Senado aprova MPs negociadas para encerrar greve dos caminhoneiros

O Senado aprovou nesta quarta-feira, 8, duas medidas provisórias apresentadas pelo governo federal para encerrar a greve dos caminhoneiros em maio. Agora, os textos seguem para a sanção presidencial.

Uma das medidas, a Medida Provisória (MP) 833/2018, isenta caminhões que circularem com eixo suspenso de pagar pedágio em todo território nacional.
Já a Medida Provisória (MPV) 831/2018 reserva um mínimo de 30% do frete contratado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para cooperativas e associações de transportadores autônomos.

Isenção de pedágio
A medida que isenta caminhões que circularem com eixo suspenso de pagar pedágio foi uma das medidas negociadas entre governo federal e caminhoneiros para acabar com a paralisação de 11 dias feita por esses profissionais em estradas do País.

Uma das emendas acatadas durante a tramitação da proposta, apresentada pelo senador Lasier Martins (PSD-RS), proíbe também as concessionárias de aumentar o valor do pedágio para o motorista de veículo de passeio como forma de compensar a isenção. Segundo o parecer, esse aumento só será repassado quando “esgotadas as demais alternativas de reequilíbrio econômico-financeiro”.

Pelo texto, os órgãos e entidades competentes da União, Estados, Distrito Federal e municípios serão os responsáveis por estabelecer as medidas técnicas e operacionais para viabilizar essa isenção na sua região. A matéria foi transformada em projeto de lei de conversão (PLV 17/2018).

Reserva de no mínimo 30% do frete da Conab
A reserva do frete contratado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para cooperativas e associações de transportadores autônomos, por sua vez, também possibilita aos transportadores serem contratados sem licitação.

O preço do frete não poderá exceder o praticado pela Conab. Além disso, o contratado deve atender aos requisitos estabelecidos pela companhia, que é vinculada ao Ministério da Agricultura.

A Conab utiliza as transportadoras para movimentar grãos pelo País e garantir o abastecimento de todas as regiões. Os serviços de transporte são contratados por leilão eletrônico.

A MP original previa a contratação de um máximo de 30% dos serviços de transporte com essa reserva de mercado, mas um acordo entre a categoria e a Casa Civil da Presidência da República em data posterior ao envio da medida para o Congresso mudou para contratação mínima de 30%.

O texto foi aprovado na forma do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 22/2018, apresentado pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que excluiu a possibilidade de contratação de sindicatos de transportadores autônomos. Para o relator, a contratação de sindicatos para uma função que não é sua seria inconstitucional.

Outra mudança foi a retirada da condição de que as associações de transportadores autônomos de cargas constituídas nos termos do Código Civil (Lei 10.406/02) tivessem, no mínimo, três anos de funcionamento para participar da contratação. / COM AGÊNCIA SENADO

Fonte: O Estado de S.Paulo

Sibapem apresenta números da pirataria para presidente do Inmetro

O presidente do SIBAPEM, Carlos Alberto Amarante, esteve reunido no último dia 6 de agosto com o presidente do Inmetro, Carlos Augusto de Azevedo, e com o coordenador-geral de Articulação Internacional do Inmetro, Jorge A.P.Cruz, no escritório regional em São Paulo, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Na oportunidade o presidente aproveitou para atualizar os dados sobre a pirataria de balanças no Brasil e explicou que embora tenha havido algum avanço, já que os números apontam uma pequena redução na participação percentual de balanças pirata no Brasil, ainda não é possível comemorar. “Os dados atualizados até junho deste ano, indicam uma participação de balanças pirata em torno de 47%, contra os 54% observados em 2017.”

Mais uma vez o presidente do Inmetro foi receptivo em relação às demandas do mercado e prometeu intensificar os contatos com a Receita Federal, objetivando dificultar a importação de balanças sem as devidas homologações legais.

Para Amarante, esse tipo de reunião é fundamental para mostrar que o setor vem fazendo a sua parte e precisa do apoio das autoridades para combater esse tipo de atuação irregular que acontece no mercado. “Não é possível continuar competindo com esse nível de concorrência desleal. O trabalho do SIBAPEM tem por objetivo fortalecer a indústria nacional. Para tanto, não pouparemos esforços.”

