Mulheres ganham menos até em funções em que são maioria, diz IBGE

É possível constatar que isso ocorre em atividades profissionais como professoras de nível fundamental, secretárias e vendedoras de cosméticos.
 
De um modo geral, em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas com idades entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens.
A maioria das mulheres sempre recebeu salários mais baixos do que os homens, mesmo quando exercem funções idênticas. A novidade é que agora é possível constatar que isso ocorre até em atividades profissionais em que elas são maioria, como professoras de nível fundamental, secretárias e vendedoras de cosméticos.
 
De um modo geral, em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas com idades entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579) nesse mesmo grupo etário. A população ocupada de 25 a 49 anos totalizava 56,4 milhões de pessoas no Brasil em 2018. Esse contingente era composto por 54,7% de homens e 45,3% de mulheres.
 
O estudo “Diferença dos rendimento do trabalho de mulheres e homens nos grupos ocupacionais – Pnad Continuada 2018” mostra que no grupo dos profissionais classificados como ciências e intelectuais a participação das mulheres é  63%, mas os rendimentos equivaliam a 64,8% da remuneração dos homens.
 
As mulheres também representavam maioria, 60%, no grupo dos trabalhadores de apoio administrativo, mas o percentual do rendimento, embora superior ao registrado no grupo dos profissionais das ciências e intelectuais, equivaliam a 86,2% da remuneração dos homens. Eles são minoria no setor de cosméticos, mas ganham mais. As mulheres eram 59% do contingente de trabalho nessa área,  mas no final do mês recebiam o equivalente a 66,2% da renda masculina.
 
A participação das mulheres era maior entre os trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), professores do ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%).
 
Em cargos altos de diretoria e gerência as mulheres estão em desvantagem. Elas receberam o equivalente a 71,3% da remuneração dos homens e representavam apenas 41,8% dos cargos de comando. È a primeira vez que o IBGE desmembra os dados da Pnad por categoria. O IBGE analisou as horas trabalhadas, a cor, a raça, a idade e o nível de instrução das mulheres ocupadas de 25 a 49 anos. Os dados da série histórica (2012 a 2018) são dos 4º semestres de cada ano.
 
A única exceção é com relação a membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares. Neste caso, as mulheres receberam 100,7 da remuneração dos homens no período analisado. De acordo com o IBGE, isso ocorre porque as mulheres possuem escolaridade média mais alta dos que a dos homens e não ingressam na carreira no primeiro nível de hierarquia. A maioria começa na frente, aumentando a média salarial.
 
As mulheres da ocupação de Agricultores e trabalhadores qualificados em atividades da agricultura (exclusive hortas, viveiros e jardins) – que mostravam a menor proporção de mulheres (23,8%) -, recebiam 64,2% do rendimento dos homens. Nas ocupações de Médicos especialista e Advogados,  que mostravam relativo equilíbrio da participação feminina (em torno de 52%) e demandam nível de instrução mais elevado em ambos os casos, a diferença de rendimento aumentava, com percentuais que diminuíam para 71,8% e 72,6%, respectivamente.
 
O  estudo “Diferença do rendimento do trabalho de mulheres e homens nos grupos ocupacionais – Pnad Contínua 2018” analisou, em nível Brasil, as horas trabalhadas, a cor ou raça, a idade, o nível de instrução das mulheres ocupadas de 25 a 49 anos. Também foi estudada a distribuição por sexo nos grupamentos ocupacionais e as diferenças de rendimento médio real entre mulheres e homens. Os dados são do 4º trimestres.
 
Valor da hora trabalhada: Em 2018, o valor médio da hora trabalhada era de R$ 13,0 para a mulheres e de R$14,2 para os homens, indicando que o valor do rendimento da mulher representava 91,5% daquele recebido pelos homens.  Em média, homens trabalharam 42,7 horas e as mulheres, 37,9 horas, ou seja, 4,8 horas a menos na jornada semanal da mulher.
 
