0,4% em 2 meses de perdas, diz IBGE

A produção industrial do País acumulou uma redução de 0,4% em dois meses de perdas, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A indústria recuou 0,3% em agosto ante julho, após já ter registrado redução de 0,1% em julho ante junho.

“A indústria não recuava por dois meses seguidos desde o fim de 2015”, notou André Macedo, gerente na Coordenação de Indústria do IBGE.

O movimento ocorre após dois meses de forte oscilação em decorrência da greve dos caminhoneiros: queda de 10,9% em maio ante abril, quando houve a paralisação dos caminhoneiros, seguida por alta de 12,7% em junho ante maio, com a calibragem do ritmo de produção pós-greve.

Revisões

O IBGE revisou o crescimento da produção industrial em julho ante junho, de -0,2% para -0,1%. A taxa de junho ante maio saiu de 12,9% para 12,7%.

O resultado de bens de capital de julho ante junho foi revisto de -6,2% para -5,4%. O desempenho de junho ante maio saiu de 26,6% para 25,3%.

Na categoria de bens intermediários, a taxa de julho ante junho foi revisada de 1,0% para 1,6%. O resultado de junho ante maio passou de 7,6% para 7,5%.

O desempenho de bens de consumo duráveis em julho ante junho passou de -0,4% para -0,7%. O resultado de junho ante maio saiu de 32,1% para 31,7%.

Já a alta de bens de consumo semi e não duráveis em julho ante junho saiu de -0,5% para -0,4%. O desempenho de junho ante maio foi revisto de 15,6% para 15,0%.

Fonte: IstoÉ

IPCA para 2018 passa de 4,28% para 4,30%, aponta Focus

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – de 2018 e 2019. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, dia 1º, pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 4,28% para elevação de 4,30%. Há um mês, estava em 4,16%. A projeção para o índice em 2019 foi de 4,18% para 4,20%. Quatro semanas atrás, estava em 4,11%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2020, que seguiu em 4,00%. No caso de 2021, a expectativa continuou em 3,97%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 4,00% e 3,92%, nesta ordem.

A projeção dos economistas para a inflação em 2018 está dentro da meta deste ano, cujo centro é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 3,0% a 6,0%). Para 2019, a meta é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto (de 2,75% a 5,75%). No caso de 2020, a meta é de 4,00%, com margem de 1,5 ponto (de 2,5% a 5,5%). Já a meta de 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

Na semana passada, o BC atualizou suas projeções para os índices de preços, com a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). No cenário de mercado, que utiliza o câmbio e os juros projetados no Focus como referência, a expectativa para o IPCA em 2018 é de 4,1%. Para 2019, a projeção é de 4,0% e, para 2020, de 3,6%. No caso de 2021, a projeção do BC é de 3,8%.

No Focus agora divulgado, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2018 foi de 4,38% para 4,43%. Para 2019, a estimativa do Top 5 passou de 4,10% para 4,22%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 4,14% e 4,17%, respectivamente.

No caso de 2020, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 4,00%, valor igual ao verificado há um mês. A projeção para 2021 no Top 5 seguiu em 3,75%, também igual ao visto um mês atrás.

Últimos 5 dias úteis

A projeção mediana para o IPCA 2018 atualizada com base nos últimos cinco dias úteis passou de 4,32% para 4,28%. Houve 31 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 4,18%.

No caso de 2019, a projeção do IPCA dos últimos cinco dias úteis passou de 4,19% para 4,17%. Há um mês, estava em 4,05%.

As projeções do IPCA que consideram apenas os últimos cinco dias úteis são uma das novidades do novo formato do Boletim Focus. As estimativas gerais do IPCA, que seguem fazendo parte do Focus, levam em conta os últimos 30 dias. Conforme o BC, a intenção de divulgar projeções com base nos últimos dias úteis tem como objetivo mostrar um retrato mais tempestivo do indicador de inflação.

Setembro

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para a inflação em setembro de 2018, de 0,40% para 0,41%. Para outubro, a projeção do Focus foi de 0,35% para 0,37% e, para novembro, permaneceu em 0,30%. Há um mês, os porcentuais eram de 0,30% para ambos os meses.

No Focus agora divulgado, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 4,04% para 4,01% de uma semana para outra – há um mês, estava em 3,75%.