 

IBGE: inflação medida pelo IPCA fica em +0,33% em julho ante +1,26% em junho

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou julho com alta de 0,33% ante um avanço de 1,26% em junho, informou nesta quarta-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma alta entre 0,21% e 0,37%, mas ficou acima da mediana positiva de 0,27%.

A taxa acumulada pelo IPCA no ano foi de 2,94%. Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,48%.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve um avanço de 0,25% em julho, após a alta de 1,43% registrada em junho, segundo dados do IBGE. Como resultado, o índice acumulou uma elevação de 2,83% no ano. A taxa em 12 meses foi de 3,61%. Em julho do ano passado, o INPC tinha sido de 0,17%.

O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e chefiadas por assalariados.

INCC/Sinapi

O Índice Nacional da Construção Civil (INCC/Sinapi), divulgado hoje pelo IBGE, subiu 0,52% em julho, após uma elevação de 0,58% em junho. No ano, o índice acumulado ficou em 2,65%. A taxa em 12 meses foi de 4,01%.

Segundo o IBGE, o custo nacional da construção alcançou R$ 1.095,09 por metro quadrado em julho, acima dos R$ 1.089,46 por metro quadrado registrados em junho. A parcela dos materiais teve aumento de 0,88%, enquanto o custo da mão de obra aumentou 0,13%.

Fonte: IstoÉ

Bovespa abre em alta puxada por clima positivo no exterior

A Bovespa inicia os negócios em alta nesta terça-feira, 7, em linha com o comportamento de suas pares internacionais. Em Wall Street, o otimismo é relacionado a resultados favoráveis de grandes companhias no segundo trimestre. Contudo, os investidores seguem atentos às disputas comerciais envolvendo Washington e Pequim e acompanham desdobramentos da decisão dos Estados Unidos de impor sanções econômicas contra o Irã. O bom humor é impulsionado ainda após o S&P 500 ter atingido recorde de fechamento na segunda-feira, 6, aos 2.850,40 pontos.

Às 10h30, o Ibovespa subia 0,70%, aos 81.620,46 pontos. O dia é de agenda esvaziada tanto no Brasil quanto no exterior, o que deve resultar em mais uma sessão de baixa liquidez.

Fonte: Estadão Conteúdo

Combate à pirataria será prioridade da nova diretoria do Sibapem

A nova diretoria do SIBAPEM (Sindicato Interestadual da Indústria de Balanças, Pesos e Medidas) tomou posse no último dia 30 de julho. Na presidência assume Carlos Alberto Pereira Amarante, tendo como vice-presidente Zenon Leite Neto.

A exemplo da diretoria anterior, o combate à pirataria em balanças deverá ser uma das prioridades dos novos diretores. “Esse é um problema que afeta diretamente a indústria nacional e o consumidor. Estamos competindo com produtos de qualidade duvidosa e vendo nossas marcas serem copiadas, assim como o selo do Inmetro”, explica Amarante.

O problema vem sendo combatido pelo Sindicato, que já procurou diversos órgãos públicos para denunciar a entrada de produtos importados irregularmente e sem qualquer controle metrológico. “Basta acompanhar as fiscalizações feitas pelos IPEMs para encontrar produtos falsificados ou fora de especificação. Todos perdem com a pirataria: o consumidor por eventualmente pagar mais e receber menor quantidade do produto comprado;o comerciante por eventualmente vender mais em peso e cobrar menos ou ser autuado pela fiscalização; o governo por receber menos impostos, já que não existe nota fiscal ou, quando existe, ser falsa e assim, ter menos recursos para as ações próprias do Estado prejudicando novamente o cidadão; o empresário brasileiro por vender menos a assim investir menos e, no limite, causando até desemprego. É preciso fazer alguma coisa o mais rápido possível.”