Cor e Raça
O estudo mostrou diferença importante na desagregação dos dados por cor ou raça da população ocupada. O rendimento médio da população ocupada de cor preta ou parda correspondia, em média, a 60,0% daquela de cor branca. Dirigentes e gerentes (64,1%) e Profissionais das ciências e intelectuais (60,4%) tinham as maiores proporções de pessoas brancas, enquanto os das ocupações elementares (69,1%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (60,3%) registravam as principais participações de trabalhadores da cor preta ou parda.
 
Intrução: O nível de instrução da população ocupada de 25 a 49 anos tem aumentado ao longo da série da Pesquisa (2012-21018), com crescimento da proporção de pessoas com pelo menos o ensino médio completo e nivel superior. Em 2012, 13,1% dos homens ocupados tinham o ensino superior, passado para 18,4% em 2018. Entre as mulheres essa estimativa foi de 16,5% (2012) para 22,8% (22,0%).
 
Jornada
 
Em média, a jornada de trabalho semanal da mulher era 4,9 horas inferior à jornada dos homens. Essa diferença era menor nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (-2,0 horas), dos Técnicos e profissionais de nível médio (-1,9 hora) e a de Trabalhadores de apoio administrativo (-1,2 hora). Por outo lado, as mulheres dos grupos de Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios trabalhavam, em média, 7,0 horas a menos que os homens.
 
ONU Mulheres estimula empresas a praticar equidade
 
Organizações Internacionais estão convocando empresas a assumir um compromisso público pela igualdade de gênero. De acordo com a ONU Mulheres, uma das organizações responsáveis pela ação, 198 empresas já aderiram ao Princípio de Empoderamento das Mulheres, iniciativa que conta com instrumentos para que as próprias empresas façam um autodiagnóstico em uma plataforma online.
 
As informações que as empresas incluem na ferramenta são confidenciais e serão usadas posteriormente para estudos. O objetivo imediato é que as próprias empresas façam seu diagnóstico e avaliem suas práticas, políticas e programas pela  perspectiva de gênero, de forma que possam estabelecer planos de mudança com foco na igualdade. Ainda não há um balanço de quantas empresas, das que participam da iniciativa, já incluíram seus dados na plataforma. Ainda neste ano, a ONU Mulheres pretende divulgar um balanço das melhorias que a ação gerou no ambiente organizacional das empresas, com relação à equidade de gênero.
 
Unilever, Furnas, Itaú, banco Santander e Grupo Boticário são exemplos de grandes grupos que aderiram à iniciativa, que inclui também startups. Além da plataforma, as empresas contam com a assistência das organizações participantes, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a União Européia,e têm acesso a planos de trabalho para transformar a cultura organizacional, indicadores de progressos e intercâmbio de boas práticas de gênero em comunidades de negócios.
 
Em outro programa, o “Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios”, com foco no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica e Jamaica, essas organizações internacionais promovem o intercâmbio entre empresárias e empreendedoras latino-americanas e europeias.
 
“Mulheres do mundo inteiro enfrentam obstáculos para o acesso a direitos econômicos, trabalho decente e proteção social. O empoderamento econômico das mulheres é uma das estratégias capazes de remover obstáculos e criar as condições para desenvolver toda a sua potencialidade das mulheres”,  afirma Ana Carolina Querino, representante interina da ONU Mulheres no Brasi. Segundo ela,  o desenvolvimento profissional das significa o incremento do PIB. Segundo dados do Banco Mundial, divulgados pela ONU Mulheres, uma maior projeção profissional das mulheres causaria um impacto de 3,3% no Produto Interno Bruto, seriam cerca de R$ 382 bilhões a mais na economia.
 
Um dos benefícios da ação, segundo Ana Carolina, é que as grandes empresas têm o poder de influenciar as cadeias produtivas, espalhando a mudança de cultura em todos os setores e classes sociais.
 
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho gera uma perda média de 15% nas economias dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de acordo com informações da ONU Mulheres.
 
Fonte: Correio Braziliense

IPC-C1 (baixa renda) sobe 0,49% em fevereiro ante 0,61% em janeiro, diz FGV

O Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) subiu 0,49% em fevereiro, após a alta de 0,61% registrada em janeiro, informou na manhã desta quinta-feira, 7, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador é usado para mensurar o impacto da movimentação de preços entre famílias com renda mensal entre um e 2,5 salários mínimos. Com o resultado, o índice acumulou alta de 1,10% no ano. A taxa acumulada em 12 meses foi de 4,81%.