Preços administrados

O Relatório de Mercado Focus indicou nesta manhã alteração na projeção para os preços administrados em 2018. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador este ano passou de alta de 7,50% para elevação de 7,60%. Para 2019, a mediana seguiu com elevação de 4,80%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 7,20% para os preços administrados neste ano e elevação de 4,77% no próximo ano.

As projeções atuais do BC para os preços administrados, no cenário de mercado, indicam elevações de 7,7% em 2018 e 5,4% em 2019. Estes porcentuais foram informados no Relatório Trimestral de Inflação divulgado na semana passada.

IGP-M

O relatório do BC também mostrou que a mediana das projeções para a alta do IGP-M em 2018 passou de 8,86% para 9,60%. Há um mês, estava em 8,24%. No caso de 2019, a alta do IGP-M projetada foi de 4,49% para 4,50%, ante 4,49% de quatro semanas antes.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

Fonte: IstoÉ

Excesso de burocracia é o que mais contribui para a corrupção, diz pesquisa

O emaranhado de impostos e o ambiente regulatório complexo são os principais fatores que expõem as empresas e autoridades brasileiras a crimes éticos e financeiros, segundo uma pesquisa inédita realizada pela Amcham Brasil, câmara de comércio Brasil e Estados Unidos. Para 75% dos entrevistados, são esses dois fatores que mais contribuem para companhias praticarem atos de corrupção.

– Países em que as regras de regulação e o sistema tributário são mais simples dão menos espaço à corrupção. O Brasil é uma das nações onde as empresas gastam mais tempo para lidar com a burocracia tributária. As companhias gastam, no Brasil, duas mil horas por ano para cumprir todas as regras do Fisco, enquanto a média mundial é de 600 horas – diz Deborah Vieitas, presidente da Amcham Brasil.

Entre os entrevistados, 45% apontaram o excesso de normas federais, estaduais e municipais como fator chave que pode levar à corrupção. O sistema tributário brasileiro aparece com 30% de peso; 15% apontaram o relacionamento com agências reguladoras e 10% afirmaram que as concessões de benefícios fiscais também podem levar a crimes desse tipo.

Na agenda estadual, 91% dos executivos ouvidos pela pesquisa da Amcham apontam que os próximos governadores devem assumir o compromisso de aderir e melhorar a Lei Anticorrupção. Sancionada em agosto de 2013, a lei prevê a punição de empresas que praticam atos de corrupção e outros ilícitos contra a administração pública. Ela foi regulamentada no âmbito Federal em 2015.

Pelo menos 76% dos executivos que participaram da pesquisa disseram que os chamados programas de compliance das empresas, criados para coibir práticas antiéticas, ainda estão em fase de desenvolvimento, apresentam fragilidades internas e precisam de avanço. Um dos problemas é que essas áreas, segundo 68% dos entrevistados, estão vinculadas a outros departamentos e não respondem diretamente à presidência.

– Embora a Lei Anticorrupção seja clara quanto às punições para crimes contra a administração pública, é preciso que esta cultura seja criada no topo da organização e levada para baixo nos demais níveis. Se isso não acontece, essa política é chamada de “compliance samambaia”. É como uma planta que está na empresa – diz a executiva.

A Amcham avalia que a simplificação de impostos – que hoje chegam a 57 – faz parte da agenda para melhorar a competitividade do país. A entidade elaborou diversas propostas que foram encaminhadas aos presidenciáveis, entre elas a simplificação de impostos com a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) unificando tributos como IPI, ICMS, PIS/Cofins e ISS, além de aperfeiçoamento das agências reguladoras. Os candidatos Álvaro Dias, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e João Amoêdo já se comprometeram a avaliar as sugestões.

Fonte: O Globo

Banco Central reduz previsão de crescimento do PIB de 2018 para 1,4%

O Banco Central reduziu de 1,6% para 1,4% sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)brasileiro em 2018. A estimativa consta do relatório trimestral de inflação, divulgado pela instituição nesta quinta-feira (27).

Essa é a terceira vez que a expectativa de crescimento da economia brasileira é revisada. Em setembro do ano passado, o BC estimou uma alta de 2,2% para o PIB deste ano, valor que subiu para 2,6% em dezembro de 2017 e que recuou para 1,6% em junho passado.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

“A revisão reflete a incorporação dos resultados do PIB no segundo trimestre e o arrefecimento na atividade econômica após a paralisação no setor de transporte de cargas, ocorrida em maio”, informou o Banco Central.