Para o novo presidente além do trabalho de defesa dos segmentos atendidos pelo Sindicato (balanças, bombas de combustíveis, hidrômetros, massas ou pesos padrão, medidores de energia, medidores de pressão, medidores de umidade e taxímetros), é fundamental mostrar ao empresário que é preciso fortalecer a entidade. “Precisamos de um Sindicato forte para que nossos pleitos sejam ouvidos. Não é nenhum exagero dizer que juntos somos mais fortes.”

Na busca pelo associativismo a nova diretoria pretende também ampliar o número de ações focadas nas necessidades das empresas do setor. “Temos ao nosso lado toda a estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e não podemos deixar de usufruir dos benefícios que ela disponibiliza aos Sindicatos para que sejam repassados aos associados.”

Confira a nova diretoria

Carlos Alberto Pereira Amarante (Presidente – Toledo do Brasil Ind. de Balanças);

Zenon Leite Neto (Vice-Presidente – Urano Ind. de Balanças),

Márcio Godoy (Tesoureiro – UPX Balanças);

Eugênio Forgioni (Secretário – Cardiotech Latin America).

Suplentes:

Marcelo Leitão (Balanças Micheletti); José Paulo Marin (Balanças Navarro); Melina Melo (Ramuza Balanças); Jean Yves Kaufmann (Gehaka Instrumentos); Conselho Fiscal: Christian Kaufman (Gehaka Instrumentos); Edson José Freire (Toledo do Brasil Ind. de Balanças); Itamar Arruda (Quanto Ind. e Com. de Pesos Padrão); Jefferson Zacarias (UPX Balanças); Wladimir Dellanoce (Balanças Jundiaí); João Paulo Nogueira (Toledo do Brasil Ind. de Balanças).

Setor de serviços do Brasil cresce em julho pela primeira vez em quatro meses, mostra PMI

A atividade do setor de serviços voltou a crescer em julho, pela primeira vez em quatro meses, com rápida melhora na quantidade de novos trabalhos, depois de a greve dos caminhoneiros causar no mês anterior o maior tombo do segmento desde o fim do ano passado, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgada nesta sexta-feira.

“A entrada de novos negócios aumentou da maneira mais significativa em quatro meses, com a taxa de expansão superando a sua média de longo prazo”, afirmou o IHS Markit em nota. “Os entrevistados da pesquisa citaram uma melhoria na demanda básica como causa.”

O IHS Markit informou que o PMI de serviços do Brasil avançou a 50,4 em julho, sobre 47,0 em junho, primeira leitura desde abril acima da marca de 50 que separa crescimento de contração.

A pesquisa mostra que o otimismo no setor também voltou aos níveis altos de setembro do ano passado, mas a expectativa de melhora se volta para o período pós-eleitoral.

O desempenho dos serviços, no entanto, apresentou avanço “marginal”, segundo o IHS Markit, sendo suficiente para atenuar e não interromper a redução do número de empregos no setor pelo quadragésimo primeiro mês consecutivo.

O relatório do PMI também mostrou que “o ritmo de corte de posições foi o mais lento observado nos quarenta e um meses de redução ininterrupta”, ponderando ao mesmo tempo que “algumas empresas contrataram pessoal adicional devido ao forte crescimento de novos trabalhos”.

A volta dos serviços ao campo de expansão somada à retomada da indústria elevaram o PMI Composto a 50,4 em julho, retomando o crescimento pela primeira vez desde abril.

Um pico de preços e prejuízos do setor privado causados por mais de dez dias de paralisação dos caminhoneiros em maio levaram economistas a elevarem as projeções para o comportamento da inflação e reduzirem as expectativas de crescimento da economia para cerca de 1,5 por cento, ante 3 por cento alguns meses antes.

A economia, no entanto, tem reagido depois do tombos vistos após a greve, que hoje representa apenas um soluço temporário na atividade econômica, segundo a economista Pollyanna De Lima, autora do relatório do PMI.

“Os provedores de serviços tomaram a dianteira em relação a novos negócios, mostrando uma melhora consideravelmente mais forte que a da indústria”, disse Polyanna, em nota.

“Mesmo assim, as taxas de expansão na produção foram marginais e similares entre ambos os setores, com apenas produtores de bens criando empregos.”