Em fevereiro, o IPC-C1 ficou acima da variação da inflação média apurada entre as famílias com renda mensal entre um e 33 salários mínimos, obtida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que teve alta de 0,35% no mês. No acumulado em 12 meses, a taxa do IPC-BR também foi inferior, aos 4,38%.

As famílias de baixa renda gastaram mais com alimentação em fevereiro, o que impediu um arrefecimento mais expressivo da inflação medida pelo índice.

Quatro das oito classes de despesa registraram taxas de variação mais baixas em fevereiro na comparação com o mês anterior: Transportes (de 1,84% em janeiro para 0,22% em fevereiro), Educação, Leitura e Recreação (de 2,00% para -0,24%), Despesas Diversas (de 0,27% para 0,08%) e Comunicação (de 0,01% para -0,05%). Houve influência dos itens tarifa de ônibus urbano (de 3,87% para 0,71%), cursos formais (de 6,40% para 0,00%), alimentos para animais domésticos (de 1,06% para -0,16%) e pacotes de telefonia fixa e internet (de 0,51% para 0,00%).

Na direção oposta, as taxas foram mais elevadas nos grupos Habitação (de 0,19% para 0,40%), Saúde e Cuidados Pessoais (de -0,02% para 0,50%), Alimentação (de 0,84% para 0,97%) e Vestuário (de -0,56% para -0,04%). Os destaques foram os itens tarifa de eletricidade residencial (de 0,12% para 1,56%), artigos de higiene e cuidado pessoal (de -0,54% para 0,99%), hortaliças e legumes (de 2,37% para 6,22%) e roupas (de -0,65% para 0,06%).

Fonte: IstoÉ

Especialistas dão dicas de como usar o cartão de crédito sem se endividar

Apesar dos altos juros cobrados no Brasil, maioria dos consumidores usa dinheiro de plástico todos os meses. Muitos acabam endividados e precisam recorrer a profissionais para colocar a vida financeira em ordem.

Mesmo com a taxa de juros estratosférica cobrada nas operações com cartão de crédito rotativo no Brasil, de 263,1% taxa média ao ano, o uso dessa modalidade financeira não para de crescer. Em 2018, 95% da população com acesso a crédito usou o cartão todos os meses, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs). Segundo o Banco Central, a taxa de juros para cartão de crédito subiu 11,2 pontos percentuais em janeiro, terceiro aumento consecutivo.

Muita gente exagera no uso do cartão e acaba endividada. Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, do canal do youtube Dinheiro à Vista, falta educação financeira aos brasileiros,  que usam mal o cartão de crédito, ou seja, exageradamente. Para ele, com educação financeira é possível usar o cartão de maneira estratégica e fazer dele um aliado. Segundo Gustavo Sampaio, diretor da Febracis Coaching, as pessoas se enganam com relação à sua disponibilidade financeira ao encarar o cartão de crédito como uma extensão do salário. Na avaliação de Domingos, esse é um problema que inicia na infância. “Quando uma criança começa a ganhar os primeiros trocados dos pais e não aprende a administrá-los, ela gasta tudo e pede mais para os tutores. Na vida adulta, quando não tem a quem pedir quando falta o dinheiro, usa o cartão de crédito”, avalia.

Na opinião do especialista, a facilidade em obter crédito também pode ser o fator que leva muitos à inadimplência. Para Domingos, muitos bancos concedem crédito em valores que ultrapassam a capacidade financeira dos tomadores,  o que é um fator de risco ao endividamento, pois a sociedade não foi educada para administrar a vida financeira e controlar as dívidas. “Os pais ensinam as pessoas a consumir, estamos calcados nos ensinamentos dos Estados Unidos. Não julgo isso um problema, pois a economia precisa estar ativa, mas deve haver moderação”, analisa Domingos.