No ano passado, depois de dois anos de tombo, a economia brasileira saiu da recessão e registrou uma expansão de 1%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A previsão do BC está abaixo da estimativa oficial do governo e próxima da estimativa do mercado financeiro. Na semana passada, no relatório de receitas e despesas do orçamento, o governo manteve em 1,6% a estimativa de alta do PIB de 2018. Para os analistas das instituições financeiras, o crescimento será de 1,35% nesse ano.

A instituição também divulgou, pela primeira vez, sua previsão para o crescimento do PIB de 2019. A estimativa do BC é de que a economia vai acelerar no próximo ano, com uma taxa de expansão de 2,4%.

“É fundamental destacar que essa projeção é condicionada à um cenário de continuidade das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e ajustes necessários na economia brasileira”, acrescentou.

Inflação

O Banco Central também informou que sua estimativa de que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), 4,1% nesse ano e 4% em 2019.

As previsões consideram a trajetória estimada pelo mercado financeiro para a taxa de juros e de câmbio neste ano e no próximo. No último relatório de inflação, em junho, a estimativa do BC para a inflação de 2018 era de 4,2% e, de 2019, era de 3,7%.

“Ainda que limitada pela elevada ociosidade dos fatores de produção e pelo contexto de expectativas ancoradas, a recente depreciação do câmbio tende a elevar a inflação ao consumidor nos próximos meses, por meio, principalmente, do impacto direto sobre os preços de combustíveis”, avaliou a instituição.

O BC projetou ainda, com base no cenário que considera as estimativas do mercado para taxa de juros e câmbio, que o IPCA vai somar 3,6% em 2020 – em linha com a meta central de inflação fixada para este ano. Em junho desse ano, a previsão para a inflação de 2020 estava em 3,7%.

Considerando todos os cenários para juros e câmbio do BC, as estimativas de inflação da autoridade monetária situam-se entre 4,1% e 4,4% para 2018, entre 4% e 4,5% para 2019, entre 3,6% e 4,2% para 2020 e entre 3,7% e 4,3% para 2021.

A meta de inflação, fixada pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4,5% neste ano e há, também, um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A meta terá sido cumprida se o IPCA, a inflação oficial do país, ficar entre 3% e 6% em 2018.

Para 2019, meta central do próximo ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75% e, para 2020, é de 4% (podendo oscilar entre 2,5% e 5,5%).

Definição da taxa de juros

As estimativas do BC para o Produto Interno Bruto e para a inflação ajudam a instituição na definição da taxa básica de juros, atualmente na mínima histórica de 6,5% ao ano.

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento das metas de inflação, fixadas todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Recentemente, por meio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, o BC avaliou que o cenário piorou nos últimos meses e indicou que pode ser necessário subir a taxa básica de juros da economia nos próximos meses para atingir a meta de inflação fixada para o ano de 2019.

Fonte:  G1

Número de consumidores que quitaram dívidas é o maior desde 2015

O índice revelou aumento de 4,93% no número de inadimplentes que pagaram suas pendências

Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que o número de inadimplentes que pagaram suas dívidas cresceu 4,93% no acumulado dos últimos 12 meses. O resultado registrado em agosto deste ano é o mais expressivo desde setembro de 2015, quando o índice cresceu 5,8%. Na comparação mensal entre agosto e julho, o avanço da recuperação do crédito foi de 4,2%.

Os dados que compõem o Indicador de Recuperação de Crédito indicam que o volume de quitação de dívidas foi mais expressivo na Região Centro-Oeste, com crescimento de 12.39%. Em seguida, vêm as regiões Sudeste (8,31%) e Nordeste (7.09%). Nas regiões Norte e Sul, entretanto, caiu o volume de inadimplentes que regularizaram a situação financeira – os índices foram de -10,38% e -3,10%, respectivamente.

No recorte analisado de acordo com a faixa etária, a maior parte das pessoas que quitaram suas dívidas tem entre 39 e 49 anos, representando 44% do total. Depois, aparecem os consumidores que têm mais de 65 anos (13%) e os jovens entre 18 e 29 anos (12%). No recorte por gênero, as mulheres foram as que mais puseram as contas em dia, totalizando 52% contra 48% dos homens.