A melhora nos serviços foi puxada pelas categorias de Informação e Comunicação e de Finanças e Seguros, nas quais subiram tanto o número de novos negócios quanto o volume de produção, de acordo com o IHS Markit. As demais categorias contraíram no mês.

Os custos para os empresários do setor tiveram o segundo maior avanço nos últimos nove meses, diante de preços mais elevados de combustíveis, produtos alimentícios e de pessoal, com reajustes salariais concedidos a empregados. As empresas repassaram essa inflação para os preços cobrados dos clientes, no maior nível em 29 meses.

R7

Porcentual de famílias com dívidas sobe pela primeira vez no ano em julho

Em julho, o porcentual de famílias com dívidas subiu pela primeira vez no ano, alcançando 59,6% ante os 58,6% registrados em junho. Já os que se declaram muito endividados são 13,2%, uma pequena alta em relação aos 13% de junho. Quase um terço dos brasileiros tem dívidas para mais de um ano e 20,5% têm mais da metade da renda comprometida com esses pagamentos.

Os dados estão na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). De acordo com a CNC, os indicadores de endividamento estão abaixo do observado no mesmo período do ano passado, quando 60,2% das famílias estavam endividadas e 14,6% informavam estar muito comprometidas. Na prática, porém, a evolução do indicador mostra que seis em cada dez famílias continuam com dívidas.

“Apesar do aumento pontual, o indicador permaneceu em patamar inferior ao do ano passado, refletindo ritmo menor de recuperação do consumo das famílias e maior cautela na contratação de novos empréstimos e financiamentos”, diz a economista da CNC Marianne Hanson.

De acordo com a CNC, o menor nível de endividamento e a redução dos juros ajudaram a reduzir os indicadores de inadimplência em relação ao ano passado. No levantamento de julho, o porcentual de famílias com contas em atraso – 23,7% – se manteve estável em relação ao mês anterior. Foi menor, porém, que o verificado em julho de 2017. Na época, 25,5% estavam inadimplentes.

Entre as famílias pesquisadas, 9,4% declararam não ter condições de pagar as contas. É quase a mesmo taxa de junho do ano passado e menos do que os 9,9% que informaram que permaneceriam inadimplentes em julho de 2017.

Os compromissos com cartão de crédito ainda correspondem à maior parte das dívidas das famílias – 77%. O peso é ainda maior para as famílias de renda até dez salários mínimos. Segundo o levantamento, 78,3% dessas famílias estão comprometidas com cartão de crédito ante 75,1% das famílias com renda superior a dez salários mínimos.

Fonte: IstoÉ

Evento debate problemas e possíveis soluções para o transporte e a logística no Brasil

A atual situação da infraestrutura brasileira, segundo especialistas, lembra a de uma casa que está desmoronando. Quase metade das estradas federais está em más condições. O país tem apenas 14 mil quilômetros de ferrovias operacionais. Os planos para alavancar a navegação de cabotagem (aquela feita entre portos nacionais) não passaram da fase de diagnóstico. Há ainda entraves como processo de licenças ambientais, contratos de concessão imprecisos e agências reguladoras com pouca autonomia.

Os problemas e possíveis soluções para transporte e logística foram debatidos no evento “E agora, Brasil?”, promovido pelos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e apoio do banco Modal. Realizado em 26 de julho, no Instituto Tomie Ohtake, foi o primeiro da série de debates “E agora, Brasil?”em São Paulo.

Participaram o diretor-presidente da concessionária de rodovias Arteris, David Díaz; o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Borges; o vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Cleber Cordeiro Lucas; o coordenador do núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende; e o secretário do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), do governo federal, Adalberto Vasconcelos.
O evento foi aberto pelo diretor de Redação do GLOBO, Alan Gripp, que citou o impacto da greve dos caminhoneiros na atividade econômica como prova da excessiva dependência que o país tem de um único meio de transporte de cargas.

O debate foi mediado por Flávia Barbosa, editora executiva do GLOBO, e Daniel Rittner, repórter especial do Valor, especializado em infraestrutura. Estavam presentes o diretor-geral de Infoglobo, Editora Globo e Valor Econômico, Frederic Kachar, e a diretora de Redação do Valor, Vera Brandimarte.