Superação

Claudia Reis, 50 anos, servidora pública, é um exemplo de experiência de descontrole financeiro e de superação. Ela conta que usava o cartão de crédito para todas as compras que fazia e acabou dependente de um empréstimo consignado porque perdeu o controle da vida financeira. “Eu não tinha intimidade com dinheiro e minha dívida virou uma bola de neve”. Embora tenha um salário fixo,os díébitos de Cláudia eram crescentes, o que também prejudicou sua situação emocional. “Eu já fiquei sem dormir, pensando na situação em que estava.”

Há quatro meses, a situação da servidora pública começou a mudar. Sem dinheiro, Cláudia decidiu não usar mais o cartão crédito e virar a mesa, o que incluiu pagar todas as dívidas e se consultar com um coaching financeiro. De acordo com ela, a vida mudou. “Agora, tenho dinheiro na conta, estou investindo e pagando com cartão de débito. Uso cartão de crédito só para as compras grandes que eu parcelo”. O segredo da mudança na vida dela foi o planejamento. Ela passou a usar estratégias e parou de agir por impulso. “A Cláudia de hoje conquistou liberdade, estou vivendo uma nova vida. Sugiro pedir ajuda sempre que necessário e não ter vergonha da situação”, aconselha.

Domingos acredita que o problema não são as dívidas, mas gastar além capacidade de pagamento. Para ele, credores são agentes de grande responsabilidade e devem ajudar no movimento da economia, não se transformando em uma porta para o endividamento. As instituições financeiras devem educar os usuários.

Para o  diretor da Febracis Coaching falta  planejamento.  De acordo com ele, há técnicas para melhorar a relação com o cartão de crédito. Uma delas é abrir uma poupança chamada “cartão de crédito” e depositar todos os gastos do cartão na poupança, assim, no final do mês, o dinheiro da fatura estará salvo.  Outro vilão no uso do cartão são as pequenas parcelas na fatura, pois  muitas pessoas perdem o controle das dívidas anteriores e acabam excedendo o seu limite.

Fonte: Correio Braziliense

 

 

PIB baixo de 2018 reduz expectativa de crescimento para este ano

Tanto o consumo das famílias quanto os investimentos e a atividade industrial tiveram desempenhos fracos.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% em 2018, repetindo o mesmo desempenho de 2017. O resultado confirmou que a economia continua em marcha lenta e provocou uma nova revisão das estimativas dos analistas para a economia em 2019. Crescem as apostas de expansão de 2% neste ano, patamar abaixo da última previsão do mercado financeiro, de 2,48%. Tanto o consumo das famílias quanto os investimentos e a atividade industrial tiveram desempenhos fracos.
Os analistas ouvidos pelo Correio admitem a possibilidade de novos cortes, ao longo do ano, nas estimativas de crescimento econômico para 2019. O consenso é de que a expansão do PIB dependerá do ritmo da nova reforma da Previdência, que prevê uma economia de R$ 1,1 trilhão em 10 anos nas contas públicas. Quanto mais tempo demorar para que ela seja aprovada, menor será o crescimento do país. As projeções consideram que alguma reforma será aprovada este ano, caso contrário, o país mergulhará em uma nova recessão, de acordo os entrevistados.
“Sem a Nova Previdência, o crescimento do PIB ficará abaixo de 1% este ano, mas, se ela for aprovada, a economia poderá avançar 2,9%”, afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida. A secretaria divulgou nota, ontem, mostrando que o país cresceu 0,5% ao ano entre 2011 e 2018, menos do que taxa média anual da “década perdida” de 1980, de 1,6%. Além disso, o PIB per capita, de R$ 32,7 mil do ano passado, ficou 8% abaixo do nível de R$ 36,5 mil registrado em 2014, antes do início da recessão. Sem a reforma, poderá chegar a R$ 30,8 mil em 2023. “A Nova Previdência é condição necessária para o equilíbrio fiscal de longo prazo da economia, melhorando o ambiente de investimento e evitando uma nova década perdida”, afirma o documento.