Segundo o SPC, o aumento da recuperação do crédito no país tem se mantido neutralizado devido à entrada de novos devedores ao longo dos últimos meses, em decorrência dos efeitos da crise e do desemprego. Para o SPC, a inadimplência no país atinge a marca de 41% da população adulta do país.

O Indicador de Recuperação de Crédito mostra a evolução mensal do volume de devedores que deixaram o cadastro de inadimplentes com base no registro de saída de CPFs das bases a que o SPC tem acesso. Os dados são de abrangência nacional.

Fonte: Correio Braziliense

Ata do Copom afirma que os riscos na economia do Brasil ‘se elevaram’

Documento mantém preocupação com cenários internos e externos e sinaliza que ciclo de alta dos juros pode ser retomado ‘gradualmente’

A ata da 217ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, divulgada nesta terça-feira (25/9), reforçou o recado dado no comunicado do encontro realizado nos dias 18 e 19 de setembro de que a autoridade monetária poderá reiniciar um ciclo de aumento gradual dos juros, dependendo do resultado das eleições e da piora no cenário externo. A agenda do vencedor das urnas dará os rumos para as reformas, palavra que o colegiado citou oito vezes na ata, o mesmo número do documento de agosto.
A próxima reunião do colegiado está marcada para 30 e 31 de outubro, dois dias após o segundo turno, e especialistas mantiveram as apostas de manutenção da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 6,5% ao ano, até o fim de dezembro, mas admitem que há chances de elevação ainda neste ano.
De acordo com a ata do Copom, os riscos se elevaram. O texto destacou que uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e os ajustes necessários na economia brasileira podem afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. “Esse risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê julga que esses últimos riscos se elevaram”, informou o comunicado, que destaca uma conjuntura mais desafiadora para os países em desenvolvimento.
A ata reforçou o comunicado da semana passada ao afirmar que a alta dos juros pode ocorrer “gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”. “O Copom reitera sua visão de que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da sua taxa de juros estrutural, cujas estimativas serão continuamente reavaliadas pelo Comitê”, informam os diretores do BC, que decidiram, por unanimidade, manter a taxa básica da economia (Selic) em 6,5% ao ano.
Na avaliação do economista sênior do banco Haitong, Flavio Serrano, os diretores do BC também destacaram na ata um aumento dos riscos e que a ociosidade elevada da indústria ajudou a segurar a inflação diante da forte valorização do câmbio, mas tem prejudicado a retomada da economia. Para ele, o colegiado reforçou a importância da continuidade do processo de ajustes e de reformas e destacou também o risco associado à deterioração do cenário para economias emergentes.
“O Copom concluiu que o balanço de risco mostrou-se assimétrico e que os últimos riscos destacados se elevaram. Isso não estava no comunicado e mostra que o BC deixou a porta aberta para uma alta dos juros gradual”, afirmou Serrano, que, por enquanto, manteve a previsão de manutenção da Selic em 6,5% até o fim do ano. Contudo, admite a possibilidade de alta ainda este ano se o resultado das eleições sinalizar piora no cenário interno, que ainda é muito incerto. “O Copom deixou a porta aberta para aumento de juros, dependendo da evolução das variáveis de risco interno e externo. Por enquanto, a Selic está abaixo do que chamamos de taxa nominal neutra, em torno de 8% a 8,5%, e, portanto, haverá um momento em que o BC vai mudar a direção da política monetária”, frisou.
Os diretores do BC divulgaram revisões para cima, no cenário prospectivo, para a inflação, mas ainda compatíveis com a meta deste ano, de 4,5% ao ano. Para 2019, o cenário que considera câmbio e Selic constantes nos patamares atuais apontou para alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,5%, pouco acima da meta de 4,25%. Para Serrano, será preciso esperar o relatório trimestral de inflação do BC, que sairá na quinta-feira, para ver como estão as previsões do órgão.
No entender do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, o Copom indicou necessidade de piora adicional do balanço de riscos ou das expectativas para iniciar processo de normalização, como fez no comunicado. Segundo a nota do banco, o Copom avaliou ainda que o balanço de riscos se tornou “assimétrico”, ao avaliar que o risco baixista decorrente da inércia do baixo nível de inflação se dissipou, enquanto permanece a importância da continuidade do processo de ajustes e reformas sobre as expectativas e projeções macroeconômicas. O Copom, na avaliação do Bradesco, pondera ainda que sua atuação requer “a flexibilidade para ajustar gradualmente a condução da política monetária quando e se houver necessidade”, mas reitera que a conjuntura econômica “ainda prescreve política monetária estimulativa e que esse estímulo começará a ser removido gradualmente, apenas se o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política ou o balanço de riscos apresentarem piora”. “Como as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas, e os efeitos secundários sobre os preços advindos de choques primários como a depreciação do real não têm se materializado, projetamos que a taxa Selic permanecerá estável em 6,5% até o final de 2018”, afirmou o comunicado da equipe liderada pelo economista Fernando Honorato.
Fonte: Correio Braziliense