— O Brasil perdeu a capacidade de fazer planos de Estado. É preciso ter a convicção de que não vamos avançar sem infraestrutura. Isso é prejudicial à economia e também socialmente, para a geração de empregos — afirmou César Borges, que foi ministro dos Transportes no governo Dilma Rousseff.

Borges ressaltou que, enquanto o Brasil é a nona maior economia do mundo, sua infraestrutura está na 73ª posição num ranking de qualidade elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, com 137 países. O Brasil fica atrás, por exemplo, de China (46ª), Uruguai (45ª), Chile (41ª) e Rússia (35ª). O país tem investido, em média, 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, quando deveria despender pelo menos o dobro disso, por no mínimo 25 anos, para universalizar serviços básicos para a população.

Excessivamente dependente de rodovias, o país ficou refém durante a paralisação dos caminhoneiros. Resende, da Fundação Dom Cabral explica que, conforme uma classificação de A a F, sendo A uma rodovia em excelentes condições, atualmente 45,3% das estradas brasileiras estão em situação D, E e F, índices considerados ruins. Ele ressalta que, segundo suas estimativas, que consideram projetos em andamento e já comprometidos, em 2025 o Brasil terá uma situação de infraestrutura ainda pior, com 50% de trechos das estradas federais em D, E e F, atingindo 57,5% em 2035.

— É dramática a situação de vidas perdidas nas nossas rodovias — disse Resende, que lamenta ainda o fato de o país não aproveitar seu potencial hidrográfico.

Segurança jurídica

Numa crise fiscal sem precedentes, o país precisa atrair investimentos privados para a infraestrutura, mas a insegurança jurídica cria um ambiente de desconfiança, dizem os especialistas. Para mudar esse quadro, o Brasil tem de reinventar a gestão pública, que não sabe direcionar os investimentos, criar arcabouços legais e ter agências reguladoras tecnicamente fortes. Díaz, da Arteris, avalia que o Brasil precisa dar um salto no investimento em infraestrutura, para algo como 6% do PIB. Segundo ele, há recursos disponíveis no mundo, mas estes buscam projetos de qualidade e ambientes com segurança jurídica. Díaz citou as dificuldades no Brasil para se aprovar licenças ambientais:

— Quando há um licenciamento simples, o Ibama funciona bem. O grande desafio é quando há a necessidade de preservação ambiental. E, nos contratos, o risco ambiental é normalmente transferido para as concessionárias. Quando apresentam suas propostas, elas não sabem quais serão as compensações pedidas pelo Ibama ou pela Funai.

Já o vice-presidente do Syndarma, Cordeiro Lucas, lembrou que o país não explora o enorme potencial da navegação de cabotagem. Ele observou que o combustível usado na cabotagem custa 20% mais do que o da navegação de longo curso. Mesmo assim, diz, a cabotagem tem crescido a um ritmo de 10% ao ano:

— Não estamos falando em subsídio. Mas, na Espanha e na Itália, o embarcador da cabotagem tem um incentivo direto. Há uma política de governo que privilegia os modais mais eficientes.

Vasconcelos defende um pacto entre os três Poderes, incluindo o Tribunal de Contas da União (TCU), para destravar a infraestrutura brasileira. Ele reconhece os problemas para atrair o investimento privado, mas afirma que o PPI vem trabalhando para oferecer projetos. Segundo Vasconcelos, já foram qualificados 191 projetos, sendo 95 passados à iniciativa privada:

— Em óleo e gás, não tínhamos licitação desde 2013, e agora os leilões estão batendo recordes. Em portos, não tínhamos licitação desde 2014, e agora já temos 13 contratos assinados. Quando se fala que o PPI não deu resultado, os números provam o contrário.

Fonte: O Globo

Após tombo em maio, produção industrial tem alta de 13,1% em junho, aponta IBGE

Esta foi a maior alta da série histórica, iniciada em 2002. Em maio, sob impacto da greve dos caminhoneiros, indústria registrou queda de 11%.