Demanda fraca

A economista Sílvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), ressaltou que a atividade vem tendo dificuldade para se recuperar da crise por conta de problemas estruturais do país e da demanda fraca. “A velocidade de crescimento deixa muito a desejar e o ritmo mais forte de retomada dependerá do avanço da reforma da Previdência. Além disso, temos um problema de demanda interna, que vem desde a recessão de 2015 e 2016”, destacou ela.
Pelas contas de Silvia, o país vai demorar para recuperar a perda acumulada nos 11 trimestres seguidos de recessão. Ela estima que a queda do PIB, nesse período, chegou a 8,2% e, se depender do ritmo de carregamento do PIB de 2018, de apenas 0,4%, será difícil ver um ritmo mais forte nos próximos anos. “Contando trimestre a trimestre, a retomada chega a 3,4% até o ano passado, mas ainda falta recuperar quase 5% do que perdemos em termos do PIB. Agora, com o cenário externo desacelerando, o desafio para voltar a crescer e atrair investidores será grande, principalmente, se não houver reforma”, pontuou.
A economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, lembrou que, se a reforma for muito desidratada, para algo inferior 70% dos ganhos previstos inicialmente, a retomada da economia e da confiança dos investidores será comprometida. Ela manteve a projeção de crescimento de 2% para este ano. “A gente espera uma recuperação do mercado de trabalho e do crédito. A premissa central é a reforma Previdência. Com ela avançando, o investimento poderá crescer 5,5% neste ano”, apostou.
Os analistas iniciaram o ano com previsões de crescimento do PIB em 3%, mas elas foram reduzidas após a greve dos caminhoneiros, em maio. “A greve antecipou as incertezas que estavam previstas para o segundo semestre com as eleições. O ritmo de crescimento enfraqueceu a partir do segundo trimestre. Neste ano, uma expansão acima de 2% dependerá da aprovação da reforma da Previdência”, pontuou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Ronaldo de Souza Júnior.
A gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Cláudia Dionísio, explicou que a frustração do PIB começou desde o início do ano, quando os resultados setoriais esperados não foram atingidos, mas foi agravada com a greve. “O consumo das famílias, que foi o carro-chefe da demanda, veio positivo, mas não está nem perto dos patamares pré-crise. O mercado de trabalho melhorou, mas de forma lenta e informal. A massa salarial subiu, só que com no emprego sem carteira assinada e na subutilização da mão de obra”, destacou. Cláudia ressaltou também que, apesar de a taxa Selic estar em 6,5% ao ano, o menor nível da história, o spread bancário ainda é elevado. “(Os bancos) não repassam totalmente a queda da taxa básica, o que limita a expansão do crédito e do crescimento”, ressaltou.

Efeito Bolsonaro

Na avaliação do economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, o resultado fraco do último trimestre de 2018, quando o PIB cresceu apenas 0,1% em relação aos três meses anteriores, confirmou que a vitória do presidente Jair Bolsonaro não surtiu efeito na economia real. “A recuperação continuará fraca nos próximos trimestres. Os dados do PIB vão desapontar quem esperava que a eleição de Bolsonaro daria um impulso imediato à economia. Embora a confiança tenha crescido, a atividade permanece fraca”, explicou ele, reforçando que o crescimento neste ano ficará abaixo do consenso do mercado, em torno de 2%.
Fonte: Correio Braziliense

Bovespa opera em queda após divulgação de dados do PIB

O principal indicador da bolsa paulista, a B3, opera em queda nesta quinta-feira (28), após a divulgação dos dados de crescimento da economia em 2018 – a expansão foi de 1,1%, frustrando expectativas de uma maior recuperação.

Às 12h56, o Ibovespa caía 1,90%, a 95.461 pontos.

As ações preferenciais da Petrobras, que começaram o dia em alta, operavam em queda de cerca de 1% – a petroleira divulgou, na véspera, que encerrou 2018 com lucro de R$ 25 bilhões. As ações da BRF também recuavam, depois da divulgação do balanço da companhia, que mostrou prejuízo de R$ 4 bilhões no ano passado.

Na quarta-feira, a Bovespa encerrou em queda de 0,3%, a 97.307 pontos, em meio a um ambiente mais negativo no exterior, enquanto a temporada de balanços dividiu o foco com o noticiário político-econômico, em particular movimentos relacionados à reforma da Previdência.

Fonte: G1

Desemprego sobe para 12% em janeiro e atinge 12,7 milhões, diz IBGE

Número de desempregados é o maior desde agosto. Já o número de trabalhadores por conta própria bateu recorde histórico, reunindo 23,9 milhões.