Prévia da inflação varia 0,09% em setembro, o melhor resultado desde 2016

No ano, o IPCA-15 acumula variação de 3,23%, enquanto que, em 12 meses, 4,3%. Segundo o instituto, dos nove grupo de produtos e serviços pesquisados, apenas alimentação e bebidas registrou deflação em setembro

Os preços de alguns alimentos no supermercado foram os responsáveis pela diminuição na taxa. A cebola, por exemplo, teve taxa de -18,51%s

Considerado a prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,09% em setembro, mostrando leve desaceleração em relação à taxa de agosto (0,13%). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que publicou os dados na manhã desta sexta-feira (21/9), este é o menor resultado para o mês desde 2016.
No ano, o IPCA-15 acumula variação de 3,23%, enquanto que, em 12 meses, 4,3%. Segundo o instituto, dos nove grupo de produtos e serviços pesquisados, apenas alimentação e bebidas registrou deflação em setembro, na comparação com agosto. A queda foi de 0,41%, influenciada pela alimentação no domicílio, que recuou 0,70%. Os preços de alguns alimentos no supermercado foram os responsáveis pela diminuição na taxa.
A cebola (-18,51%), a batata-inglesa (-13,65%), o leite longa vida (-6,08%) e as carnes (-0,97%) são alguns exemplos. Já a alimentação fora de casa, por sua vez, subiu 0,12% em setembro, frente ao mês anterior. Apesar disso, houve uma desaceleração, já que o índice foi de 0,84% em agosto.
Nos demais grupos, destacam-se as altas das despesas pessoais (0,46%), habitação (0,3%), transporte (0,21%) e saúde e cuidados pessoais (0,26%). O primeiro foi reflexo de reajustes ocorridos nos preços do cigarro, que subiu 1,8% em todo o Brasil. Ocorreram elevação de preços em Porto Alegre (3,37%). Curitiba (3,09%) e São Paulo (3,07%). Também impactaram no resultado do grupo os itens serviço bancário (2,03%) e empregado doméstico (0,36%).
No grupo habitação, a energia elétrica subiu 0,34%, registrando a sétima taxa de alta mensal consecutiva. Apesar disso, houve uma desaceleração em relação à agosto, quando registrou variação de 3,59%. Tanto no ano (13,28%) quanto nos últimos 12 meses (19,01%), a energia elétrica foi o segundo maior impacto no IPCA-15 (0,49 p.p. e 0,67 p.p., respectivamente), ficando atrás apenas da gasolina (0,49 p.p. e 0,73 p.p., respectivamente).
Atualmente, a bandeira tarifária é a vermelha patamar 2, incidindo a cobrança adicional de R$ 0,05 a cada kwh consumido. Ainda no grupo habitação, o gás encanado aumentou 0,78%, após reajustes nas tarifas do Rio de Janeiro.
O grupo de transportes subiu 0,21% influenciado, principalmente, pela passagem aérea (de -26,01% em agosto para 17,12% em setembro). Os combustíveis (-0,19%), por sua vez, caíram pelo terceiro mês consecutivo, embora a redução dos preços tenha sido menos acentuada que nos meses anteriores. A gasolina recuou 0,07% e o etanol, 1,36%.
Os planos de saúde foram um dos responsáveis pela alta de 0,26% do grupo saúde. Subiu 0,81% em setembro, na comparação com agosto.
Fonte: Correio Braziliense