A indústria brasileira avançou 13,1% em junho frente a maio, na série com ajuste sazonal, eliminando as perdas provocadas pela greve dos caminhoneiros no mês anterior, divulgou nesta quinta-feira (2) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esta foi a maior alta da série histórica, iniciada em 2002, destacou o IBGE. O resultado, entretanto, veio abaixo das expectativas. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam, na média, alta de 14,1% na variação mensal.

Em maio, a indústria tinha registrado um tombo de dois dígitos na comparação com abril, a maior queda desde dezembro de 2008. O IBGE revisou o resultado de maio, de uma queda de 10,9% para um tombo de 11%., quando a paralisação de caminhoneiros levou desabastecimento a empresas e residências de todo o país, além de perdas para a agricultura.

Na comparação com junho de 2017, a indústria cresceu 3,5% em junho de 2018. No acumulado em 12 meses, a alta é de 3,2%, ante 3% no acumulado em 12 meses até maio, indicando retomada da trajetória de recuperação do setor. O ritmo, porém, segue abaixo do registrado nos 12 meses encerrados em abril, quando o avanço foi de 3,9%.

No acumulado do ano, a produção industrial tem alta de 2,3%. No fechamento do 2º trimestre, o avanço é de 1,7% na comparação com a mesma etapa do ano passado.

Com o resultado de junho, o patamar da produção industrial do país retornou a um nível próximo ao de dezembro do ano passado, mais ainda segue abaixo do observado até meados de 2015.

22 dos 26 ramos pesquisados têm avanço

Dos 26 ramos industriais pesquisados, apenas 4 não registraram avanço da produção na passagem de maio para junho: coque e derivados de petróleo, produtos farmacêuticos, impressão e reprodução de gravações e equipamentos de transporte.

Segundo o IBGE, as principais influências positivas vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (47,1%) e produtos alimentícios (19,4%). Outros destaques no mês fora os setores de bebidas (33,6%), móveis (28,5%) e produtos minerais (20,8%). Veja tabela abaixo:

22 dos 26 ramos pesquisados apresentam alta em junho na comparação com maio (Foto: Divulgação/IBGE)22 dos 26 ramos pesquisados apresentam alta em junho na comparação com maio (Foto: Divulgação/IBGE)

22 dos 26 ramos pesquisados apresentam alta em junho na comparação com maio (Foto: Divulgação/IBGE)

Entre as grandes categorias, a de bens de consumo duráveis teve a maior expansão, ao avançar 34,4% na comparação com maio, influenciada, em grande parte, pela maior produção de automóveis. Esse crescimento foi o mais intenso desde o início da série histórica e reverteu a perda de 26,1% observada em maio.

No ano, o destaque também é o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias com avanço acumulado de 18,3%.

Os demais setores também eliminaram os recuos registrados em maio. No de produtores de bens de capital a alta foi de 25,6%, no de bens de consumo semi e não-duráveis, 15,7%, e no de bens intermediários, 7,4%.

Perspectivas

Pesquisa divulgada na véspera pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o faturamento da indústria e as horas trabalhadas na produção, assim como o emprego industrial, registraram crescimento no 1º semestre de 2018, algo que não acontecia há quatro anos nesse período. A entidade destacou, entretanto, que ritmo de crescimento ainda não compensou perdas com recessão dos últimos anos.

Com a recuperação da economia em ritmo mais lento que o esperado, desemprego ainda elevado e confiança dos empresários ainda baixa diante das incertezas em relação às eleições, a expectativa dos analistas é de uma trajetória de crescimento gradual e moderado da industrial.

“O ambiente de incerteza econômica e política freia o ímpeto de investir e de consumir no Brasil e isso não pode ser desconsiderado”, afirmou o economista André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, segundo a Reuters.

Pesquisa Focus mais recente do Banco Central, que ouve cerca de uma centena de economistas todas as semanas, mostrou que as expectativas para o crescimento da economia para este ano estão em 1,50%, metade do que era esperado alguns meses antes. O próprio governo federal reduziu recentemente sua previsão de crescimento do PIB neste ano de 2,5% para 1,6%. Até maio, estava em 2,97%.

Fonte: G1