A taxa de desemprego no Brasil aumentou para 12% no trimestre móvel encerrado em janeiro, atingindo 12,7 milhões de pessoas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do maior número de desocupados desde agosto do ano passado, após uma sequência de 8 meses seguidos de quedas e um de estabilidade.

No trimestre encerrado em dezembro de 2018, a taxa de desemprego verificada pelo IBGE foi de 11,6%, atingindo 12,2 milhões de brasileiros.

A recuperação ainda lenta do mercado de trabalho tem sido pressionada pelo elevado número de desalentados e de subutilizados, em uma economia que ainda sem fôlego expressivo, apesar da expectativa de melhora progressiva.

No ano passado, a taxa média de desemprego recuou para 12,3%, ante 12,7% em 2017, mas foi sustentada sobretudo pelo crescimento do trabalho informal e por conta própria, que voltou a bater recorde neste trimestre encerrado em janeiro.

Efeito sazonal

A alta do desemprego neste início de 2019 reflete principalmente um movimento sazonal de dispensa após as contratações de final de ano. Janeiro é um mês em que muitos trabalhadores temporários são dispensados e tradicionalmente há um aumento da taxa de desocupação.

Na comparação com o trimestre anterior (agosto a outubro), a taxa de desemprego aumentou 0,3 ponto percentual, com um adicional de 318 mil pessoas na fila do desemprego.

Segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, trata-se de um movimento sazonal. “Tem a ver com o movimento natural do mês de janeiro, com a dispensa de trabalhadores, sobretudo temporários no comércio”, disse.

A indústria foi o setor que mais dispensou trabalhadores na comparação com o trimestre encerrado em outubro (menos 345 mil), seguida por agricultura (menos 192 mil) e administração pública (menos 175 mil).

Apesar do aumento do número de desempregados, trata-se da segunda queda seguida da taxa oficial de desocupação para meses de janeiro. No trimestre móvel encerrado em janeiro de 2018, o desemprego estava em 12,2%.

27,5 milhões de subutilizados

O número atual de ocupados (92,5 milhões) no trimestre encerrado em janeiro também é o menor desde agosto de 2018. Segundo o IBGE, a população ocupada no país caiu -0,4% (menos 354 mil pessoas) em relação ao trimestre encerrado em outubro. Em 1 ano, porém, aumentou 0,9%.

“Não é possível falar em recuperação do mercado de trabalho com esse quadro. Nós temos o mesmo quadro que em janeiro do ano passado se olharmos somente para o lado da desocupação. Mas se nos voltarmos para a ocupação apenas, vemos um incremento de 846 mil trabalhadores. Isso é bom, ter mais gente ocupada? Por um lado, sim, mas são todas vagas informais”, avaliou Azeredo.

A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 24,3%. De acordo com o IBGE, 27,5 milhões de brasileiros estavam subutilizados no trimestre encerrado em janeiro – 209 mil a mais que no trimestre imediatamente anterior. Já na comparação anual, esse contingente cresceu 2,5% (mais 671 mil pessoas).

O número de desalentados ou de trabalhadores que desistiram de procurar uma vaga (4,7 milhões) ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas aumentou 6,7% na comparação anual (296 mil a mais).

Já o contingente de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (6,8 milhões) caiu 2,4% em relação ao trimestre anterior, mas subiu 7,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (466 mil a mais).

Recorde de trabalhadores por conta própria

O número de trabalhadores por conta própria e de empregadores tiveram recorde histórico neste trimestre encerrado em janeiro, reunindo, respectivamente, 23,9 milhões e 4,5 milhões de pessoas.

Na comparação com o trimestre anterior, o número de trabalhadores por conta própria aumentou em 1,2% (291 mil a mais). Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a alta foi de 3,1% (719 mil pessoas a mais).

O número de empregadores se manteve estável em 3 meses, mas cresceu 3,3% na comparação com janeiro de 2018 (146 mil a mais).

Os grupamentos de atividades que mais registraram aumento nestes dois tipos de posição foram os de comércio, outros serviços, alojamento e alimentação e, sobretudo, transportes. Segundo Azeredo, se mantém a tendência do aumento de pessoas trabalhando com o transporte alternativo de passageiros, por conta dos aplicativos de transporte, que representam uma porta mais fácil de ingresso informal no mercado de trabalho.

Trabalho formal e sem carteira assinada

O número de trabalhadores em carteira de trabalho assinada caiu 2,8% na comparação com o trimestre anterior (menos 321 mil pessoas). Na comparação anual, entretanto, subiu 2,9%, um adicional de 320 mil pessoas.

O número de empregados com carteira de trabalho assinada, por sua vez, ficou estável na comparação com o trimestre anterior, mas em 1 ano recuou 1,1% (380 mil a menos).

“A carteira de trabalho continua estável, mas em momento algum a gente percebe geração de postos de trabalho com carteira”, avaliou Azeredo.

Os números de emprego formal em janeiro pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) serão divulgados nesta quinta-feira pelo governo federal.

Renda média

No trimestre encerrado em janeiro, o rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas ficou em R$ 2.270, o que segundo o IBGE representou uma alta de 1,4% frente ao trimestre anterior e estabilidade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Já a massa de rendimento real habitual (R$ 205 bilhões) ficou estável em ambas as comparações.

Fonte: G1

Confiança do comércio recua em fevereiro, diz FGV

O índice piorou em 8 dos 13 segmentos pesquisados e foi influenciado tanto pela piora da percepção dos empresários com relação ao momento presente quanto das expectativas.

Em nota, o coordenador da sondagem, Rodolpho Toble, afirmou que após um período de altas expressivas na confiança no final de 2018, os empresários do setor parecem calibrar as expectativas no início de 2019.

“O resultado exatamente em 100 pontos mostra que o setor ainda se encontra na região de transição para níveis mais elevados de confiança. Uma recuperação das vendas de maneira mais intensa ainda depende da melhora mais expressiva do mercado de trabalho e redução dos níveis de incerteza”, disse.

Situação atual

O Índice de Situação Atual (ISA-COM) caiu 1,4 pontos, para 93,2 pontos, a segunda queda seguida. Já o Índice de Expectativas (IE-COM), depois de quatro altas seguidas, recuou-6,1 pontos, ao passar de 112,9 pontos para 106,8 pontos.

Desconforto no comércio

A queda do ICOM em fevereiro também se reflete no Indicador de Desconforto do Comércio (composto pela soma das parcelas demanda insuficiente, acesso ao crédito bancário e custo financeiro como limitações a melhoria dos negócios).

O aumento (em médias móveis trimestrais) em fevereiro em relação a janeiro foi influenciado pelas maiores reclamações com demanda insuficiente, que passou de 24,8% para 27,1%; do custo financeiro, ao subir de 16,6% para 17,8%; e pela virtual estabilidade do fator acesso ao crédito, que variou de 6,7% para 6,5% no mesmo período.

O resultado mostra que, depois de seis bons resultados consecutivos, os empresários ainda parecem estar cautelosos com a velocidade da recuperação das vendas em 2019.

Fonte: G1

Rombo nas contas externas tem pequena alta em janeiro, e investimento estrangeiro cai 30%

Investimento direto não foi suficiente para financiar o déficit das contas externas no mês passado. Banco Central divulgou dados das transações correntes nesta segunda.

A conta de transações correntes registrou um déficit de US$ 6,548 bilhões em janeiro, informou nesta segunda-feira (25) o Banco Central. Com isso, houve pequena piora nas contas externas frente ao mesmo mês de 2018, quando foi registrado um rombo de US$ 6,293 bilhões.

A conta de transações correntes é formada pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior). Trata-se de um dos principais indicadores do setor externo brasileiro.

Em todo ano passado, as contas externas registraram um déficit de US$ 14,511 bilhões, com crescimento frente ao ano anterior (-US$ 7,235 bilhões). Para 2019, a expectativa do Banco Central é de nova piora no rombo das contas externas – com um déficit em transações correntes de US$ 35,6 bilhões.

De acordo explicações do Banco Central, o aumento do déficit das contas externas é um movimento esperado quando a economia cresce, pois aumenta a demanda dos residentes no país por produtos do exterior.

Investimento estrangeiro

O Banco Central também informou nesta segunda-feira que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 5,866 bilhões janeiro, com queda de 30% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 8,363 bilhões).

Com o recuo, os investimentos estrangeiros não foram suficientes para cobrir o rombo das contas externas no mês passado (US$ 6,548 bilhões).

Para 2019, o Banco Central estima um ingresso de US$ 90 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.

Se a previsão se confirmar, os investimentos externos seriam suficientes para “financiar” todo o déficit das contas externas do período – cuja estimativa do BC é de US$ 35,6 bilhões neste ano.

Fonte: G1

 

Confiança do consumidor recua após 4 meses de alta, diz FGV

Em fevereiro, houve melhora das avaliações sobre o presente e diminuição das expectativas em relação aos próximos meses.

A confiança do consumidor com a economia interrompeu quatro meses de alta e caiu 0,5 ponto em fevereiro, para 96,1 pontos, mostram dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgados nesta sexta-feira (22).

Em fevereiro, houve melhora das avaliações sobre o presente e diminuição das expectativas em relação aos próximos meses.

Em nota, a coordenadora da Sondagem do Consumidor da FGV disse que a confiança acomodou em fevereiro influenciada por uma reavaliação das expectativas.

“As previsões dos consumidores sobre economia e situação financeira das famílias, que atingiram níveis próximos ao máximo da série em janeiro, recuaram, o que parece normal após a onda de otimismo pós período eleitoral”, declarou.

Situação atual

O Índice de Situação Atual (ISA) manteve a trajetória de alta pelo quarto mês consecutivo ao subir 1,3 ponto, para 78,1 pontos, atingindo o maior nível desde abril de 2015 (78,9).

Já o Índice de Expectativas (IE) diminuiu 1,7 ponto, para 109,0 pontos, mantendo-se ainda em patamares alto em termos históricos.

Fonte: G1

Educação sobe 3,52% e gera maior impacto de grupo no IPCA-15 de fevereiro

Os reajustes das mensalidades escolares elevaram em 3,52% os gastos das famílias brasileiras com educação em fevereiro, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) divulgados nesta quinta-feira, 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O grupo Educação foi o de maior pressão para a inflação do mês, uma contribuição de 0,17 ponto porcentual.

As mensalidades dos cursos regulares subiram 4,60%, item responsável pelo maior impacto individual no IPCA-15 do mês, o equivalente a 0,15 ponto porcentual. Os cursos diversos aumentaram, em média, 3,16%, com reajustes entre 1,56% em Brasília e 4,03% na região metropolitana de Curitiba.

Em contrapartida, o grupo Transportes teve uma queda de 0,46% e gerou maior impacto negativo sobre o IPCA-15 de fevereiro, -0,09 ponto porcentual.

Segundo o IBGE, a gasolina voltou a ficar mais barata em fevereiro, ajudando a aliviar a inflação medida pelo IPCA-15.

A gasolina ficou 2,43% mais barata, o terceiro mês consecutivo de quedas. O item registrou a maior contribuição individual negativa do mês, -0,11 porcentual. Também ficaram mais baratos o etanol (-1,31%) e o óleo diesel (-0,15%).

Embora os combustíveis tenham recuado 2,05% em fevereiro, o gás veicular subiu 3,21%, puxado pela alta na região metropolitana de São Paulo (8,27%).

Ainda em Transportes, houve aumentos nas tarifas dos ônibus urbanos (2,50%) e nos ônibus intermunicipais (1,54%).

Em São Paulo, houve também reajuste de 7,50% nas tarifas de trem (6,70%) e de metrô (6,70%), ambas a partir de 13 de janeiro. No Rio de Janeiro, destacam-se o reajuste médio de 4,26% no valor das tarifas de táxi (2,35%), a partir de 1º de janeiro de 2019, e o reajuste de 9,52% no valor das passagens de trem (3,81%), vigente desde 2 de fevereiro.

As passagens aéreas ficaram 16,53% mais baratas em fevereiro, segundo maior impacto negativo no IPCA-15 do mês, com -0,08 ponto porcentual.

Fonte: IstoÉ